segunda-feira, 27 de julho de 2009


BATENDO UM BOLÃO
com PAULO GOMES
KLÉBER,
UM CRAQUE À FRENTE DO SEU TEMPO


Nos anos 70 o Fluminense tinha alma, cara e aura de campeão, de time vencedor, organizado e grande.
Além dos craques que comprávamos, tínhamos os feitos em casa. Com o sangue da raça tricolor e o talento de meninos selecionados e preparados com toda a competência na base. Garimpados e lapidados por gente como Pinheiro nosso eterno zagueiro símbolo da garra do Flu, pelos irmãos Roberto e Paulo Alvarenga , pelo professor Sebastião Araújo e por alguns outros igualmente importantes.

Tinham eles a 'cara' do Fluminense e eram o componente final, decisivo e secreto, para azeitar as máquinas que eram formadas.
Ganhavam tudo na base, representavam o Brasil com a camisa canarinho em seleções juvenis, infantis em importantes torneios por esse planeta afora.
Jogavam como gente grande quando colocados ao lado das feras consagradas como os tricampeões mundiais Félix, Gérson, Marco Antônio, Rivelino, Carlos A. Torres, Paulo César...

Jogavam - sem medo de exagerar - com profundo amor ao clube e a nossa camisa, fosse a tricolor ou a branca.
Os nomes deles nenhum tricolor com mais de 35 anos de idade esquece: Pintinho, Rubens, Abel, Erivelto, Edinho, Carlinhos, Kléber...

Dois irmãos, um na lateral, o Carlinhos, o outro um gigante de polivalência, raça e talento como médio-volante: Kléber ou Cléber, seu nome era grafado assim, das duas formas. Talvez em homenagem ao futebol, de utilidade dupla como mostrava o seu estilo: O Kléber raçudo e o Cléber craque talentoso de toque preciso e técnico.
O complemento perfeito de Pintinho no meio-campo. O reserva (?) de luxo do monstro Paulo César, o PC Caju que ao lado de Rivelino formava um dos maiores setores de meio-campo da história do futebol na Super Máquina do visionário Francisco Horta.
Não, Kléber nunca foi reserva era o 12º titular. O pulmão do time, o motorzinho que impulsionava com força a equipe para frente e servia os companheiros em belos passes e claro, de vez em quando, explodindo na frente e marcando golaços!

Que saudade tenho daquelas máquinas... Daqueles meninos cabeludos que davam show no Maraca e que nos passavam à certeza de que quando não tivéssemos mais os monstros, os supercraques, teríamos uma safra nossa, feita em casa, que daria conta do recado com muita competência e valor.
E assim se deu... Outros vieram como Arturzinho, Gílson Gênio, Robertinho, Zezé, Mário, Delei, Edevaldo, Paulo Goulart, ETC, ETC

E o Kléber heim?... Todo mundo queria, todo mundo cobiçava: O Flamengo quer Kléber, o Sporting de Portugal quer Cléber...
“Será que entra como moeda em um novo troca-troca?”... – “Negativo!” -
O Presidente Francisco Horta, conhecedor profundo do futebol dizia sempre em alto e bom som: - " O Kléber é inegociável!”

E olha que para o Horta até o Rivelino era sempre uma possível moeda em negociações, pois chegou a ser oferecido numa quase bombástica troca por Zico.
Mas Kléber não... era um dos segredos daquele timaço.
Era o cara que se transformava em campo. Que era volante, mas também era lateral, quando Toninho ou Carlos Alberto se mandavam, era zagueiro quando o outro craque da base – Edinho - virava atacante, era meia-direita se transformando em Paulo César, era meia-esquerda virando Rivelino, era ponta quando queria se vestir de Gil. Virava Manfrinni ou Doval se quisesse, na hora que desejasse,,,

Esse era o cara! Futurista. Que jogava futebol de 2009 em 1973, 75. Quarenta anos à frente dos demais. Um tricolor puro-sangue, um baita volante que sempre recebeu os aplausos, reconhecimento e reverência do maior volante de todos os tempos: Paulo Roberto Falcão.

Nos últimos anos, através da mágica da internet, me tornei para minha alegria, amigo do seu filho Igor. Que entrou em contato comigo, perguntando se eu tinha fotos da Máquina. Só depois me revelou que era para "homenagear ao seu pai, o Kléber, conhece Paulo"?... – “Mas é claro Igor, seu pai foi um dos meus ídolos!”

E depois nesse ano de 2009, do próprio Kléber que entrou em contato comigo. E com muita humildade agradeceu pelas homenagens que fizemos a ele na nossa comunidade FLU MEMÓRIA-MUSEU TRICOLOR.

A única e humilde maneira de nesse momento de dor, homenagear a esse grande jogador e ídolo do meu time e ao grande Ser Humano, filho, irmão, pai, amigo, é escrever essas mal-traçadas e dizer: Valeu Craque!

Eternas Saudações Tricolores!

Paulo Gomes, 26.07.2009

1 comentários:

linguagem disse...

Um ser humano de alta qualidade esse rapaz, e como vc disse, um craque como poucos! O Brasil perdeu um grande homem!