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segunda-feira, 15 de junho de 2009

Frases


















"Há coisas na vida do sujeito que ele não conta, nem ao padre, nem ao psicólogo e nem ao médium depois de morto"...

NELSON RODRIGUES




SOBRE O GÊNIO:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nelson_Rodrigues

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http://www.releituras.com/nelsonr_bio.asp

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COMUNIDADE NO ORKUT: NELSON RODRIGUES - http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=21890

BLOGS : http://nelsonrodrigues-teatro.blogspot.com/ e

http://nelsonrodriguesvidaearte.blogspot.com/

domingo, 18 de janeiro de 2009

FRASES


"Há coisas na vida do indivíduo que ele não conta nem ao padre,nem ao psicólogo, nem ao médium depois de morto"


segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Frases


"Não conheço um gordo mal-caráter.
Todos têm uma alma boa, uma aura de doçura, ao passo que todo canalha é magro"...

domingo, 16 de novembro de 2008

Teatro


BOCA DE OURO de NELSON RODIGUES
Se você é do Rio de Janeiro e gosta da obra de Nelson Rodrigues não deixe de assistir o novo trabalho da Cia Teatro Arte Dramática, Boca de Ouro - em cartaz no Teatro Sesi, sucesso de público e crítica.
ÚLTIMAS SEMANAS!

O espetáculo estará em cartaz todas as terças e quartas-feiras do mês de até 26 de novembro.

Duração aproximada: 01h30min
Teatro SESI: Av. Graça Aranha, 01, Centro - Rio de Janeiro

Imprimindo a filipeta abaixo e apresentando-a na bilheteria você ganha 50% de desconto!

domingo, 9 de novembro de 2008

Frases










"SE CADA UM DESCOBRISSE A
INTIMIDADE SEXUAL DO OUTRO,
NINGUÉM CUMPRIMENTARIA MAIS NINGUÉM"...

Nelson Rodrigues

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Revista Língua Portuguesa


Recomendo a todos a excelente Revista Língua Portuguesa. No número 36 Edição de Outubro a matéria de capa traz uma foto do Gênio Nelson Rodrigues e a manchete:
NELSON RASGA O VERBO.


A matéria que também está no site www.revistalingua.com.br transcevemos abaixo, mas o ideal é ter essa edição e guardá-la, pois o texto da antropóloga e professora Adriana Facina é impecável na análise do estilo de Nelson Rodrigues. Além das fotos maravilhosas que ilustram a matéria. Imperdível!



CONFIRAM TAMBÉM:


ADRIANA FACINA. Santos e canalhas: Uma análise Antroólógiica da Obra de Nelson Rodrigues. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2004

ANGEL RAMA. A Cidade das Letras, São Paulo, Brasiliense, 1985


JESÚS MARTÍN-BARBERO. Dos Meios às Meditações: Comunicação, Cultura e Hegemonia. Rio de Janeiro,UFRJ, 1997


RUY CASTRO. O Anjo Pornográfico, São Paulo, Cia.das letras, 1992




Revista Língua Portuguesa





A prosa teatral de Nelson Rodrigues


A frase nos ajuda a entender por que Nelson Rodrigues é até hoje, passados quase 30 anos de sua morte, um dos escritores mais populares do Brasil.
"Não reparem que eu misture os tratamentos de 'tu' e 'você'. Não acredito em brasileiro sem erro de concordância."
Herdeiro do projeto modernista de aproximar a literatura da língua falada, Nelson Rodrigues (1912-1980) levou aos palcos e aos jornais em que trabalhou um linguajar popular, bem carioca, incorporando à escrita gírias e outras características típicas da dinâmica da fala.
É preciso voltar no tempo para entendermos o significado dessa inovação. Em nosso processo de colonização, os portugueses conseguiram se impor à população não só política e economicamente, mas também ao idioma. Criou-se o que o crítico literário uruguaio Angel Rama denominou "diglosia", a existência de duas línguas separadas hierarquicamente: a pública (escrita, restrita à classe dirigente) e a popular e cotidiana (falada, usada na vida privada das elites e forma de expressão das classes populares).
O movimento modernista, nas suas diversas vertentes, procurou romper com essa tradição e aproximar não só essas duas línguas como também o próprio brasileiro, que os modernistas entendiam como povo separado por abismos de diversas naturezas. As distâncias físicas, a diversidade das culturas regionais, as desigualdades econômicas, entre outros fatores, deveriam ser superadas em nome da construção de uma cultura nacional comum. Imaginem esse desafio num país de proporções continentais e, naquela década de 1920, com dificuldades de transporte e comunicação que aprofundavam ainda mais essas barreiras.


Teatro da prosa


Para literatos como Mário de Andrade e Oswald de Andrade, se a literatura pretendesse contribuir nesses esforços teria de sair das oficialidades encasacadas e aproximar-se dos falares do povo. Só assim ela poderia ser compreensível e elevar-se esteticamente, deixando de macaquear, nos termos da época, as literaturas internacionais, especialmente a francesa, moda de então.
Se na literatura, na música e nas artes os modernistas conseguiram criar escola, especialmente desde os anos 30, nos palcos o Modernismo demorou mais a fazer-se presente.

O próprio Oswald havia escrito peças, mas elas não chegaram aos palcos. A mais famosa, O Rei da Vela, publicada em 1937, só foi encenada trinta anos depois, numa histórica montagem do grupo Oficina. O que passava pelos palcos então?

Basicamente, dois tipos de peças. As populares, ligadas às comédias e ao teatro de revista. E, para um público elitizado, um "teatro sério", quase sempre associado a encenações de autores estrangeiros clássicos. Se um diretor, ator ou uma atriz quisesse ser respeitado ou respeitada pela crítica, deveria dedicar-se a tais peças, como as de Shakespeare ou dos gregos. Os autores nacionais tinham dificuldades de verem seus textos representados, pois os estrangeiros mais consagrados eram garantia de retorno financeiro nas bilheterias. Quando o conseguiam, geralmente seguiam a linha desse "teatrão".
Quando a peça Vestido de Noiva estreou nos palcos cariocas, em 1943, boa parte da crítica especializada saudou-a como o evento que marcava a atualização de nossa cena teatral com o Modernismo. Exageros e imprecisões à parte, já que essas afirmações desconsideraram experimentos teatrais importantes e anteriores, o fato é que Vestido de Noiva traz elementos de linguagem que, mais tarde, Nelson desenvolveria nas tragédias cariocas.


Prosa teatral


Entre o sucesso de Vestido de Noiva e a estréia de sua primeira tragédia carioca, A Falecida (1953), Nelson amargou censuras, fracassos e decepções. Rotulado como escritor maldito a partir do escândalo da peça Álbum de Família, censurada em 1946, o autor parecia distante da popularidade. Era agora o "tarado", o "inimigo da Igreja e da família", logo ele tão conservador...
Isso começa a mudar quando Nelson é convidado por Samuel Weiner, dono do jornal Última Hora, a escrever uma coluna, que ganhou o nome A Vida como ela É... Era 1951.

O jornal havia sido fundado para apoiar o presidente Getúlio Vargas, eleito pelo povo, mas ignorado pela grande imprensa que se opunha ao seu perfil político nacionalista. Para cumprir o papel de levar o recado do presidente às massas e garantir sua sustentação política, o jornal precisava ser popular e distanciar-se do jornalismo mais elitista que predominava então.
Mesmo tendo trabalhado em jornal desde os 13 anos, e escrito folhetins com o pseudônimo Suzana Flag, a Última Hora foi uma escola para Nelson Rodrigues.

Seus contos da coluna A Vida como ela É... logo se tornaram sucesso de público. Um dos mais famosos é A Dama do Lotação, história da mulher casada que escolhia seus amantes entre os desconhecidos do transporte público, e que se tornou filme. Vamos ver um trecho em que Solange conta ao marido como iniciou as traições com desconhecidos com apenas um mês de casada:
"Mecânico e desconhecido: duas esquinas depois, já cutucara o rapaz: 'Eu desço contigo'. O pobre-diabo tivera medo dessa desconhecida linda e granfa. Saltaram juntos: e esta aventura inverossímil foi a primeira, o ponto de partida para muitas outras".
"Cutucar", "pobre-diabo", "granfa" (corruptela de grã-fina). Todas essas, expressões coloquiais comuns no linguajar carioca dos anos 1950. A ambientação do conto no Rio se dá mais pela linguagem do que por descrições de paisagens e locais.


Tragédia carioca


O que se deu nos contos também ocorreu no teatro. A partir de 1953, Nelson começa suas tragédias cariocas. No palco, histórias de traições, amores proibidos, dramas familiares. Mas agora com doses de humor e os falares cariocas. Ainda que mantivesse a pretensão do início da carreira, de fazer teatro sério (tanto que evitava classificar suas peças como comédias), o autor trazia tipos e situações do ambiente urbano do Rio, e os diálogos acompanhavam isso. Em A Falecida, o marido descobre que a mulher o traía depois que ela morre. Num dos diálogos iniciais, o tal marido, ainda sem saber de nada, conversa animadamente com os parceiros de sinuca:


"TUNINHO - Vou te dizer mais: estou desempregado e outros bichos. Quer dizer, na última lona. Mas estou tão certo, tão certo, que vai ser uma barbada daquelas, que te juro, sob minha palavra de honra, que se eu tivesse dinheiro, sabes o que eu fazia, no domingo, queres saber?

OROMAR - Você é bom de bico!
(Tuninho está numa verdadeira euforia)

TUNINHO - Espera, ouve o resto, seu zebu! Eu entrava no Maracanã. Muito bem. Vamos dar, de barato, que umas 100 mil pessoas assistam ao jogo.(...)

TUNINHO - Seja 150 ou 200 mil pessoas. Não importa. Até aí morreu o Neves. Pois eu, se tivesse o dinheiro meu, no bolso, eu, sozinho, apostava com 200 mil pessoas no Vasco. Havia de esfregar a gaita assim, na cara das 200 mil pessoas, desacatando: 'Seus cabeças-de-bagre! Dois de vantagem e sou Vasco!'

Te juro que ia fazer a minha independência, que ia lavar a égua!".
Para além da ambientação (sinuca, zona norte, referência ao Maracanã), o que confere verossimilhança ao personagem e à situação é seu jeito de falar. "Barbada" para referir-se a um jogo com um evidente favorito; "bom de bico" no lugar de indivíduo que sabe convencer (e até mesmo enganar) os outros com seus argumentos; "dar de barato" por "subestimar"; "até aí morreu o Neves", ou seja, "isso não faz diferença", "não significa nada"; "gaita" no lugar de "dinheiro". E ainda "cabeça-de-bagre" e "lavar a égua", de difícil tradução etimológica. Num pequeno trecho, quantos exemplos de um trabalho sofisticado com a linguagem, tudo para conferir teatralidade à palavra falada. As gírias são parte importante disso, pois são os elementos mais cambiantes da oralidade, marcando bem a expressão oral em determinados contextos e em determinadas épocas.


Combate cultural

E é esse trabalho com a linguagem a base do flerte da obra rodriguiana com a cultura de massas. Não só o cinema, mas a televisão buscou inspiração em seus escritos. Segundo Jesús Martín-Barbero, importante teórico da comunicação, a cultura de massas incorpora, ainda que de forma contraditória e distorcida, elementos da cultura popular que garantem sua aceitação entre amplos estratos da sociedade. As classes populares, tornadas consumidoras de bens culturais, podem reconhecer-se, mesmo parcialmente, naqueles produtos. Isso explica um dos motivos da aceitação popular da obra de Nelson.
Para além dos temas polêmicos, como família e sexualidade, o apelo junto ao público também se dá pelos diálogos plenos de cotidianidade, aproximando histórias e personagens de um público amplo que se reconhece nessas falas. O sucesso de Nelson na indústria cultural se deve em grande medida aos diálogos e à fraseologia popular, que tornam seus personagens tão humanos e reconhecíveis.


Linguagem popular



Mesmo quando, nos anos 1960 e 70, defendeu a ditadura e se assumiu como reacionário, Nelson manteve a busca por uma linguagem popular e utilizou-se disso para rotular a esquerda como formada de intelectuais de classe média que nada entendiam de povo. Com humor devastador, suas crônicas em O Globo fizeram mais pela propaganda do regime que muitos órgãos oficiais destinados a tal fim.
Nessas décadas, Nelson ampliou sua popularidade com as crônicas de futebol. De certo modo, o movimento aí era o inverso. Como cronista, Nelson fazia da narração de um jogo uma aventura literária cheia de referências a Dostoievski, Shakespeare, Proust e outros clássicos. Amarildo era "o possesso", numa clara referência ao livro Os Possessos, do autor russo que Nelson tanto adorava.
Nos dois casos, os contos que buscavam aproximar-se da oralidade e as crônicas que transformavam uma paixão popular em literatura, Nelson defendia a autonomia da criação jornalístico-literária, clamando contra o que ele chamava de "idiotas da objetividade". Estes eram personificados pelos copidesques, profissionais que, orientados pelos padrões do jornalismo estadunidense, cortavam e modificam os textos de jornais para conferir a eles objetividade e concisão. Parecia claro que, para o autor, se a realidade não coubesse na narrativa, pior para a realidade.
Por essas, Nelson Rodrigues acabou conhecido como grande frasista, com tiradas repetidas por gerações, como "O mineiro só é solidário no câncer"; "Toda coerência é, no mínimo, suspeita"; "Na vida, o importante é fracassar", fruto de uma filosofia de bar que é o núcleo de bom senso do senso comum, transmutada em linguagem literária.
E, se toda unanimidade é burra, é claro que essas escolhas estéticas e lingüísticas mereceram críticas dos que viam nelas um empobrecimento no uso da língua, em especial nas peças teatrais. A essas críticas, Nelson Rodrigues respondia:
"Os críticos achavam a minha linguagem pobre. O que eles queriam era a eloqüência, a subliteratura, enquanto eu partia para a palavra viva, ainda suada de vida, suada de rua, suada de cotidiano, suada de paixão. Se não tenho outras virtudes, tenho esta e a reivindico para mim: - a de ter um diálogo extremamente teatral".
Os diálogos que criava, Nelson os admitia "pobres". Mas, completava, só ele sabia o trabalho que dava "empobrecê-los".
Nelson com a palavra

A palavra - Não se adia um olhar, um sorriso, uma frase. Há sempre uma palavra que não devemos calar. Somos perecíveis, mas esquecemos que somos perecíveis.

De "Moacir Padilha" (O Globo, 17/2/1972), em O Reacionário: Memórias e Confissões (Agir, 2008)

A frase Ah, o brasileiro mata e morre por uma frase. Nunca me esqueço de uma crônica dominical do Carlinhos de Oliveira: Terminava assim: - "A solidão do homem é um problema político". Era a chave de ouro. (...) Há um velho e obtuso preconceito, segundo o qual todas as frases querem dizer alguma coisa. Nem sempre. No caso do Carlinhos, nem ele nem a frase querem dizer rigorosamente nada. E foi por isso que Carlinhos a fez, e foi por isso que Carlinhos a publicou. Mas certas frases vivem, precisamente, de mistério e de suspense. A nitidez seria fatal. "A solidão do homem é um problema político." Na pior das hipóteses, há uma melodia e o resultado auditivo basta.

De "A Frase" (O Globo, 5/7/1968), em A Cabra Vadia (Agir, 2007)

O jargão "A superioridade do economista sobre o resto dos mortais é que fala do que ninguém entende. Se uma girafa aparecesse, ali, de repente, não seria tão olhada, apalpada, farejada." De "A Influência das Minissaias nas Leis da Economia" (O Globo, 26/4/1969), em O Reacionário (Agir, 2008)
A metáfora Eis o que me pergunto: - Por que não insistir na imagem bem-sucedida?

Certa vez, vou passando pela porta do cinema Rex. Súbito, ouço o grito triunfal:
- "Óbvio ululante!" Viro-me e vejo, na outra calçada, um lavador de automóvel. Passando a estopa no pára-lama, berra, outra vez: - "Óbvio ululante!"

Faço-lhe um gesto amigo. E o outro pergunta: - "A pronúncia está certa?". De "Nada mais Antigo do que o Passado Recente" (O Globo, 16/5/1969), em O Reacionário

Fôlego renovado

Autor de 17 peças de teatro, nove romances e inúmeros contos e crônicas, Nelson Rodrigues está longe de ter esgotado o interesse por sua obra.
A editora Agir, que desde agosto de 2006 deu início a uma nova fase de relançamentos das obras do jornalista e dramaturgo, promete novos volumes do autor para os próximos meses.
Em novembro, será lançada uma seleção de textos sobre o Rio de Janeiro, seus personagens e situações típicos. Para o ano que vem, chega às livrarias Memórias, A Menina sem Estrelas (coletânea dos textos de Memórias publicadas no jornal Correio da Manhã), além de outros livros, ainda sem títulos, como uma coletânea de entrevistas que ele concedeu ao longo da carreira, uma seleção de frases sobre o amor e uma coletânea de textos esportivos publicados no jornal
Última Hora.
Volumes de peso, literalmente, já foram lançados na nova fase editorial da prosa de Nelson.

A Vida como ela É... traz uma antologia feita pelo próprio autor em 1961 com parte da série (1951-1961) editada no Última Hora, a mesma fonte de Elas Gostam de Apanhar, que traz 26 histórias originalmente reunidas em livro em 1974. Também vieram os livros de crônicas O Óbvio Ululante (1968), O Reacionário: Memórias e Confissões e O Berro Impresso das Manchetes (com textos esportivos produzidos de 1955 a 59 para Manchete Esportiva), o romance O Casamento (1966) e os folhetins O Homem Proibido (1951), Meu Destino é Pecar (1944) e Asfalto Selvagem - Engraçadinha, seus Pecados e seus Amores (1960).

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Ácido do Nelson - Do Óbvio Ululante ao Buraco da Fechadura


Frases magistrais desse gênio da raça

NELSON RODRIGUES
" O amoroso é sincero até quando mente”.

"Não acredito em mulher honesta sem úlcera, a virtude dá azia, gastrite"

"O Amor nunca acaba, se acabou, não era amor"

"Só os neuróticos verão a Deus"

"Toda mulher bonita é um pouco a namorada lésbica de si mesma"

" O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um - o da imaturidade"

"O mineiro só é solidário no câncer"

"A estupidez é uma força da Natureza"

"A mais tola das virtudes é a idade. Que significa ter quinze, dezessete, dezoito ou vinte anos? Há pulhas, há imbecis, há santos, há gênios de todas as idades"

"Acho a velocidade um prazer de cretinos. Ainda conservo o deleite dos bondes que não chegam nunca"
"Com sorte você atravessa o mundo, sem sorte não atravessa nem uma rua...”

"Sem sorte você não chupa nem um chica-bom, pois pode engasgar com o palito ou ser atropelado pela carrocinha"

"O homem deseja sem amor, a mulher deseja sem amar"

"Não é possível amar e ser feliz ao mesmo tempo"

"Só conhece o amor áquele que amou a cunhada proibida"

"Toda unanimidade é burra"

"Todo canalha é magro, não existe um gordo mau-caráter”....

"Só os profetas enxergam o óbvio"

"Amar é ser fiel a quem te trai"

'Eu me nego a acreditar que um político, mesmo o mais doce político, tenha senso moral'

'A grande pose do ser humano não é para a esposa, a amante, vizinhos, credores ou o Juízo Final. Nada disso. O homem põe o seu melhor terno, a sua melhor gravata e as suas melhores virtudes para o seu próprio julgamento. O vampiro de Düsseldorf, por exemplo, não se considerava o vampiro de Düsseldorf, mas um reles bebedor de groselha'

"As mulheres só deviam amar meninos de 17 anos!"

"Um verdadeiro canalha nunca morre pelas mãos dos outros, mas só no auge de sua velhice"

"Eu não confio em mulher de pele boa"

"O subdesenvolvimento não se improvisa; é obra de muitos anos"

"O Fluminense nasceu com a vocação da eternidade. Tudo pode passar, só o Tricolor não passará, jamais"

"Só o cúmplice é fiel"

"...quando sinto que escrevo mal, fico satisfeitíssimo, porque é uma virtude estilística escrever mal"..."nós ainda não temos o direito de escrever bem. Daqui a quatrocentos anos, seremos estilistas. Por enquanto, não devemos nos envergonhar de nossa gíria, do nosso mau-gosto, sobretudo do mau-gosto que é outra virtude que tenho e que faço questão de proclamar"

"Nas situações de rotina, um 'pó-de-arroz' pode ficar em casa, abanando-se com a Revista do Rádio. Mas, quando o Fluminense precisa de número, acontece o suave milagre: - os tricolores vivos, doentes e mortos aparecem. Os vivos saem de casas, os doentes de suas camas e os mortos de suas tumbas”

"O pudor é a mais afrodisíaca das virtudes"

"fantasia, quanto mais delirante melhor"

"A fidelidade deveria ser facultativa"

"O que é o brasileiro? um pau de arara.E o que faz esse pau de arara? senta no meio fio. E lambe, com infinito deleite, sua rapadura”...

"Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico”

"O amigo é um momento de eternidade"

" A Virtude é triste, azeda e neurastênica"

"O marido não deve ser o último a saber, compreendeu ? O marido não deve saber nunca!"

"Tudo passa, menos a adúltera. Nos botecos e nos velórios, na esquina e nas farmácias, há sempre alguém falando nas senhoras que traem. O amor bem -sucedido não interessa a ninguém"

"É melhor ser um pervertido que um idiota"

"Só acredito nas pessoas que ainda se ruborizam"...

“O dinheiro compra tudo, até o amor verdadeiro”

"Há coisas na vida do indivíduo que ele não conta nem ao padre,nem ao psicólogo, nem ao médium depois de morto"

"A personalidade é luxo da mulher que não gosta, que não tem nenhum homem, nenhum sentimento na sua vida. Chegado o amor, tudo muda. Que é o amor, para a mulher, se não uma abdicação contínua, um incessante abandono de suas características pessoais"...

" As palavras ditas só uma vez, e só uma vez, permanecem inéditas"

"Ou a mulher é fria ou morde. Sem dentada não há amor possível"

“Toda mulher normal gosta de apanhar, só as neuróticas revidam”

" A verdadeira posse é o beijo na boca, e repito: - é o beijo na boca que faz o casal ser único, definitivo. Tudo mais é tão secundário, tão frágil, tão irreal.

"Se cada um soubesse da intimidade sexual do outro, ninguém cumprimentaria mais ninguém..."

"O pudor é a mais afrodisíaca das virtudes"

"Se um dia, a vida lhe der as costas... passe a mão na bunda dela."

"O sujeito vive roendo a própria solidão como uma rapadura"

"Só existem duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez, tenho dúvidas
quanto ao universo"

"Amar é ser fiel a quem nos trai".

"O casamento já é indissolúvel na véspera".

"A educação sexual só devia ser dada por um veterinário".

domingo, 21 de setembro de 2008

ÁCIDO DO NELSON - Do óbvio ululante ao buraco da fechadura















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A palavra cortante, a idéia brilhante.
A genialidade revolucionária de Nelson Rodrigues.
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Aqui neste espaço estaremos homenageando a uma das maiores inteligências do Brasil. Patrimônio da nossa dramaturgia e da nossa imprensa esportiva:
O Anjo pornográfico, Nelson Rodrigues!
No primeiro capítulo da série um resumo de seu conto ‘O escravo etíope’ do Livro "A Vida Como ela é” lançado em 2006
Pela Editora Agir. O texto completo desse conto e de outros 99
você se delicia nesse livro fantástico. Vamos a isso!

O escravo etíope

Saiu do colégio com 15 anos e

trouxe para o mundo a sua inocência maravilhada. Ninguém mais sensível e
exclamativa. De uma fragilidade física impressionante, qualquer esforço dava-lhe
palpitações. falta de ar; uma simples aragem a resfriava. O médico da família, que a
examinou várias vezes, repetia:
— Tem uma saúde muito delicada. É preciso cuidado, muito cuidado.
Havia na família, o medo ou o presságio de que viesse a sofrer do peito
como uma tia que morrera tísica. Filha de pais ricos, era tratada na palma da mão,
com os mimos de uma princesa. E justamente por ser tão fina e frágil, de uma
natureza tão delicada e suscetível, ninguém a contrariava. Aos 16 anos, teve o seu
primeiro namorado. Era um primo, ótimo rapaz, educadíssimo, simpático e mesmo
bonito, aristocrata nos modos, idéias e sentimentos. Ela se chamava Margô e
ele, Paulo. Pareciam feitos um para o outro. Para as duas famílias foi, como se
disse, "um achado". Não houve duas opiniões. Todos disseram: "Ótimo, ótimo."
E o pai, que tinha a religião do dinheiro e a idéia fixa da pompa, exigia, esfregando
as mãos:
— Quero um casamento de arromba! — e sublinhava: — Um casamento que
deixe todo mundo besta!

preparativos nupciais

Enfim, foi proclamado o noivado. O velho — que era de origem plebéia e
tivera de criar, tostão a tostão, a própria fortuna — queria um vestido de noiva
inédito e deslumbrante, que embasbacasse a cidade. Acirrava as mulheres, dando
murros na mesa: "Gastem sem dó nem piedade." Na sua mania, fazia cálculos
alucinados: "Um vestido de uns cem, duzentos contos." Tal desperdício arrepiava
as presentes. A própria noiva sentia-se desfalecer. Mas ele, desvairado, batia nos
próprios bolsos: "Gastem! Eu pago! Pago!"

(...)

Um batalhão de costureiras pôs-se a trabalhar, dia e noite, no vestido mágico.
Quando uma delas cansava, o velho vinha lá de dentro com a idéia do suborno. "Eu pago extraordinário! Dou gorjeta, o diabo!".
Vestido pronto, a cerimônia estava com data marcada.


Faltavam uns 15 dias para o casamento. E, à noite, depois do jantar, ela se queixou de palpitações. As pessoas próximas se entreolharam num pavor de pneumonia. Alguém sugeriu: "Vai ver que foi um golpe de ar!" Passou. Mas na hora de se despedir do noivo, Margô fez-lhe o pedido:
— Precisava de um favor teu.
Ele, sempre cavalheiresco, limitou-se a dizer:
— Dois.
Margô baixou a vista, fugindo do seu olhar intenso:
— Eu queria adiar o nosso casamento.

Justiça se lhe faça: ele foi impecável. Explicou que naturalmente estaria muito
interessado em que o casamento fosse o mais rápido possível. "Mas já que você
quer, meu anjo..." Um pouco vaga, Margô explicou que não se sentia bem, que
devia ter alguma coisa e, enfim, que andava nervosa, etc, etc. Paulo com sua polidez
irrepreensível afirmou: "Por mim não há dúvida." Quem se doeu com a transferência
foi o velho. Estava mais ansioso pelo casamento do que os noivos. Gemeu,
desabando numa cadeira:
— Que caso sério! Que caso sério!

Margô foi ao médico, que a examinou meticulosamente. Não achou, no seu
estado, a menor novidade. Continuava fisicamente delicada, mas não apresentava
nenhum sintoma que sugerisse doença.
A família do noivo estranhava:
— Que diabo! Vocês se casam ou não se casam?
Ele parecia abdicar dos próprios direitos:
— Quem decide é Margô.
Protesto geral:
— E você não pia? Ora veja! Não está certo, não está direito!
Sob a pressão dos parentes, foi conversar com a noiva:
— Meu anjo, precisamos marcar uma nova data.
Ela suspirou:
— Já? Vamos esperar mais um pouco.
Como ele insistisse, embora com um máximo de tato e delicadeza, Margô
acabou concordando. Houve um conselho de família, com a presença dos noivos,
fixou-se o casamento para daí a três meses. Todos se animaram de novo.
Houve a febre dos preparativos. Mãe, tias e amigas se reuniam planificando a festa.

A mãe, que era uma senhora fina, interrogou os noivos: "Como é? Vocês vão
viajar?"
Finalmente, deu para a filha e o futuro genro a sugestão:
— Se eu fosse vocês, sabem o que eu fazia? Uma viagem! — e já animada, já
excitada pela própria idéia, continuou: — Casamento sem viagem de núpcias é tão
sem graça! Vocês podiam ir à Europa, aos Estados Unidos!
O noivo pareceu impressionado; comentou, grave: "Boa idéia." Virou-se para
Margô: "Você não acha, Fulana?" Ela respondeu:
— Não. Acho pau. Gosto de ficar em casa.
Dois dias depois, pediu que se adiasse, de novo, o casamento. Houve assombro
na família. Crivaram-na de perguntas: "Mas adiar por quê? Qual o motivo?"
Ela, desesperada, procurou um motivo, como se estivesse disposta a inventá-lo;
disse, por fim: "Ando nervosa." (...)

Uma semana depois, a mãe foi sondá-la: "Você gosta mesmo do Paulo,
minha filha?" Disse que sim, que gostava, mas que...
Ainda uma vez, o noivo foi magnífico: concordou com o adiamento

a sogra
Quem não gostou foi a futura sogra. Chamou o filho. Instigou-o: "Essa menina
está fazendo você de gato e sapato. Isso não é papel! Onde é que nós estamos?"
Ele. que adorava a noiva, que a colocava acima de tudo e de todos, cortou o debate:
"Vamos mudar de assunto, sim, mamãe?" A velha, porém, era tremenda. Largou o
filho, com as seguintes palavras: "Está certo, não se fala mais nisso. Mas quero te
dizer uma coisa: aqui há dente de coelho."

Nesta mesma tarde, porém, recorreu a vários conhecidos, atrás de uma informação,
até que descobriu um detetive particular. Chamou o homem; perguntou:
— O senhor é discreto?
— Um túmulo!
— Ótimo. Eu preciso mesmo de um túmulo. Trata-se do seguinte...
Incumbiu o sujeito de acompanhar os passos de Margô; advertiu: "Pode ser
palpite meu, mas não custa apurar." O Fulano concordou, grave: "Evidente! Evidente!"
Deixou-o. com a super-recomendação: "Ninguém pode saber disso!" Quarenta
e oito horas depois, o detetive reaparecia, de olho esgazeado. Contou,
longamente, o que apurara. De vez em quando, interrompia o relatório para exprimir
seu estupor: "De arder! De arder!" Assombrada, a velha balbuciou: "Eu só
acredito vendo com os meus próprios olhos!" E o detetive: "Amanhã, eu mostro o
homem à senhora!"

o bem-amado
No dia seguinte, encontraram-se a velha e o detetive na porta de uma companhia
de ônibus. Súbito, o profissional indica: "Olha o homem!" Ela espiou. Lá vinha
ele, no meio de outros motoristas, um negro gigantesco. Segundo apurara o
detetive, ele saíra, no último carnaval, no rancho, de escravo etíope, com o dorso nu
e retinto. A velha, fora de si, gaguejava: "Quer dizer que é esse o namorado de
minha nora?" O detetive pigarreou:
— Isto é, mais do que namorado. Eu apurei tudo, direitinho. Tenho endereços,
o diabo. E posso provar.
Então, a velha cambaleou. Seu estômago se contraiu, sofreu, ali mesmo, uma
náusea violenta. Afastaram-se; ela pagou o preço que ele impôs e partiu num táxi.
Como era uma mulher viril, de muito gênio, preferiu ir, de uma vez, à casa da
menina. E, lá, fez um escândalo medonho. Quiseram expulsá-la; foi chamada de
louca. Ela, em desespero de causa, virou-se para a própria Margô que, sem uma
palavra, ouvia tudo:
— É verdade ou não é?
Todos se voltaram na direção da menina. Então, aquela mocinha frágil, fina,
que desfalecia ao aspirar um perfume mais intenso, ergueu o olhar firme, quase
cruel. Disse apenas, sem medo:
— É verdade.
A ex-futura sogra saiu dali feliz e vingada. Foi um escândalo pavoroso. O pai
veio, esbravejante. Falou em dar tiros. Ela o conteve com a ameaça: "Se fizer isso,
eu me mato!"
Ante a perspectiva do suicídio, a família capitulou. Tiraram o rapaz da companhia
de ônibus, arranjaram um emprego. E, um dia, casaram-se às escondidas. No
seguinte carnaval, quando o sogro passava, de Cadillac, pela Praça Onze, viu o
genro, num rancho — fantasiado de escravo etíope.

TÍTULO: A VIDA COMO ELA E
ISBN: 8522007276
IDIOMA: Português.
ENCADERNAÇÃO: Brochura Formato: 17 x 24 608 págs.
ANO DA OBRA/COPYRIGHT: 2006
ANO EDIÇÃO: 2006

PREÇO: em média R$ 70,00