Mostrando postagens com marcador MINHAS CRÔNICAS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MINHAS CRÔNICAS. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A PAIXÃO

Paulo César Gomes  


O talento de Alceu Valença disse numa belíssima canção que: “A solidão é fera, solidão devora”... Sem dúvida uma verdade. Mas a afirmação também encaixa perfeitamente quando a palavra é “paixão.  Esta, além de cegar e ferir (pois é mais do que é uma fera, é uma fera indomada), distorce, transforma, agride, calunia, dimensiona, produz mentiras, exageros, agressões.

A paixão é o estado febril que nos leva através da adrenalina, do êxtase de viver e dizer sem limites, a fazer aquilo que o coração manda e não o que o cérebro diria se fosse colocado em funcionamento.

É na paixão que se xinga, que vocifera, que se mata. São nos atos passionais que surgem os assassinatos, os arroubos e os mais variados atos de violência física e verbal.
O bicho homem, contraditoriamente está cada vez está mais próximo da fera irracional do que do sábio.  Usa - e prefere mais usar - a paixão do que a razão.  Na paixão  é levado, conduzido. No pensar, teria que levar suas atitudes carregando o “peso” dos argumentos, das teses, do ouvir e de  exercitar o contraditório, debater.

Quando apaixonado estamos por alguém ou por algo, é regra,  falar, não ouvir; impor, não considerar;  agredir em vez de compreender. A paixão  é pimenta que tempera verbos, que faz palavras virar flechas e que fomenta naturalmente o verbo atacar.  A paixão tem a mágica de carregar nas tintas aquilo que não é tão pesado, fazer sumir o que está claro, e incendiar idolatrias em amores absurdos e colocar ódios em figuras ou causas pelas quais não somos simpáticos, incendiando  amores distorcidos e produzindo ódios absurdos escolhendo vilões em visagens.

De todas as paixões, a que se mostra mais feroz e ridícula, é a clubística. O futebol tem essa magia do bem e do mal. A de criar um amor bonito, mas ao mesmo tempo monstruoso de amar o nosso clube de maneira incondicional - e irracional -  e de uma maneira maior ainda, odiar a quem elegemos como principal oponente e odiado rival.

Saber domar esta besta fera e cega  para  que não sejamos reproduções humanas de suas atitudes é um dos grandes desafios para aqueles que já foram tocados, por essa menina, bela e monstruosa chamada “paixão”.


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

ETERNAS ONDAS

POR PAULO GOMES





Fascinante, mágico, companheiro. Nessas três palavras estão a tradução fiel do mais simpático meio de comunicação: o rádio.

Fascinante, porque através dele podemos nos informar, nos divertir e interagir numa velocidade superior a que oferecem por exemplo a TV a os modernos e variados formatos da internet.


Mágico, porque através de suas ondas magnéticas, nos visita e nos acompanha em qualquer lugar seja qual for o meio de locomoção que esteja a nos servir. Mágico também, porque abre em nós a imaginação, a possibilidade de visualizar ao nosso modo, o ambiente ou cenário daquilo que está sendo transmitido apenas por palavras ou peças sonoras.


Companheiro, porque pela praticidade do seu formato pode ser facilmente instalado ou conduzido para qualquer ambiente. Pela sua natureza, é amigo de cabeceira de pessoas solitárias ou em momentos de solidão. Dizem, é a TV dos cegos, o namorado das solteironas, o amigo do peito de alegrias e mágoas do torcedor apaixonado pelo futebol.


Há controvérsias quanto a sua paternidade. Pode ser um italiano, o físico e inventor Guglielmo Marconi, como consta dos registros oficiais, mas há quem garanta que esse “filho fantástico”, nasceu em nossas terras brasucas, através do gênio do padre gaúcho Roberto Landel de Moura. Provas de lado a lado existem e fica pelo menos nesse jogo histórico o eterno empate em 1x1 de Brasil x Itália. Moura ou Marconi, não importa. O bom é que o rádio santo de cada dia, existe e sem ele a vida não seria a mesma...


Já imaginaram um jogo de futebol sem as empolgantes transmissões esportivas, onde o narrador é capaz soltar em pouco mais de 30 segundos, rajadas de metralhadora em formas de palavras em ritmo alucinante?... Ou ficarmos horas e horas parados nos intermináveis engarrafamentos, sem ouvir uma notícia sequer?... E como seriam as noites das românticas solteironas sem a voz melosa dos seus “príncipes locutores” que tanto povoam as imaginações, com suas vozes de “galãs canastrões”?...


Várias vezes foi anunciada a morte desse intrépido veículo: “Chegou a TV, adeus rádio!” - “Com a internet, já era!”


Ingenuidade meus caros tolos... A TV adquiriu o pique do rádio e continua se alimentando dele. Tanto assim, que profissionais que surgem e se tornam feras no rádio são “abduzidos” pelas emissoras de TV, que também absorvem os formatos de programas radiofônicos de jornalismo, esporte, os musicais, os programas de auditório, novelas. Tudo isso começou no rádio!


A internet hoje é apenas uma plataforma, uma nave-mãe, onde entre os seus compartimentos, está o rádio. Não existem mais barreiras de longitude que separe os ouvintes de suas emissoras preferidas. A banda larga encurtou a distância entre recepção e receptor.


Do casamento do Sr. Rádio com a Dona internet, já nasceu inclusive uma prodigiosa filha: a webrádio. As modernas emissoras transmitidas somente pela internet com suas programações segmentadas e livres de chatices obrigatórias como o horário eleitoral e “A Voz do Brasil”, por exemplo.


O rádio nunca acabará. Muito pelo contrário, tem a possibilidade real de tornar cada vez mais forte, pois sempre será um espaço natural para a criatividade, o divertimento e a comunicação direta, ampla e sagrada, tão necessária à vida humana.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Minhas Crônicas

CHECK-UP GERAL DA SITUAÇÃO

POR PAULO GOMES

O mundo sem idéias, é um universo vazio, um corpo sem alma.
A materialização de qualquer coisa só pode ser feita com a chegada antes, da idéia que tudo arquiteta. A construção passa pela idéia, no caso, o projeto, a planta, o desenho;
Na poesia, na crônica ou na música, na observação de um gesto, de um personagem, de uma paisagem, de um fato ocorrido ou no que chamam de inspiração, uma espécie de idéia sutil, divina espiritual.
Lamentavelmente o verbo pensar, virou ofensa. O verbo dizer, arma perigosa.  E a frase "eu acredito que"... atitude em extinção nessas épocas atuais . A sociedade de consumo em que vivemos fomenta  verbos e atitudes como : “possuir", "ter", "adquirir","comprar',"chegar","mostrar","comparar", “parecer”, "ver", "acessar", "ficar", “teclar", "conectar" e sobretudo, "competir”.  Coisas como: conversar, conviver, trocar, ouvir, solidarizar, ajudar, ler, namorar, criar, escrever, debater, conquistar, aderir, apoiar, criar, idealizar, estão fora do contexto ou da ordem do dia. Notem que  quase todos os verbos acima são todos células-formadoras das idéias. Parece ser verdade a piada que diz que quando um sujeito tenta muito pensar, passa a ter dor de cabeça, o crânio lateja, o neurônio pega fogo!
 Mas onde estão, a leitura, o ensinamento, o professor,  o conselho de que ter cultura é como ter um farol para guiá-lo nesse ''oceano" chamado "vida" ?
Onde está o Estado como provedor de uma política básica chamada EDUCAÇÃO ou de outra tão ou mais importante, chamada CULTURA, para fazer espalhar essa bela descoberta de que é bom - ou melhor -, é fundamental ter idéias ?
Onde estão os gestores das empresas para fomentar e valorizar o surgimento de quem tem boas idéias e aproveitá-las inclusive para o engrandecimento da própria engrenagem que possuem  e  das quais  são responsáveis?
Onde estão os verdadeiros e preparados pais, para regarem suas “plantinhas” chamadas "filhos", com a água da sabedoria, adubando-as com bons papos, boas idéias?
Tá complicado. Como pode se buscar água, se as fontes são ignoradas? 
Quem de fato conhece os grandes pensadores, os iluminados que espalharam “nesse mundo de meu Deus” desde sempre, as idéias básicas, para o motor funcionar?
O homem robotizado, o homocomputadoris, vem se diferenciando cada vez mais do homosapiens. Ele vem perdendo a capacidade de pensar e por conseqüência de agir, se posicionar, - e claro - de ter idéias e de cultivar outras coisas tão importantes como ter esse
lado criativo como a  emoção e a sensibilidade.
Também vem desaparecendo o respeito ao próximo e a auto-estima. Pois quem não tem idéias, sabe lá no fundo, que é um vazio, um ser desprovido, pobre e muito perdido nesses caminhos da vida.
"Ideologia, eu quero uma pra viver" (Cazuza).
"Somos como formigas.Que soltas, separadas, nada são. Mas juntas, formam um verdadeiro exército!" (Raul Seixas)

15.01.2005

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Minhas Crônicas


A VOLTA DE CRISTO


Paulo Gomes

DESENHO LEON DANON
ARTE: MARCIO GOMES


Desceu a escada rolante do Terminal da Lapa*1 e se assustou quando um fanático invocando o seu nome decretava o veredicto das pessoas que passavam :
- “Ele descerá dos céus com seus anjos e guardiões, que de trombetas apontarão os escolhidos e mandarão para o fogo do inferno aqueles que pecaram e não se arrependeram! E o cheiro de enxofre tomará conta da terra!”
Ficou pensativo e apesar do cansaço físico, continuou sua caminhada. Seu objetivo era chegar até a praia ou a algum lugar mais tranqüilo para poder descansar em paz. O dia tinha sido cansativo, estava tonto com o que vira. Nas bancas de revistas quase todas as manchetes eram em torno de um “possível final dos tempos”, profecia tirada do fundo do baú de um velho profeta que andava esquecido, mas que voltara à tona como celebridade, depois do “apadrinhamento fanático” de um francês muito famoso.
As outras manchetes falavam em coisas como “CPI do narcotráfico”, “aumento da violência nos finais de semana”, “prostituição infantil entrando como atração num cardápio para turistas nesse verão”, “a milionária festa de reveillon que celebrará a virada do milênio” e uma foto pequena mostrando crianças num lixão comendo um pedaço de urubu. Passando por um velho, que empurrava um carrinho de rolimã com garrafas de cafezinho e um rádio ligado bem alto, ainda pôde ouvir:
“informamos em edição extraordinária que acaba de ser lido no Vaticano uma nota em conjunto da Igreja Católica, do Governo dos Estados Unidos e da Nasa. O documento diz que está confirmada a volta de Jesus Cristo por esses dias aqui na terra! O dia primeiro de janeiro de 2000 foi o escolhido, não para “Ele” comandar o juízo final como se acreditou durante muito tempo, mas sim para nos visitar em missão de cordialidade para conhecer o atual mundo civilizado!"


A confirmação foi feita após serem reveladas as imagens do pouso de um objeto voador bastante luminoso no jardim da Casa Branca, que apareceu e sumiu da mesma maneira estranha. Desse “objeto” saiu uma luz muito clara que no céu escrevia a boa nova !” Diante das impressionantes imagens e da sua repercussão mundial, a Igreja através do seu comando no Vaticano, resolveu finalmente revelar o seu mais importante segredo, guardado há anos: o de que o Cristo voltará no primeiro dia do ano 2000!”


Desde então, o planeta foi tomado de uma compreensível expectativa e euforia, e partiu para uma série de preparativos.
os governos dos diversos países começaram a organizar um grande sorteio na sede da ONU nos moldes dos que são feitos para a Copa do Mundo de futebol, para se decidir quem teria a primazia de recepcionar o nosso “mais ilustre visitante de todos os tempos”. Mesmo antes do resultado, o Governo da Bahia confiando que esta sorte “teria que ser sua”, pois “todos os santos e o próprio Senhor, (na visão deles) já moram em Salvador mesmo - mais precisamente na Colina Sagrada do Bonfim-”, mandou em tempo recorde, colocar na nova Praça da Sé, uma réplica fiel da mesa onde ocorreu a última ceia, para fazer, segundo os publicitários Nizan Guanaes e Duda Mendonça (baianos da gema)contratados a peso de ouro, para “propagandear” o evento, “a primeira ceia, na primeira capital do Brasil e a Número 1 no coração do Senhor”, com o óbvio patrocínio da Brahma.


Ao invés dos 12 apóstolos, estariam ao lado de Jesus, “os 12 mais” representando a nossa gente:o Prefeito da cidade, o Governador do Estado, o Arcebispo, o Presidente da República, o Presidente do Tribunal de Justiça, um pastor da Igreja Universal, Bel do Chiclete com Banana (representando a classe artística), uma filha-de-santo do terreiro de Mãe Menininha do Gantois, o médium-fashion José Medrado2, o Senador e uma estátua do inesquecível filho do Senador. Pensou-se também em colocar um mendigo para que os descamisados e excluídos também estivessem representados, mas logo se lembrou que “isso era bobagem”... “melhor chamar o Acelino Popó que é o nosso orgulho atual e tá na mídia!” Foi a grita geral.


Na nova Santa Ceia, recheada de baianidade nagô, uma novidade obrigatória: não seria servido o vinho e o pão, mas sim a água de coco com acarajé. O que veio a causar uma tremenda confusão, pois contrataram a baiana Dinha3 para fritar o famoso quitute, o que gerou protestos de Cira4 e Regina5 que pediram uma licitação pública para concorrer ao feito. Como não daria tempo para se resolver à questão, a solução encontrada não foi salomônica e sim inovadora, “nenhuma das três, contrata a Dadá6 que também tem a cara da Bahia, é amiga de Luciano do Valle e é citada nos livros de Jorge Amado!” decidiu a cúpula governista e de marketing. Depois haveria uma “esticada” com o visitante, ao novo Pelourinho para uma saudação dos batuqueiros do Olodum.

O pessoal do carnaval também não perdera tempo. nessa época de vacas magérrimas para não dizer raquíticas da Axé Music, a galera do Asa7, justificando o nome, deu “uma de águia”... Rapidamente elaborou uma estratégia para ter a notável personalidade em cima do seu sensacional trio. Durval Lélis8 compôs em tempo recorde a música que nasceu pra ser o maior estrondo do carnaval, cuja letra explicitamente mostrava a satisfação de ter como “personagem símbolo, tema e gancho para as empreitadas do seu bloco”, a ilustre figura, criando o personagem Cristalino dizia a pérola :

“ Na dança do barbudinho, dança magro, dança gordinho /
A dança do JC, salva eu salva você...
Ele multiplicou os peixes e também dobrou os pães /
agora vai encher os nossos bolsos de tostões...
Na dança do barbudinho, dança magro, dança gordinho /
A dança do JC, salva eu, salva você...
Hoje ele é o mais querido e ganha fácil de Barrabás /
vai multiplicar á venda de CDs e de abadás...
(E gritando) “ caiu do céu meu Reeeeeeei” !!!!!


Naturalmente foi vetada pela gravadora que a achou “um pouco comercial demais”, e um desrespeito ao Galileu. Na sua consciência o Durvalino também ouviu algo que julgou ser a voz de Deus, com um timbre parecendo com o do Lombardi do Sílvio Santos que dizia: “Respeita o meu filho, moleque!” Teve medo...



A Rede Globo rapidamente preparava e esperava tê-lo, pois comprara os direitos de transmissão exclusiva, só não se sabe na mão de quem, - mas isso não importa, segundo o Dr.Roberto Marinho - num megaevento na praça da Apoteose, para um sensacional encontro com o Padre Marcelo Rossi.
A apresentação não se sabia ainda se seria do Galvão Bueno ou do Cid Moreira, fazendo uma locução igual a que fizera no CD com a leitura dos Salmos. Os países do Oriente Médio resolveram que interromperiam as guerras “em respeito ao nosso Salvador por... vinte e quatro horas!”


Como o mundial de clubes está marcado para começar no dia 5 de janeiro, a CBF planejava contactar com uma “possível assessoria do Senhor”, tentando a sua participação no jogo de estréia do torneio entre Corinthians e Raja Casablanca de Marrocos no Morumbi, para que ele chegasse de helicóptero e desse o "ponta-pé inicial" da partida. Só que antes da idéia ganhar corpo, o governador do Rio Anthony Garotinho e o dirigente vascaíno Eurico Miranda entraram com uma “liminar cautelar preventiva”, reivindicando esse direito para o jogo do Vasco no Maracanã.
defendendo uma tese muito simples: “Cristo é carioca por natureza, sempre morou no Rio, e de braços abertos!“ O impasse tava criado.


Marlene Mattos, planejou com sua comadre e comandada, um especial do “Xuxa Park” para uma participação especialíssima no quadro “Intimidades” para que ele finalmente “contasse direito aquela história com a Maria Madalena” ... E no “Transformação”, onde prometiam cortar o seu cabelo, aparar sua barba, jogar fora as sandálias e roupas longas, para deixá-lo “gatinho”, alá Thiago Lacerda ou Rodrigo Santoro.
- “Chega dessa aparência de Raul Seixas!” bradou Marlene.
“Vamos revolucionar o visual do JC!” finalizou.
Brasília preparava o encontro “FH não é J, mas também tem C!”.
- “ ‘C’ de corno ! de canalha !” gritou um manifestante da CUT (que por coincidência também tem “C” no nome ...
“Que idéia... se achar igual a Jesus! Esse “judas” não tem mesmo jeito”... completava o protesto. Para mostrar todo o seu talento, o presidente sociólogo e “multiglota”, ensaiou dar “as boas vindas” ao ilustre visitante, nas vinte e quatro línguas que fala, incluindo o javanês, orubá e o esperanto .
Se aproximando de um rapaz que também olhava as manchetes dos jornais numa banca, não conteve a curiosidade e perguntou :
- O que é “Programa do Ratinho?”
E o rapaz respondeu que se tratava de um programa de TV muito popular que estava prometendo para àqueles dias, “a presença do próprio Jesus em carne osso e espírito”, para uma entrevista ao vivo e para que ele apartasse e harmonizasse apenas com o poder de suas mãos à distância, as brigas de casais que lá, partem para a “por-ra-da!”...

Olhou para o lado e viu camelôs vendendo camisas de malha, chaveirinhos, bonés e aparelhos de telefone celular e CDs com um desenho de um rosto barbudo e a inscrição : “Deus é brasileiro e o filho também é nosso” ! Seu semblante ficou ainda mais sério, suspirou e olhando para o alto pediu :
- “Pai, aquela da cruz, eu lhe pedi, mas não deu, mas desta agora, por favor me livra” ...
Um menino faminto bateu na sua perna e pediu :
- Tio, me dá Um Real?...
Ele tirou do “bolso vazio” um pão cacetinho7 quente e deu ao guri e em seguida saiu caminhando sob as águas da Praia do Cristo da Barra9 até sumir no horizonte, onde seria Itaparica” .

Paulo Gomes de uma idéia de Déo Filho em 28/12/99




*1 Principal terminal de transbordo de Salvador
2 José Medrado é um dos médiuns mais conhecidos
e prestigiados da Bahia. Se destaca pelo jeito espalhafatoso
3 Dinha é a mais famosa Baiana do Acarajé da Bahia
4 Cira é a principal concorrente de Dinha
5 Regina é a “terceira via” do acarajé baiano
6 Dadá é a mais famosa cozinheira, dona do Restaurante
“Sorriso da Dada” presente em várias capitais brasileiras
7 Asa, forma como o povo e a mídia baiana mais se refere ao
Conjunto Asa de Águia, cujo vocalista e líder é ...
8 ... Durval Lélys, cantor que a cada ano incorpora um personagem
diferente, geralmente para ilustrar a música nova que lança perto do carnaval
9 A Praia do Cristo da Barra é uma das mais bonitas de Salvador. Em uma
elevação (pequeno morro) fica um estátua de Cristo apontando para a
Baía-de-Todos-os-Santos

terça-feira, 30 de junho de 2009

Do meu Báu de Lembranças...




AMOR AO FUTEBOL
ALÉM MAR

Paulo Gomes

Em dezembro de 1993 recebi uma proposta de trabalho para atuar em uma emissora de Portugal, a Rádio Miramar de Lisboa. Em dezembro daquele ano, no dia 29, embarquei para a terrinha dos nossos patrícios. Apesar da bela acolhida e receptividade e do excelente desafio, passei o reveillon mais triste da minha vida.

Rapidamente me adaptei ao país, aos costumes e fiz novos e grandes amigos. Não conseguindo ser indiferente ao esporte local, escolhi um time na nova cidade, que, diga-se de passagem, respira futebol. Incrível a paixão deles. Benfica, Sporting e Porto são verdadeiras religiões dos portugueses.

Escolhi o verde do Sporting por várias razões. Nunca torci pelos clubes de maiores torcidas. O Benfica lá corresponde ao Flamengo, ao Bahia. Apesar de ter tido há pouco tempo antes da minha chegada, o grande zagueiro Ricardo Gomes, uma das crias do meu Fluminense, e claro, um dos meus ídolos.

O Sporting tem como símbolo o Leão, o mesmo do Vitória. Uma
história dedicada aos esportes olímpicos - assim como o Flu - e tinha na época um belo time, onde despontava o jovem Luis Figo.

Mas apesar da nova paixão local - o Leão de Alvalade - eu não conseguia esquecer os verdadeiros amores. Dia de Ba-Vi ou Fla-Flu então, era sofrimento à distância. Não tínhamos ainda o luxo de hoje da Santa Internet e da fartura dos canais a cabo, que passam literalmente tudo 'de cabo a rabo'.

Os jornais O Globo, Folha de S.Paulo e Estadão só chegavam com dois dias de atraso. As revistas semanais, ISTOÉ e VEJA, com uma semana de defasagem.
Os gols do Brasil via TV - somente aos domingos na hora do almoço mas também com uma semana de defasagem. Eram exibidos na TVI, emissora da Igreja Católica e segundo canal de TV comercial surgido em Portugal. Quem apresentava os gols que eles chamavam de "Brasileirão", era o carioca e vascaíno
José Roberto Tedesco que trabalhou na TV Bandeirantes Rio nos anos 80 ao lado de Galvão Bueno, Paulo Stein e Márcio Guedes, época do programa "Bola na Mesa".

O Tedesco - gente finíssima inclusive - foi um dos nossos convidados a comer uma bela feijoada brasileira no apartamento pago pela emissora em que eu eu morava e dividia com outros colegas brazucas da rádio. Um almoço inesquecível de confraternização que só nós brasileiros sabemos fazer...


- A saga da saudade do país do futebol -
Em dias de Ba-Vi ou Fla-Flu, eu endoidava! Como um louco, esperava dar sete da noite (horário daqui), mais de meia noite (horário de lá), para enfrentar o frio que cortava lábios e tinha trilha sonora de filme de terror da noite lisboeta para ir a um orelhão ligar aqui para casa em Salvador para saber de meu irmão caçula Márcio, o resultados dos jogos...

- E aí, quanto foi o jogo?... - E ele:

- O Vitória arrebentou! 4x0! Vampêta fez três!
E eu: - Meu Deus, agora que eu vim embora, é que esses times resolvem arrebentar?!!! Eu tenho que voltar!!!
Outra cena que ficou para sempre na minha memória: Terça-feira sete da manhã, eu lendo as manchetes do programa que apresentava, o ALERTA GERAL:

- "E agora o Esporte"!!! "No futebooool brasileirooooooo"... (era a senha para que todos os brasileiros da rádio largassem o que estavam fazendo para invadir o estúdio esbaforidos para saber o resultado do clássico carioca da rodada, com dois dias de defasagem, mas notícia fresquinha pra nos lá,que chegava no Jornal O GLOBO que eu mesmo comprava) E eu :

-"O FLUMINENSE ARRASOU O FLAMENGO, 3X1!!! SHOW DO SUPER ÉZIO, O ARTILHEIRO TRICOLOR"!!!

E o operador Roger, o 'Gaúcho', rubro-negro roxo, me olhando com cara de choro. Ele que tinha uma "feição mix" de 'Pixote', o menino do famoso filme de Hector Babenco com um bicho preguiça e as olheiras de um guaxinim.
Desespero também dos meus chefes flamenguistas, o diretor Jorge Guimarães e o coordenador Airton Rebello ex-narrador da Globo, Nacional e Tupi do Rio.

Alegria do tricolor Manolo Martins, grande repórter também que foi da Tupi Rio. Lá também trabalhava o vascaíno Antonio Carlos Duarte, hoje integrando o time de esportes da Globo Rio, comandado pelo Garotinho José Carlos Araújo.
Como posso me esquecer das lágrimas que vieram a meus olhos quando recebi uma carta da família e dentro dela, um desenho de meu sobrinho Maurílio, então com quatro anos de idade.
A figura era a de um goleiro com braços imensos que mais parecia os do Homem Borracha do 'Quarteto Fantástico' e a frase escrita com letras tortas e invertidas de criança que soou como manchete para um leitor sedento de notícias: "PAULO, O GOLEIRO DIDA FOI PRO CRUZEIRO!"
Claro, que o choro foi pela saudade e pela atitude do meu sobrinho e não pela inevitável venda do jovem e talentoso goleiro rubro-negro.

Quantas vezes peguei o trem no finalzinho da tarde em Paço D'arcos com destino a Cascais para comprar os jornais brasileiros no Cascais Shopping, na busca louca e fanática pelos resultados dos campeonatos carioca e baiano...

Que exílio! Que dureza ficar longe dos nossos times e do nosso país... Se fosse hoje em dia com a magia da internet, essa macumba dos deuses cibernéticos, a coisa seria fácil demais... Mas será que seriam produzidas situações que resultam hoje nessas doces e gostosas recordações?...

Só mesmo a paixão pelo futebol para fazer coisas assim, que enriquecem o meu baú de lembranças...

domingo, 26 de abril de 2009

Minhas Crônicas


AS DÍVIDAS DE LULA

Paulo Gomes
O que esperar de um Partido e de uma liderança que por mais de vinte anos lutaram para chegar ao poder levantando bandeiras como a justiça social e o desenvolvimento com distribuição de renda e de oportunidades, a prática da ética na política, a limpeza e modernização das leis e do sistema judiciário, a preservação dos nossos recursos naturais -notadamente a Amazônia–, a democratização dos meios de comunicação e sobretudo a implantação de uma nova ordem econômica menos predadora por parte dos banqueiros vorazes e do grande capital?...

Certamente dirá o amigo leitor: “que ao chegar ao poder, essa liderança e esse partido tivessem pelo menos, a obrigação
de lutar de todas as maneiras para colocar essas justas metas em prática, transformando em realidade o que tanto foi sonhado com o tempero da luta, da dor, da resistência e do sacrifício”.

E como não botar fé, visto que o personagem em questão é um sobrevivente e vitorioso ao mundo da pobreza e dos excluídos, que sofreu na pele as agruras de uma pátria madrasta para com seus filhos?
E que o seu Partido foi uma das mais belas expressões da organização coletiva da classe trabalhadora. Como não ter esperanças?...

Ainda mais depois de tantos anos de iniqüidades praticadas por governantes elitistas e descompromissados com o bem comum. Havia - e há - muita justiça por se
fazer.

O atual presidente da República, depois de quatro tentativas chegou lá. Emplacou logo bi-vitória em mandato e reeleição. E estranhamente vem se comportando de maneira igual ao modelo que tanto combateu. Um modelo covarde que obedece e aceita as mesmas regras do jogo que só beneficiam aos mesmo que sempre ganharam.
O estilo de governar não tem nada que lembre à ética na política, pelo contrário.
O sistema do “toma lá da cá”, a famigerada troca de favores indecente e promíscua que resultou em escândalos como o do mensalão e do caixa dois das campanhas eleitorais, envergonha a quem acreditou, votou e até lutou para que o atual Presidente da República chegasse ao poder maior.

Quando sua primeira atitude na área
econômica foi nomear um ex-serviçal do sistema econômico norte-americano para o cargo de Presidente do Banco Central, estava dado o recado de que tudo estaria como antes, ou até pior.
Taxas de juros absurdas, lucros gigantescos dos bancos, nada de distribuição séria de renda, concentração de dinheiro e riqueza.
Abismo absurdo entre desfavorecidos e super abastados.
O modelo tão feroz de manutenção da política econômica que não desenvolve o país, chegou a receber críticas de pessoas até – pasmem – como Delfin Netto e José Alencar, vice-presidente da República e grande empresário do setor têxtil. A desculpa é a Bolsa-Família ou Vale-Voto. Que ajuda a matar a fome, mas que imobiliza e condena o beneficiado a viver apenas com essa melhora, e “achando bom”, como se dizia antigamente.
Em verdade uma bolsa-esmola tão eleitoreira como as cestas básicas assistencialistas de outrora.
É pouco, muito pouco. Num país de potencial agrário inigualável, de potencial produtivo espantoso, chega a ser ridículo e perverso.

Quanto à Justiça continua igualzinha. Impunidade. A palavra resume o nosso país. Crimes de toda ordem são praticados e punição a seus protagonistas continua sem existir gerando a violência urbana sem precedentes e os assaltos praticados com requinte de crueldade aos cofres públicos, com direito a cartilha e manual alá Cacciola e Maluf servindo de modelo.
A cada ano um pedaço semelhante ao território do Estado de Alagoas é devastado da nossa Floresta amazônica. O governo impotente ou conivente assiste a tudo.
Os meios de comunicação contaminados, comprometidos adquiridos pelo poder do dinheiro que transborda dos esquemas religiosos e políticos não informam, não entretém, não promovem à cultura e nem tampouco educam. Apenas ajudam no processo da lavagem cerebral em massa.
O que mudou?..
José Sarney tornou-se o oráculo do presidente e o PMDB, não o MDB do velho Ulysses e do resistente e combativo Pedro Simon, virou o parceiro para todas horas e paradas e o fiel da balança.
As dívidas do Senhor Luis Inácio, aumentam a cada dia.
De um bigode maranhense a uma barba metalúrgica as dívidas com o nosso país só acumularamm. Erros terríveis e imperdoáveis para quem chegou com a obrigação dada pelo povo e pelo destino de resgatar aquilo que sempre foi negado ao nosso Brasil.
O senhor Lula está adquirindo pesadas dívidas junto ao povo pelo que não vem fazendo e pelo que deixou de fazer de bom e pelo que fez e continua fazendo de errado.
Sim, pesadíssimas dívidas para quem sempre encarnou e materializou as esperanças de muita gente sofrida, que esperava por dias de maior dignidade num país destroçado e dilacerado por tantos e tantos governos incompetentes e cúmplices de um esquema perverso, injusto e sujo.
É algo muito sério. um erro muito grave para quem tinha e tem na mão o poder de realizar mudanças importantes, no mínimo na postura e no jeito de governar.
Só para lembrar, que quem deve um dia é cobrado.
A história é implacável, pois mostra a verdade dos atos e dos fatos.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Meus ídolos do futebol - Castilho




O MAIOR GOLEIRO DO BRASIL
DE TODOS OS TEMPOS!


Há 22 anos, Castilho pulava do sétimo andar


Há exatos 22 anos, no dia 2 de fevereiro de 1987, o maior goleiro da história do futebol carioca e um dos maiores do Brasil se suicidou. Castilho, eterno camisa 1 do Fluminense, se jogou do sétimo andar do apartamento da ex-mulher, Vilma, em Bonsucesso.

Até hoje, a morte é cercada de muito mistério já que ninguém sabe ao certo o motivo que levou Castilho a tomar tal atitude. Na época, Castilho era técnico da seleção da Arábia Saudita e, em janeiro, sentiu fortes dores de cabeça, sendo submetido a alguns exames que nunca tiveram o resultado publicamente revelado. Para algumas pessoas próximas, Castilho teria na época o que hoje é chamado de transtorno bipolar, segundo a biografia do goleiro 'Castilho Eternizado', de Antônio Carlos Teixeira Rocha. A obra levanta duas suspeitas como causas da morte.

"O laudo (médico) poderia ter acusado alguma enfermidade grave, um tumor irremovível ou mesmo o desenvolvimento de um aneurisma pronto a explodir", diz um trecho do livro, que aborda outra possibilidade. "Outra hipótese seria o rompimento inesperado do relacionamento do casal (ele vivia com a segunda mulher, Evelyna, que se recusou dias antes a ir com Castilho para Riad, na Arábia Saudita).

A separação brusca poderia ser a causa do transtorno mental, levando o goleiro a distúrbios emocionais". Uma parte triste da vida do goleiro, que tem no currículo nada menos do que quatro Copas do Mundo (1950, 1954, 1958, 1962), sendo uma - 1954 - como titular. Pela seleção ganhou ainda a Taça Oswaldo Cruz (1950, 1962), o Pan-Americano (1952) e a Taça Bernardo O'Higgins (1955). Pelo Fluminense, foi tricampeão carioca, bicampeão do Torneio Rio-São Paulo e vencedor da Copa Rio - o Mundial de Clubes da época. É o atleta com mais jogos pelo clube: 699. Saudades...

OBS: Antes do Estadual, o site do GLOBO elegeu a seleção histórica do Campeonato Carioca ouvindo vários jornalistas de vários veículos e várias idades. Castilho foi o goleiro escolhido.
oglobo.globo.com - 2/2/2009

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Crônica




MENSAGEM DE NATAL

MUDANÇA


Paulo Gomes
É tempo de mudança! Cada vez mais sentimos isso nos semblantes, nas falas, nos sonhos, nos desejos das pessoas. Temos um planeta tão bonito e a vida como uma oportunidade de crescimento, presentes maravilhosos de DEUS, que infelizmente não são valorizados pela humanidade.

O nosso irmão maior, ou o maior dos filhos de DEUS, veio estar entre nós, passando a mensagem de que “precisamos cultivar e praticar o AMOR para sermos felizes”. Ele nasceu entre nós, apesar de sua pureza, de sua grandiosidade, de sua LUZ. Nasceu do modo mais humilde, em uma família pobre, porém honrada e honesta. Todo ano nos lembramos disso. Festejamos o NATAL, pensamos um pouco nele, desarmamos temporariamente nossos espíritos. Pelo menos por algumas horas nos confraternizamos, nos harmonizamos, quando nada, com os nossos familiares mais próximos e com os amigos mais queridos.

Mas passada a festa, a data, tudo volta infelizmente ao “normal”. E esse “normal” é formado de coisas como: angústias, atos egoístas, isolamentos, frustrações, impaciência, medos, intolerância, pessimismo, agressividade, ganância, provocações, preconceitos, acomodação, ciúmes, preguiça, vinganças.... Chegou o tempo de pensarmos que Natal é o ano todo, a vida toda. Que precisamos dar dimensão e importância a coisas consideradas pequenas, simples e diminuirmos a que equivocadamente são tidas como as mais importantes. É preciso valorizar o sorriso, a família, os amigos, uma caminhada na praia, um bom papo, a sabedoria dos idosos, o nosso trabalho e capacidade de trabalhar, o canto e o vôo dos pássaros, a simplicidade das crianças, a nossa saúde perfeita, o lar que nos abriga, uma saudação simples como “muito obrigado” e “como vai você ?”, o colorido das flores, o ensinamento aprendido em um livro ou numa aula do professor, a luz do Sol, um abraço de mãe, um beijo de pai, um conselho de irmão, o dormir e acordar em paz, o pão seja ele qual for, na mesa de refeição.

É fundamental exercitar o perdão, cultivar os sonhos, renovar ás esperanças, praticar a caridade não só a material, mas principalmente a espiritual, orando até pelos que não nos são tão simpáticos e ter a fé como combustível pra enfrentar o novo dia. Ah... é preciso sorrir, ter alegria. Isso rejuvenesce a alma, faz bem a saúde. Por falar nela, é importante cuidar do corpo, essa máquina fantástica que Deus nos deu. Não o contamine comendo coisas que não fazem bem, nem se “enferrujando” no ócio e na preguiça e nem lendo, ouvindo e vendo coisas que não acrescentam nada de positivo. É preciso cuidar bem da mente. Corra, ande, nade, caminhe e coma alimentos saudáveis. Ore, medite e pense e deseje coisas agradáveis, legais, construtivas.

É preciso rever, repensar tudo isso. Driblar e eliminar os problemas e valorizar e exercitar as coisas boas, que nos levam a uma vida PLENA e FELIZ! Isso é valorizar a benção maior que Deus nos deu: A NOSSA VIDA! A mágica de estarmos vivos e de existirmos! É preciso mais que nunca, manter o espírito natalino sempre. É fundamental lembrarmos o tempo todo do aniversariante e não apenas no NATAL como festa do seu aniversário. O presente que ele quer ganhar com certeza, é a sua MUDANÇA e CRESCIMENTO. CHEGOU A HORA DE MUDAR PRA SER FELIZ!

15.11.04

sábado, 29 de novembro de 2008

Minhas Crônicas





BATENDO UM BOLÃO com PAULO GOMES

SÍMBOLOS DO FUTEBOL,
CARAS DOS SEUS CLUBES


Que maravilha o tempo em que jogadores eram símbolos dos clubes que atuavam, ou melhor, amavam. Falava-se de um time, associava-se à imagem, ao rosto do seu ídolo: Fluminense: Castilho ou Pinheiro ou Telê ou Edinho; Santos: Zito,Pepe,Pelé, Clodoaldo; Palmeiras: Dudu, Ademir da Guia, Luis Pereira; Flamengo: Zico; Vasco : Roberto Dinamite; Cruzeiro: Piazza, Tostão; Internacional: Falcão, Figueroa; Bahia: Baiaco; Vitória: Romenil; Galo: Reinaldo.
O Botafogo tem dois símbolos: Garrincha e Nilton Santos. Mané, pela genialidade, o segundo maior jogador brasileiro de todos os tempos. Tradução de talento, arte, magia, encanto, alegria, alegria do povo.
O outro, o Nilton, a “Enciclopédia”, também pela arte, pelo talento, mas, sobretudo, pela irretocável postura e conduta de um atleta, de um cidadão, totalmente dedicado, apaixonado pelo clube que honrou. Correção, humildade, sabedoria, tudo isso marcou a passagem brilhante de Nilton Santos pelo glorioso. Vestiu apenas três camisas – extensões de sua pele - a do alvinegro e as das seleções carioca e brasileira. Um referencial para os colegas. Conselheiro, amigo verdadeiro. Compadre de Garrincha, que o livrou de tantas armadilhas, menos perigosas é certo do que aquela que infelizmente, Mané não conseguiu driblar, a do alcoolismo que o levou à derrota final no jogo da vida.
Um exemplo de simpatia e humildade, qualidades inerentes aos verdadeiros gênios. Nilton foi ontem o craque que todos os torcedores desejavam ter nos seus times. Sempre foi e continua sendo, o pai, o tio, o irmão, o chefe de família, o avó, o amigo que todos gostaríamos de ter nas nossas famílias e nos convívios de amizade.
Conta-se histórias fantásticas a seu respeito. Histórias de provocações psicológicas inteligentíssimas que fustigavam Garrincha, estimulando-o a jogar ainda mais do que sabia:
- Mané, aquele lateral da Suécia, disse que não pode perder o duelo para um atacante que só tem um drible que é sempre pro mesmo lado... Disse na véspera da final da copa de 58, fustigando um ódio do ingênuo Garrincha sobre um coitado lateral sueco, mais um “João” na lista de Mané. Sabia como ninguém como mexer com os brios do amigo e gênio.
Nilton Santos é glória desse nosso futebol. Como Castilho, Gilmar, Djalma Santos, Didi, Domingos da Guia, Gérson, Zizinho, Mané, Pelé, Leônidas...

Querido Nilton, mesmo sem ser botafoguense, lhe digo que se um dia eu puder fazer um pedido esportivo-metafísico a Deus, com certeza, pedirei que me coloque numa espécie de túnel do tempo, para que eu possa acompanhar uma partida do seu Botafogo, contigo em campo ao lado de Didi, de Quarentinha, de Garrincha, seja no Maracanã ou em General Severiano. Feliz estarei batendo palmas e vendo você e seus companheiros tratarem a bola com maestria, elegância, com realeza.
Se a bola não existisse, o futebol não existiria. Mas se Nilton Santos não existisse o glorioso Botafogo e a magnífica arte brasileira de jogar futebol, não seriam o que são. Obrigado, Mestre, por tudo e parabéns pelos 80 anos de glória!”

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Especial


VIRÁ, QUE EU VI...
POR PAULO GOMES ARTE AUGUSTO SOUZAViajamos e avançamos no tempo. O futuro chegou "numa velocidade estonteante, na luz do objeto, da estrela brilhante", como descreveu um dia o poeta na sua visão premonitoriamente cósmica.
O homo sapiens evoluiu. Se sua denominação passasse a ser homo tecnologys ou homo technics seria perfeitamente compreensível. Na Era da velocidade da informação e da praticidade oferecida pelos milhões de equipamentos eletro-eletrônicos ao alcance de todos, observamos o ser humano cada vez mais parecido com máquinas, como se fôssemos um prolongamento ou extensão delas.


A foto acima remete a esta imagem e a essa definição: o nosso envolvimento cada vez maior com os aparelhos que nos auxiliam e facilitam quase tudo. É a exacerbação da comunicação, da mensagem, da instantaneidade. Da vida na mais nova definição: on line - dos homens-pressa em busca de downloads, conexões, de acessos, anexos, torpedos. Enfim de uma vida robótica deliciosamente mecânica e estranhamente cada vez, menos humana.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Minhas Crônicas



A VOLTA DE CRISTO

Paulo Gomes


Desceu a escada rolante do Terminal de ônibus da Lapa* e se assustou quando um fanático invocando o seu nome decretava o veredicto das pessoas que passavam” :
- Ele descerá dos céus com seus anjos e guardiões, que de trombetas apontarão os escolhidos e mandarão para o fogo do inferno àqueles que pecaram e não se arrependeram! E o cheiro de enxofre tomará conta da terra!
Ficou pensativo e apesar do cansaço físico, continuou sua caminhada. Seu objetivo era chegar até a praia ou a algum lugar mais tranqüilo para poder descansar em paz. O dia tinha sido cansativo, estava tonto com o que vira. Nas bancas de revistas quase todas as manchetes, eram torno de um “possível final dos tempos”, profecia tirada do fundo do baú de um velho profeta que andava esquecido, mas que voltara à tona como celebridade, depois do “apadrinhamento fanático” de um estilista francês muito famoso.


As outras manchetes falavam em coisas como CPI do narcotráfico, aumento da violência nos finais de semana, prostituição infantil entrando como atração num cardápio para turistas nesse verão, a milionária festa de reveillon que celebrará a virada do milênio e uma foto pequena mostrando crianças num lixão comendo um pedaço de urubu. Passando por um velho, que empurrava um carrinho de rolimã com garrafas de cafezinho e um rádio ligado bem alto, ainda pôde ouvir :

informamos em edição extraordinária que acaba de ser lido no Vaticano uma nota em conjunto da Igreja Católica, da ONU e da NASA. O documento diz que está confirmada a volta de Jesus Cristo por esses dias aqui na terra ! O dia primeiro de janeiro de 2000 foi o escolhido, não para “Ele” comandar o juízo final como se acreditou durante muito tempo, mas sim para nos visitar em missão de cordialidade para conhecer o atual mundo civilizado ! A confirmação foi feita após serem reveladas as imagens do pouso de um objeto voador bastante luminoso no jardim da Casa Branca, que apareceu e sumiu da mesma maneira estranha. Desse “objeto” saiu uma luz muito clara que no céu escrevia a boa nova !” Diante das impressionantes imagens e da sua repercussão mundial, a Igreja através do seu comando no Vaticano, resolveu finalmente revelar o seu mais importante segredo, guardado a anos: o de que o Cristo voltará no primeiro dia do ano 2000!



Desde então, o planeta foi tomado de uma compreensível expectativa e euforia, e partiu para uma série de preparativos.
os governos dos diversos países começaram a organizar um grande sorteio na sede da ONU nos moldes dos que são feitos para a Copa do Mundo de futebol, para se decidir quem teria a primazia de recepcionar o nosso “mais ilustre visitante de todos os tempos”. Mesmo antes do resultado, o Governo da Bahia confiando que esta sorte “teria que ser sua”, pois “todos os santos e o próprio Senhor, (na visão deles) já moram em Salvador mesmo - mais precisamente na Colina Sagrada do Bonfim-”, mandou em tempo recorde, colocar na nova Praça da Sé, uma réplica fiel da mesa onde ocorreu a última ceia, para fazer, segundo os publicitários Nizan Guanaes e Duda Mendonça (baianos da gema) e contratados a peso de ouro, para “propagandear” o evento, “a primeira ceia, na primeira capital do Brasil e a número 1 no coração do Senhor”, com o óbvio patrocínio da Brahma. Ao invés dos 12 apóstolos, estariam ao lado de Jesus, “os 12 mais” representando a nossa gente :
o Prefeito da cidade, o Governador do Estado, o Arcebispo, o Presidente da República, o Presidente do Tribunal de Justiça, um pastor da Igreja Universal, Bel do Chiclete com Banana
(representando a classe artística), uma filha-de-santo do terreiro de Mãe Menininha do Gantois, o médium-fashion José Medrado
2, o Senador e uma estátua do inesquecível filho do Senador. Pensou-se também em colocar um mendigo para que os descamisados e excluídos também estivessem representados, mas logo se lembrou que “isso era bobagem”... “melhor chamar o Acelino Popó que é o nosso orgulho atual e tá na mídia!” Foi a grita geral.
Na nova Santa Ceia, recheada de baianidade nagô, uma novidade obrigatória : não seria servido o vinho e o pão, mas sim a água de coco com acarajé. O que veio a causar uma tremenda confusão pois contrataram a baiana Dinha3 para fritar o famoso quitute, o que gerou protestos de Cira4 e Regina5 que pediram uma licitação pública para concorrer ao feito. Como não daria tempo para se resolver a questão, a solução encontrada não foi salomônica e sim inovadora, “nenhuma das três, contrata a Dadá6 que também tem a cara da Bahia, é amiga de Luciano do Valle e é citada nos livros de Jorge Amado” ! decidiu a cúpula governista e de marketing. Depois haveria uma “esticada” com o visitante, ao novo Pelourinho para uma saudação dos batuqueiros do Olodum .
O pessoal do carnaval também não perdera tempo. nessa época de vacas magérrimas para não dizer raquíticas da Axé Music, a galera do Asa7, justificando o nome, deu “uma de águia”... Rapidamente elaborou uma estratégia para ter a notável personalidade em cima do seu sensacional trio. Durval Lélis8 compôs em tempo recorde a música que nasceu pra ser o maior estrondo do carnaval, cuja letra explicitamente mostrava a satisfação de ter como “personagem símbolo, tema e gancho para as empreitadas do seu bloco”, a ilustre figura, dizia a pérola :
“ Na dança do barbudinho, dança magro, dança gordinho /
A dança do JC, salva eu salva você ...
Ele multiplicou os peixes e também dobrou os pães /
agora vai encher os nossos bolsos de tostões ...
Na dança do barbudinho, dança magro, dança gordinho /
A dança do JC, salva eu, salva você ...
Hoje ele é o mais querido e ganha fácil de Barrabás /
vai multiplicar á venda de CDs e de abadás ...
(E gritando) “ caiu do céu meu Reeeeeeei” !!!!!


Naturalmente foi vetada pela gravadora que a achou “um pouco comercial demais”, e um desrespeito ao Galileu. Na sua consciência o Durvalino também ouviu algo que julgou ser a voz de Deus, com um timbre parecendo com o do Lombardi do Sílvio Santos que dizia :
“Respeita o meu filho! Moleque!” Teve medo ...
A Rede Globo rapidamente preparava e esperava tê-lo - pois comprara os direitos de transmissão exclusiva, não se sabe na mão de quem, mas isso não importa, segundo o Dr.Roberto Marinho - num megaevento na praça da Apoteose, para um sensacional encontro com o Padre Marcelo Rossi. A apresentação não se sabia ainda se seria do Galvão Bueno ou do Cid Moreira, fazendo uma locução igual a que fizera no CD com a leitura dos Salmos. Os países do Oriente Médio resolveram que interromperiam as guerras “em respeito ao nosso Salvador por... vinte e quatro horas!”

Como o mundial de clubes está marcado para começar no dia 5 de janeiro, a CBF planejava contactar com uma “possível assessoria do Senhor”, tentando a sua participação no jogo de estréia do torneio entre Corinthians e Raja Casablanca de Marrocos no Morumbi, para que ele chegasse de helicóptero e desse o “ponta pé” inicial da partida. Só que antes da idéia ganhar corpo, o governador do Rio Anthony Garotinho e o dirigente vascaíno Eurico Miranda entraram com uma “liminar cautelar preventiva”, reivindicando esse direito para o jogo do Vasco no Maracanã defendendo uma tese muito simples : “Cristo é carioca por natureza, sempre morou no Rio, e de braços abertos!“ O impasse tava criado. Marlene Mattos, planejou com sua comadre e comandada, um especial do “Xuxa Park” para uma participação especialíssima no quadro “Intimidades” para que ele finalmente “contasse direito aquela história com a Maria Madalena” ... E no “Transformação”, onde prometiam cortar o seu cabelo, aparar sua barba, jogar fora as sandálias e roupas longas, para deixá-lo “gatinho”, alá Thiago Lacerda ou Rodrigo Santoro.
- Chega dessa aparência de Raul Seixas! Bradou Marlene.
Vamos revolucionar o visual do JC! Finalizou .
Brasília preparava o encontro “FH não é J, mas também tem C!”
- Cê de corno! De canalha! Gritou um manifestante da CUT (que por coincidência também tem “C” no nome ...
- Msa que idéia... se achar igual a Jesus ! Esse “judas” não tem mesmo jeito”... completava o protesto. Para mostrar todo o seu talento, o presidente sociólogo e “multiglota”, ensaiou dar “as boas vindas” ao ilustre visitante, nas vinte e quatro línguas que fala, incluindo o javanês, orubá e o esperanto .
Se aproximando de um rapaz que também olhava as manchetes dos jornais numa banca, não conteve a curiosidade e perguntou :
- O que é Programa do Ratinho?...
o rapaz respondeu que se tratava de um programa de TV muito popular que estava prometendo para àqueles dias, “a presença do próprio Jesus em carne osso e espírito”, para uma entrevista ao vivo e para que ele apartasse e harmonizasse apenas com o poder de suas mãos à distância, as brigas de casais que lá, partem para a “por-ra-da” ! ...

Olhou para o lado e viu camelôs vendendo camisas de malha, chaveirinhos, bonés e aparelhos de telefone celular com um desenho de um rosto barbudo e a inscrição : “Deus é brasileiro e o filho também é nosso” ! Seu semblante ficou ainda mais sério, suspirou e olhando para o alto pediu :
- Pai, aquela da cruz, eu lhe pedi, mas não deu, mas desta agora, por favor me livra ...
Um menino faminto bateu na
sua perna e pediu :
- Tio, me dá Um Real ?...

Ele tirou do “bolso vazio” um pão cacetinho quente e deu ao guri e em seguida saiu caminhando sob as águas da Praia do Cristo da Barra9 até sumir no horizonte, onde seria Itaparica” .

Paulo Gomes de uma idéia de Déo Filho em 28/12/99



* Principal terminal de transbordo de Salvador
2 José Medrado é um dos médiuns mais conhecidos
e prestigiados da Bahia. Se destaca pelo jeito espalhafatoso
3 Dinha é a mais famosa Baiana do Acarajé da Bahia
4 Cira é a principal concorrente de Dinha
5 Regina é a “terceira via” do acarajé baiano
6 Dadá é a mais famosa cozinheira, dona do Restaurante
“Sorriso da Dada” presente em várias capitais brasileiras
7 Asa, forma como o povo e a mídia baiana se refere ao
Conjunto Asa de Águia, cujo vocalista e líder é ...
8 ... Durval Lélys, cantor que a cada ano incorpora um personagem
diferente, geralmente para ilustrar a música nova que lança perto do carnaval
9 A Praia do Cristo da Barra é uma das mais bonitas de Salvador. Em uma
elevação (pequeno morro) fica um estátua de Cristo apontando para a
Baía-de-Todos-os-Santos

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Análise Política







UM PAÍS SEM LÍDERES


por Paulo Gomes

Quando vejo essa quase unanimidade ou assombrosa popularidade em torno do presidente Lula fico deprimido. Triste país, deserto de lideranças. O que hoje é apenas um esboço, um ectoplasma do que foi o inflamado líder sindical do ABC virou - quem diria - o referencial, o modelo de gregos e troianos, caretas e moicanos. Jogando sozinho, sentando em pudim!

A crise moral deflagrada no escândalo do mensalão com suas nunces de dinheiro na cueca e outros episódios que já fogem à lembrança nesse país que fabrica absurdos aos quilos e a cada dia, não atingiu ao blindado Lula mas detonou pelo menos com duas figuras que no time petista eram os sucessores naturais da camisa 10 vermelho estrelada, quando o Luis Inácio anunciasse sua "tirada de campo" pelo menos por quatro anos: A dupla de Zés, Dirceu e Genoíno. Se falou até em Marta para a sucesão veja que coisa absurda! Ainda fala-se em Dilma Rousself, mas se sabe que não é pra valer.

Fora do PT Nelson Jobim assumiu o Ministério da Defesa achando que teria ótimos lucros pessoais tendo os holofotes da mídia sobre ele no picadeiro daquela crise que atingia sobretudo à Classe Média. Sonhou que construiria popularidade suficiente para sonhar com uma candidatura no PMDB e com o apoio de Lula. Fez estardalhaço demagógico ao tom de fanfarronice com siri na lata, posando de xerifão do país na chamada crise aérea que serviu de fritura de um homem do valor extraordinário de Waldir Pires que nada tinha de responsabilidade sobre aquilo. Pois o gauchão Jobim se achou com como se diz na gíria dos amantes do turfe 'pule de 10' na sucessão presidencial. Se deu mal e recolheu-se à sua insignificância.

Fala-se em Ciro Gomes, ex-liderança emergente já com jeito de café requentado no banquete das novidades. No PDT há o professor Cristovam homem de grande valor, de defesa coerente de uma bandeira fundamental e abandonada - a educação - mas sem o menor carisma de liderança nacional. Cogitou-se o projeto Aécio, numa cooptação peemedebista com engenharia luis-inaciana mas não colou e nem tem como colar. E o que resta desta festa ? O Drácula da Paulicéia!

As olheiras que arrepiam de medo até as almas penadas de verdade. O tucano (ou Couruja ?) José Moto Serra!
Ora meus amigos, no país da devastação ambiental, da Amazônia agredida e ofendida, é o nome que traz a piada pronta. Quem sabe o último a ver a fumacinha subir das cinzas no derradeiro lote de área verde e ainda por ironia do destino quem sabe tendo um verde como vice na sua chapa, por que não?...

O Gabeira que está há Anos-Luz dos demais políticos do Brasil e que por pouco não se elegeu Prefeito da segunda maior e mais importante cidade do país teve na sua coligação o apoio dos tucanos. Então não seria estranho imaginar uma nova composição tucano-verde na eleição presidencial.
Não ouvi e nem li isso em lugar nenhum ainda e nem estou sugerindo, pois gostaria de ver o Gabeira bem longe dessa gente, mas não se surpreendam se isso ocorrer. Seria aliás o toque de rejuvenescimento e bom astral numa chapa encabeçada por um sujeito de ar pesado e funesto.

Triste país!
Votei e votarei novamente naquela que continua firme nos seus princípios, na defesa do que pensa. Naquela que radicalmente no sentido original do termo continua enraizada nos valores que acredita: nacionalismo, soberania, decência, justiça social, fraternidade e respeito ao ser humano, sobretudo aos mais desfavorecidos : Heloísa Helena!
Se ela tiver um jingle tão bom quanto teve o seu colega de PSOL na campanha de Salvador, o Hilton 50 e com esse panorama de eleição fraca e sem candidatos de peso, tem tudo para fazer estrago e reascender no peito de verdadeiros esquerdistas e nacionalistas ainda um raiozinho de sol de esperança!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Minhas Crônicas


AGRADECIMENTO AO MESTRE

Acabo de ler o livro “As crônicas de Armando Oliveira” lançado em comemoração ao aniversário que seria o de número setenta do grande comentarista esportivo e cronista do cotidiano.
A palavra que eu poderia resumir tudo após ter devorado em apenas três dias as quase 500 páginas da belíssima seleção que traz algumas de suas crônicas publicadas nos anos 70, 80, 90 e 2000, sobretudo no Jornal da Bahia é : “sabedoria”!
Para quem apenas conheceu o Armando gênio dos comentários sobre futebol ou – como no meu caso – foi apenas um leitor não muito assíduo de suas crônicas de temas livres, fica a constatação de que Armando Oliveira foi muito maior, muito mais talentoso, muito mais genial do se imagina.
Contendo uma mescla de inteligência, sensibilidade, irreverência, senso crítico e elegância, esses textos de Armando nos dão a certeza de que a enorme simplicidade de seu autor, privou o país de conhecer uma de suas melhores cabeças.
Despojado da vaidade exacerbada tão comum no meio intelectual, o nosso ilustre conterrâneo não estava “nem aí” para os holofotes da fama. Pena que por exemplo o pessoal do Pasquim não tivesse tido a sacada de descobri-lo e de publicar suas crônicas. Com todo o respeito aos grandes colunistas do velho e bravo Pasca, e sem nenhum tipo de bairrismo, afirmo que os textos de Armando só encontram concorrentes do mesmo calibre na pena somente de alguns, digo até, de pouquíssimos do chamado “primeiro time” do jornal de Ziraldo e Jaguar.
A leveza e fluência da escrita e a facilidade e inteligência com que abordava os mais diferentes temas que iam da política aos costumes, da literatura a TV , da música ao cinema, sem falar nas suas lembranças, reminiscências e personagens quase sempre abordados em tom poético, impressionam.
Armando instigava, debatia, ensinava, afirmava, sonhava, fazia rir. Enfim: conquistava o leitor. Sabedoria a serviço de todos.
Ia além de um verdadeiro formador de opinião.Sabia mexer com a consciência e com o coração do leitor, com a sutileza de quem não tinha a pretensão de fazê-lo o que o tornava um mestre ainda mais simpático e de didática ainda mais agradável. Nos ensinava assim o quanto a vida é bela - apesar dos pesares - e que curti-la é o melhor remédio. Daí a fundação do seu imaginário partido político, o PPdoL, Partido da Prática do Lazer. Armando soube como poucos apreciar a boa música, curtir uma praia, o carnaval e a beleza das cabrochas baianas e os sabores das boas bebidas.

CARICATURA SONORA "Deve ser mesmo "fera", face aos elogios unânimes que recolhi junto aos companheiros de Salvador que estiveram no Sul, cobrindo os jogos do Bahia. Refiro-me a Paulo Gomes, confrade da Rádio Cultura, especialista na caricatura sonora dos personagens que transitam no futebol baiano.Talentoso imitador, autor de textos bem humorados, ainda não tive o prazer de ouvi-lo, o que farei quando retornar a Bahia".
Obrigado Mestre, pela gentileza e pelos sábios textos.

A grandeza de sua criatividade ficava ainda mais latente quando conseguia imprimir ritmo e emoção em temas aparentemente banais ou desprovidos de aparentes resquícios de conteúdo como as homenagens aos seus carros como por exemplo, a “Marronzinha” e a “Branca de Neve”. Na série “Carta ao meu filho” em que aproveitava o mote da estada do filho Marquinhos na Alemanha, o nosso ilustre nativo de Água Preta “dava show” de informações e de sabedoria na abordagem das novidades tupiniquins.
Me emocionei várias vezes e ao final de cada texto, só me vinha uma frase :
“Meus Deus, quanta sabedoria colocastes nesse cara!”
A bela iniciativa da organização do projeto do livro foi do governador Paulo Souto amigo de infância e colega de imprensa esportiva do grande Armando, iniciativa que merece a alcunha de “gol de placa”, tudo a ver.
Da minha parte como fã, conto-lhes que nunca estive pessoalmente com Armando. E o que me dói é que por pura timidez minha e em respeito a timidez dele, desperdicei oportunidades não de “pedir um autógrafo” ou de manifestar minha admiração e sim de lhe retribuir um ato de grande gentileza. É que trabalhando na TV Itapoan em 1997 via Armando pertinho de mim cotidianamente no pátio da Rádio Sociedade que funciona no mesmo prédio da TV,fumando o seu cigarro antes de descer para fazer o seu comentário às sete e meia da manhã. Digo agradecer a gentileza, pois dois anos antes quando fazia o programa Ultra-Leve na Rádio Cultura da Bahia, Armando na sua coluna no precocemente extinto jornal Bahia Hoje, sem me conhecer, e com sua enorme generosidade publicou a seguinte nota:

Guardo comigo até hoje com o maior carinho e como um troféu, a página do jornal já amarelado pelo tempo e com suas palavras sobre esse pobre mortal. Muito obrigado mesmo!

Paulo Gomes, maio de 2006

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Minha Crônicas


INFÂNCIA
por Paulo Gomes

“Existem energias que são vividas dentro de nós somente em determinadas fases da vida. Certamente a mais rica e que mais sensações gostosas e criativas nos dá é a que vivemos quando somos crianças. Os sonhos e brincadeiras viram verdadeiros filmes em terceira dimensão. Nossos amigos, irmãos e pais não são outros, senão parceiros, super-heróis, fadas madrinhas ... Tudo passa a ter um colorido, um tamanho, um sabor mais do que especial. um simples jogo de futebol no pátio da escola e improvisando uma tampinha de refrigerante como bola, se torna uma verdadeira final de copa do mundo para os guris, com direito a um estádio completamente lotado no imaginário. A emoção na hora do gol, com certeza é a mesma sentida por um “jogador de verdade” numa decisão na vida real. Bonecas, cachorros e gatos “falam” e brincam com os miúdos, alguém duvida ? É a magia ... a mesma magia que fez os garotos voarem janela à fora, ganhando o céu com Peter Pan até a Terra-do-nunca. Uma pequena goiabeira no fundo do quintal, vira a mais alta de todas as torres de onde se tem a impressão de se ver o mundo todo.O coração batendo forte ao entrar em quintal dos outros para roubar uma fruta, talvez seja a mais emocionante e gratificante sensação que temos na vida, pois ali estão: a ousadia do ato, o desejo da conquista, a sensação do pecado e do perigo, o esforço físico e o prazer final da vitória.A liberdade de soltar uma pipa na imensidão do céu, o banho de mar ou de rio, o buzinar na porta dos outros e correr, fazer o pai de cavalinho montando nas suas costas no dia em que ele está afim de brincar, achar uma moeda na rua e correr até um boteco e encher os bolsos de doces e balas, o orgulho de tirar a primeira nota dez na escola, o medo da surra e do carão dos pais quando se apronta uma travessura digna de castigo, espreitar mulher nua pela fechadura, o primeiro beijo de língua, o bater gostoso e diferente do coração na primeira vez em nos apaixonamos, a conquista da primeira namorada, a satisfação de ver o esperma pela primeira vez na batida de bronha, são sensações que por certo, torna completamente feliz uma criança e o esboço necessário para a formação de sua futura personalidade de adulto.É pena que só temos uma infância na vida. Como seria legal se depois da velhice, pudéssemos, geneticamente voltar a ser novos, invertendo todo o processo. De novo voltando à infância. Unindo assim, o final e o começo, e chegando no “ponto-final-inicial”, o útero da mãe. Acho que a vida seria mais gostosa ainda .


20/10/99

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Minhas Crônicas


MEUS ÍDOLOS
Por Paulo Gomes

Dizem os fanáticos religiosos, que a idolatria é algo que desagrada a Deus pois adoração devemos ter somente a ele. Eu duvido que seja isso mesmo um pecado, já que se fosse verdade, o Grande Criador não faria alguns de seus filhos tão brilhantes e talentosos em certas áreas, ao ponto de fazer despertar tanto a atenção e admiração dos outros. Pelo contrário, acho que ele fica até feliz quando vê o reconhecimento da capacidade extraordinária dessa gente genial, pois tem assim a certeza de que a sua fabricação teve total êxito e foi de fato de qualidade.
E Deus é tão grande e superior ao homem que não nutriria um defeito tão pequeno e humano como a inveja, e logo de quem ? de suas próprias criaturas-criações ?

Não faz mesmo sentido ...


Não falo de fanatismo, mas termos ídolos é fundamental.

Impossível não admirar, acompanhar e até seguir como referencial e exemplo, pessoas que são acima da média naquilo que fazem. Ainda mais em áreas onde o talento fica mais destacado como no esporte, na literatura, na música, na poesia, na dramaturgia e na política.

Quem não tem um ídolo? impossível você gostar de algum desses temas e não admirar numa dose mais forte algum “craque” .
Por falar nisso, são cinco, os meus ídolos no esporte .
No futebol, dois craques do meu time de coração, o
Fluminense. O raçudo Edinho e o cracaço Rivelino. Sobretudo pelo amor à camisa do primeiro e a pura arte do segundo. Bons tempos...

No basquete, Oscar o “Mão Santa” e a divina “Magic Paula”.
No automobilismo, o único que me fez acompanhar essa coisa chata chamada corridas de carro, Ayrton Senna do Brasil e do Mundo! Poderia citar Garrincha, mas esse era uma espécie de “entidade”, não era de carne e osso. Era fábula, virou linda poesia...

Na dramaturgia elejo Nelson Rodrigues como o grande criador. Sem falar no cronista esportivo há anos luz dos demais.
Como sabia mergulhar na psicologia humana para construir seus personagens!.. neuróticos, sensuais, cafajestes, carismáticos, mas sobretudo humanos!

Como atores, Paulo Autran e Marília Pêra estão no topo do meu “podium imaginário”. Ainda na dramaturgia televisiva,o pai de Odorico, Zé do Burro e Zeca Diabo, Dias Gomes.

Na literatura, um representante de além-mar, José Saramago.
E um genuíno mineiro e brasileiro: Guimarães Rosa.
No jornalismo o mais brilhante entre todos os pensadores e produtores de textos (também os de ficção) Fausto Wolff. Corajoso, humano, culto, inteligente, uma FERA!


Na música Chico Buarque é pra mim, o grande Papa.
Composições de uma criatividade extraterrestre, mediúnica,
recheada de poesia, sensibilidade e indignação social.
E como se não bastasse algumas características em comum com a desse admirador. A saber : geminiano, socialista e tricolor.

Ainda na praia musical, tem o Raulzito que é um capítulo especial que falarei adiante.
Na política, os mestres Darci e Waldir. O Ribeiro e o Pires. Que falam por mim tudo o que eu gostaria, defendem o que eu penso e transpiram sensibilidade, honestidade, patriotismo, inteligência, carisma e lucidez.
Beatifico a figura de Betinho, como o maior de todos os soldados da cidadania.

No jornalismo esportivo, Armando Nogueira pela poesia e
João Saldanha por tudo : corajoso, espirituoso, conhecedor profundo do planeta futebol.


No rádio (uma das minhas cachaças malditas), “ é ele, é ele, é ele! É, é, é , é".. é Fernando José o meu ídolo! profissional completo. Escrevendo, narrando futebol,
criando sacadas inteligentes com reflexos de gênio. Tão bom que sem querer, fez o povo acreditar que ele pudesse ser até prefeito . Grande Fernando... o meu “camisa 10”.
Aliás, foi imitando-o e satirizando-o em 1990 com o personagem “José Fernando” (um ex-prefeito que queria ser radialista estória inversa a dele) na FM Transamérica, que dei os meus primeiros passos no rádio. O “Galinho Cego” era de ouro ....

No humor completo, Chico Anysio. No humor de imitações, Carlos Roberto “Escova”.
Apresentador de TV, desde bebê que pra mim sempre foi o Chacrinha. Com direito a berreiro no colo do meu pai se mudassem o canal para colocar em outro programa. Fato puramente verídico.E depois com a palavra na ponta da língua (sabe-se lá por qual razão)quando era perguntado:
"E então Paulinho quem você escolheu para ser o seu Padrinho?"...
- Chaquinha!
Durma com um barulho desses!
Já maior, me encantei com o mundo do extraordinário
Walt Disney.

Não chegam a ser ídolos, mas não posso deixar de mencioná-los, pois têm um lugar reservado no meu coração três figuras distintas nos estilos, personalidades e áreas, mas igualmente brilhantes no talento e na alma : Dr. Evandro Lins e Silva, Dercy Gonçalves e D. Hélder Câmara .

Mas o maior de todos os meus ídolos, é um cara tido pela maioria (graças a Deus) como um tipo esquisito, irresponsável, inconseqüente, louco ...

Isso dentro da visão de quem só procura - e só sabe - enxergar com “olhos ignorantes”, para logo meter um carimbo de “reprovado!” , dentro desse cada vez maior conceito imbecil e diário da mania de julgar e condenar, sem sequer prestar atenção para entender...


O artista, o filósofo, o escritor, o sensível, o místico,
o poeta, o anarquista, o líder e ídolo natural de uma verdadeira legião de seguidores, chamado Raul Seixas,
não precisa responder nada aos tolos que com suas “cabeças animais de menos de dez por cento de capacidade”, insistem em achar isso, aquilo e o "enguiço” sobre ele.
Que bom Raulzito, que você é meu ídolo e não o desses “inocentes” que não te alcançam...
Nesse caso, a falta de unanimidade em torno do "Maluco Beleza" é burra, contrariando assim, a teoria do velho
Nelson Rodrigues” ...


12 de agosto de 1999.