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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

50 ANOS DOS FLINTSTONES

ADORÁVEIS CINQUENTÕES

O clássico da animação "Os Flintstones" criação dos estudios Hanna-Barbera completou hoje (30/9/2010) 50 anos nos Estados Unidos, onde foi o primeiro desenho criado com o objetivo de entreter tanto o público infantil quanto o adulto.


O primeiro episódio desenho da turma da pedra lascada foi exibido em 30 de setembro de 1960 na emissora ABC e apresentou ao público os personagens Fred e Barney e suas esposas Wilma e Betty.

Embora a história se passasse na Idade de Pedra, o programa foi criado como uma paródia da vida das famílias de classe média nos EUA durante os anos 60, formato que teve muito sucesso e que posteriormente seria copiado pela série "Os Simpsons".


"Os Flintstones" foi a série de animação com um maior número de transmissões em horário nobre durante grande parte do século 20 nos EUA.

Três anos após sua criação, o desenho adotou pela primeira vez a música de abertura "Meet the Flintstones", que se transformaria em sua marca registrada.


Da mesma forma que ocorreu com "Os Simpsons", muitas celebridades da época viraram personagens em "Os Flintstones", como a atriz Gina Lollobrigida, que apareceu como uma empregada doméstica italiana de Fred e Wilma em 1963 e o ator Tony Curtis, que morreu hoje aos 85 anos.

O impacto de "Os Flintstones" na cultura popular fez com que, em 1994, os estúdios de Hollywood apostassem por levar ao cinema os personagens criados por William Hanna e Joseph Barbera em uma produção homônima, que arrecadou mais de US$ 300 milhões no mundo todo.


Em 2000, a estreia do filme "Os Flintstones em Viva Rock Vegas", com elenco diferente do primeiro, teve pouca repercussão nos cinemas.

Em homenagem ao 50º aniversário da série, o Google colocou em sua página inicial de buscas uma imagem da família Flintstone.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Imprensa Alternativa - PASQUIM & BUNDAS




VIVA A IMPRENSA
ALTERNATIVA !


AMIGOS , VASCULHANDO A INTERNET tall ESSE BELO TRABALHO Sobre a IMPRENSA ALTERNATIVA NO BRASIL - www.iscafaculdades.com.br/nucom/artigo_46.htm.


Muito redigido Bem e organizado Por Maria Gabriela Praxedes , Nilson Zanchetta e Tiago Valentim par o Núcleo de Comunicação de Limeira- SP um PECA enfoca Aspectos Interessantes do surgimento e Trajetória de Veículos Como o Jornal O Pasquim Bundas revista EA, Criações Ambos do incansável Ziraldo. Vale a LER pena e arquivar .
Aqui hum reproduzimos trecho Que Fala da Revista Bundas, Uma das Publicações Criativas E mais surgidas Interessantes JÁ no Brasil e Que lamentavelmente nao TeVe Vida Longa Por Falta Publicitários de anuncios , Fruto absurdo eh de boicote e burro promovido Pelas chamadas agencias propaganda de .
Eu hum Fui sinto Leitor e tenho comeu Hoje uma completa Coleção e Ainda o raríssimo Numero Zero! Como bom Seria se existisse Hoje no Brasil UMA Publicação Como ESSA. Certamente ajudar Iria um 'todos' - Jovens sobretudo OS Mais uma pensarem E Depois daRem UMA BANANA BEM GRANDE politiqueiros um safados sos !


REVISTA ANÁLISE Bundas DA
" Como JÁ FOI Dito, o Jornalismo TeVe Seu alternativo auge Durante o Último Militar Período , quando A Situação do País, Comparada à Realidade Atual, Diferente Bem era.
hum Fundar Veículo alternativo nsa Dias de Hoje Não Tem o MESMO Significado Que térios Durante regime o . Porém , se pensarmos nd Questão do " alternativo ", Pôde- se Supor Que OS ATUAIS Projetos Neste campo representam UMA Opção de Idéias nao assim uma Política governamental , o MAS also Mídia A Grande .
Em Junho de 1999 surgiu no Brasil Um Novo Veículo considerado alternativo . Ziraldo e alguns Amigos fundaram Que o Famoso Pasquim in desemprego se Torno de Um Novo Projeto , a Bundas revista . Em UMA Entrevista AO portal Educacional (1), Ziraldo , Na Época do revista da Lançamento , Dizia Que Bundas estava surgindo parágrafo Dizer Que o País Precisa Dar valor Mais uma Cabeça do nádegas Que como, Dai o irónico Nome. Ziraldo afirmava Que O Povo estava esvaziado Pelo consumismo , imediatismo Pelo e Queria Ninguém Que Mais escolher OU CRIAR o Próprio Caminho , MAS SIM Comprar Tudo pronto. Este o Seria principal Motivo Pelo Qual Bundas nascia : para serviços alternativo AO Que estava Sendo " jogado " Pela Mídia receptores parágrafo SEUS , MAS COM A PROPOSTA de Fazer humor com ISSO.
Em Artigo Publicado site sem fazer Observatório da Imprensa (2), o cartunista João Spacca Diz O Que uma pretendia revista não Lançamento Seu :


Bundas, nao se iludam nomo o com , TEM UM Compromisso SEUS Ético Leitores COM . Nao e puro Entretenimento . Disto ocupam se OS Mercadores de " tchans ". Bundas EUA uma Estratégia Clássica dos humoristas : avacalha , Coisas Dizer parágrafo serias ".

Bundas, sem logotipo e editorial NA PROPOSTA , posiciona - se oposição in eticamente Caras Revista à . Bundas acusa : Caras e uma Mídia mentirosa e oficial , o Brasil Faz- de- Conta das novelas da Globo, o Opio Que embebeda O Povo EO impedem de Tomar Consciência de si MESMO. , Caras nao FAZ Jornalismo. Caras apenas Mostra OS Como famosos Vivem , OU Como OS querem famosos Que uma gente pense Que Vivem enguias. A Burguesia brega de Caras, sol Tomando e uísque à beira piscina da , si e denunciada Pela Esquerda chique de Bundas, Que FAZ O MESMO NUMA esquina chique de Ipanema (...) Uma simples Existência de Bundas JÁ e , em, UMA Denúncia , ousem com glúteos capa na. Mostra, descaradamente , Que uma nata do humor Gráfico Nacional, Publicar Poder n º o Fazer SABE Que, FOI obrigada um CRIAR o Seu Próprio Veículo , Uma Verdadeira Ilha de mar números Bundas de Caras (3).

era Este o OBJETIVO de Bundas, da Imprensa Diante " oficial "do País : Fazer Nascer UM Vínculos SEM Veículo , SEJA OU , UMA Imprensa nao comprometida . Seu era slogan : " mostrou Quem uma bunda in Caras Jamais vai Sorting Ordenação um Bundas cara em ".

Bundas semanal era , diretor da EA Maneira de expor SUAS Idéias atraves era fazer humor. Edições Analisamos Duas , uma n de º 64 (5 de Setembro de 2000) eA n de º 76 (28 de novembro de 2000) e observamos Que um Publicação nao trazia Reportagens . CADA continha Edição 50 Coloridas páginas. SEUS articulistas Colunistas e , Colaboradores UO, Quase OS semper mesmos ERAM . Nas Duas Edições analisadas , nomos Como Aldir Blanc , Jaguar, Fausto Wolff, Athur Poerner , Sérgio Augusto, Reynaldo Jardim , Pedro Maciel, Antônio Prata, Carlos Castelo Branco, Emir Sader , Moacir Werneck de Castro, Nataniel Jebão e Ana Presentes estao Bruno. Cartunistas Entre OS , alem de Ziraldo, havia Amorin , Zeca Marvado , Redi, Guidacci , Ricardo Leite, Mariana Massarani , Nani , Miguel Paiva, André Barroso, Aliedo , J. Bosco , Leonardo, Luís Pimentel e Jean, NAS colaboraram Que Edições Duas citadas .
Como Duas capas das Edições temas trazem do Momento in publicadas FORAM que. Um numero de OS 64 Problemas retratava fazer entao Técnico da Seleção Brasileira de futebol, Wanderley Luxemburgo, com uma Receita Federal com e uma negociação de jogadores desconhecidos Que ERAM parágrafo escalados uma Seleção e SEUS COM tinham ISSO passes valorizados . A era manchete : " No Brasil , po , Tudo e lama " . A Outra Edição retrata o Problema Que uma TV enfrentou Globo quando um Que proibiu Justiça Menores de idade trabalhassem na " novela das 8 ". A manchete de era Bundas : "Por UMA censura SEM TV "Os editoriais ERAM Escritos Por Luís Fernando Veríssimo ASSUNTOS traziam e Ligados uma escândalos e Corrupção no Brasil .
era Bundas dividida ARTIGOS in , "colunas , seções cartuns fixas e . Os articulistas e Colunistas NAS colaboravam also seções COMENTÁRIOS COM fixas .
A revista varias contava seções com , Entre ELAS Bundalelê , Que trazia Pequenos COMENTÁRIOS humorísticos Sobre OS ASSUNTOS in Mídia nd debate; Bundão da Semana, Destaque hum Que Elegia (NAS Duas Edições analisadas , FORAM Eleitos Ricardo Teixeira EO Zagallo, respectivamente ); Covil do Jaguar, Onde o Próprio COMENTÁRIOS escrevia Jaguar ; Pixels, frases com e Trechos humorísticos ; Salão de Anedotas : Piadas , A Bunda da Semana ; Bunda Lê Livros , OUTRAS empreendedorismo .

Repito : VALE A LER PENA E Guardar TODO O TRABALHO .
Acessem:

COMUNIDADE REVISTA DA Bundas NO ORKUT:

domingo, 21 de dezembro de 2008

InTeRnEt@NdO - Folha de S.Paulo


20/12/2008 - 09h11


"Casseta" tinha humor mais adolescente


RAQUEL COZER da Folha de S.Paulo


Se não faltasse mulher no curso de engenharia da UFRJ, não haveria "Casseta".
Em 1978, como nos anos anteriores, garotas eram um artigo raro naqueles corredores do Fundão. E apenas uma entre as inflamadas publicações estudantis do lugar registrou a dimensão do problema. "O que querem os rapazes da engenharia?", estampou, em setembro, uma certa "Casseta Popular".


A campanha por mais mulheres na faculdade, movida pelos alunos Helio de La Peña, Marcelo Madureira e Beto Silva, foi infrutífera. Tampouco teve resultado a tentativa de lançar um candidato a papa --após a percepção de que a morte de papas tinha virado moda, com a adesão quase simultânea de Paulo 6º e João Paulo 1º.
Aquelas idéias, no entanto, deram margem para a "Casseta Popular" superar os limites do campus e alcançar público na zona sul do Rio. Surgia ali o braço mais antigo e, digamos, menos sofisticado do Casseta & Planeta --a outra parte da história começaria seis anos depois, com a criação do "Planeta Diário" de Hubert e Reinaldo.
Os melhores momentos desses primórdios da trupe foram organizados pelo jornalista Arthur Dapieve e estão reunidos, agora, na "Antologia Casseta Popular", que sai pela Desiderata, mesma editora que lançou "O Planeta Diário - O Melhor do Maior Jornal do Planeta".

Popular e cult

Embora fosse a origem do humor mais "babaca e adolescente" (segundo Helio de La Peña) da trupe, a "Casseta Popular" era mais cult que popular naqueles primeiros anos.
Tiradas infames como "onde você comprou essa camisa tinha pra homem?", que ainda freqüentam o repertório do Casseta & Planeta, conquistaram de cara um público carente de um humor renovado naqueles anos de abertura política.
"Até chegarmos às bancas, o que só ocorreu em 1986, éramos lidos por uma elite da zona sul. Depois, o público ampliou", diz Beto Silva. No meio tempo, Bussunda e Claudio Manoel já tinham sido agregados.

"O Bussunda [1962-2006] era um pirralho que vivia no meio da galera. Era fisicamente uma figura, e uma figura muito espirituosa. Quando quisemos abordar uma temática mais ampla, chamamos ele e o Claudio, que também circulava por ali", diz La Peña. Bussunda virou imediatamente o corpinho preferido da "Casseta" --aparecia bancando a Luma de Oliveira, a Demi Moore, e em aulas de como manter a barriga.
A temática mais ampla incluiu um aprofundamento na cobertura política. Dois momentos marcam essa fase da "Casseta", no auge da fama pré-Globo: as eleições municipais de 1988 e as federais de 1989.
Em 1988, quando as eleições corriam mornas no Rio, a revista adotou o macaco Tião, do zoológico do Rio, e iniciou uma campanha incisiva que levaria o animal ao terceiro lugar naquele pleito, com 9,5% do total de votos para prefeito.

No ano seguinte, os cassetas iriam à rua pesquisar, por exemplo, "quem é o candidato mais viado" (categoria vencida por Fernando Gabeira) e "de qual candidato você colaria numa prova" ("A carteira atrás do Brizola ficaria apinhada de gente", conclui a "Casseta").

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Blog Documento - Revista O CRUZEIRO




O Cruzeiro - 15 de setembro de 1970

O LADO HUMANO DE WILSON SIMONAL

As reportagens sôbre artistas quase sempre focalizam dois aspectos: a sua vida amorosa e privada, e a sua riqueza, real ou pressuposta.

No primeiro caso, as publicações escandalosas se fartam no devassar de intimidades, dando dimensões extraordinárias a fatos que seriam corriqueiros na vida do homem, comum, que dessas vicissitudes ninguém se livra.

As publicações regulares, em suas colunas especializadas, se fazem mensageiras da cegonha que vai chegar, cupidos de amôres nem sempre verdadeiros, arautos da elegância e do bem-vestir, e também profetas agourentos de desquites e separações.

No segundo caso, a prosperidade do artista, quando levada a público através de qualquer meio de comunicação, traz sempre objetivo oculto. Raramente essa prosperidade, muitas vêzes vista através de poderosas lupas, é exposta e alardeada com a alegria dos que se sentem bem sabendo alguém vitorioso. Pelo contrário, nas entrelinhas há um travo de despeito, de inveja, de amargor.

Partindo dêsse princípio, o artista que se tornou um vitorioso, se compra um automóvel ou um apartamento, se procura garantir o futuro, a velhice, e arruma o chamado pé-de-meia, ao público logo se informa a marca do automóvel, o preço, a área do apartamento em todos os seus detalhes e respectivo custo, o número de letras de câmbio que foram compradas.

Dir-se-á que o artista famoso pertence mais ao público que a si mesmo, e que, por isso, ao público devem ser dadas certas informações. Em têrmos. Porque a insistência em tôrno dos muitos milhares ganhos, dos cachês fabulosos, dos contratos astronômicos - na maioria irreais e fermentados, também, pela máquina publicitária - deixa a impressão de que os seus veiculadores são, na realidade, refinados dedos-duros da fiscalização tributária.

O OUTRO LADO

Se o açodamento publicitário em tôrno da vida privada do artista e de sua prosperidade não tem limites, em contraposição o silêncio sôbre os seus atos de bondade e de desprendimento, também é uma constante. Certo que determinados artistas seguem o preceito de fazer o bem sem saber a quem, escondem quanto podem as suas benemerências, não desejam sôbre elas qualquer tipo de publicidade. Mas, se êsses gestos magnânimos, se essas atitudes raramente encontradas até em indivíduos que já nasceram sob as bênçãos da fortuna, são conhecidas do público, lamentàvelmente ninguém bate palmas, ninguém abre a roda, ninguém grita ôba!

WILSON SIMONAL

Simonal foi um menino pobre. Deu duro, foi tudo na vida, até cobrador fantasiado de vermelho pelas ruas. Hoje, Wilson Simonal é artista famoso e o seu nome lota estádios. Simonal é um artista caro. Quem o contrata sabe que vai ganhar dinheiro, muito dinheiro. Êle paga o seu conjunto musical, os Simonautas, constituído de excelentes músicos. Mas, quando se publica que o cachê de Simonal é de 30.000 cruzeiros, há o espanto!

O que não se diz, o que não causa espanto, é que Simonal, sendo um artista caro, é também uma excelente figura humana, apresentando-se sem ganhar um centavo, quando se trata de cantar para os que precisam. E queremos aqui dar o nosso testemunho, de público.

Procuramos Simonal para fazer um número - um só número - no Programa Flávio Cavalcanti. Simonal impôs condições:
- Só se fôr um show de quarenta e cinco minutos, sem interrupção produzido pela minha própria agência, a Simonal Produções. Sairá um espetáculo da pesada...
- Tá bem, Simona, mas quanto vai custar isso tudo?
- Precinho camarada, de amigo: 30.000 cruzeiros...

A equipe de produção estremeceu. Não havia essa verba. Estava estourada. Mas aí entrou a Shell. Deu o dinheiro a Flávio Cavalcanti para pagar ao Simonal. Simonal recebeu o dinheiro e devolveu a Flávio Cavalcanti: para a Casa dos Meninos de Petrópolis.

Oitenta crianças desvalidas foram beneficiadas por Wilson Simonal. Os artistas que ganham muito, que ganham bem, que ganham o que realmente merecem, também têm dessas coisas. Mas o silêncio é profundo. Mas Deus acaba sabendo de tudo.



O Cruzeiro on line é um trabalho de preservação histórica do site Memória Viva - http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro/

PARA CONHECER MAIS SOBRE A REVISTA O CRUZEIRO CLIQUE NO LINK : http://pt.wikipedia.org/wiki/Revista_O_Cruzeiro

PARA CONHECER MAIS SOBRE WILSON SIMONAL:

sábado, 29 de novembro de 2008

Editorial da edição especial de Caros Amigos A DIREITA NO BRASIL


DIREITA, EU?


O direitista não se reconhece como tal. Embora seja facilmente identificável, ele se considera centrista, alardeando que a virtude está no meio, aproveitando-se de uma certa tirada aristotélica. Seus atos e convicções, porém, são inocultáveis. Ele tem certeza que jamais existirá - nem ele aceitaria - a distribuição da riqueza entre os homens, por mais que ela tenha resultado do trabalho de todos. Se tiver de optar entre a construção de um presídio e de uma escola, ele escolherá a primeira proposta, porque acredita piamente que os desvios de conduta são originados do DNA da pessoa e não do meio em que foi obrigada a viver. Ele acha que o povo é burro, que a maioria é incompetente e por isso não "subiu" na vida. Que povo tem cheiro!
Direitos humanos, justiça social, distribuição de renda são balelas, conversa mole dessa raça que se nega a entender que o socialismo está morto, as ideologias estão mortas. Assim como foi decretado por um pensador norte-americano o fim da história, com o triunfo definitivo da democracia liberal ocidental, baseada na propriedade privada e no mercado...

Os conceitos da direita e esquerda na política foram usados pela primeira vez na França, logo após a Revolução de 1789. Cosnta que por acaso. É que, convocada a Assembléia nacional Constituinte para criar as novas instituições, os antigos nobres, conservadores e reacionários ocuparam os assentos à direita do presidente das sessões. À esquerda sentaram-se os revolucionários republicanos. E no centro os burgueses liberais.

No Brasil, "o conceito de direita começou a ser utilizado na virada do Império para a República, particularmente entre os segmentos que começavam a se identificar com o socialismo e que, portanto, se reivindicavam de esquerda",conforme o professor de história Francisco carlos Martinho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Ele é um dos pouquíssimos estudiosos da direita no Brasil, pois també, ou por isso mesmo, não se acha literatura específica nem conseguimos encontrar um estudioso que aceitasse escrever um artigo para esta edição especial a respeito do tema. O que despertou em nosso secretário de redação, Renato Pompeu, a observação pertinente: "A direita brasileira é uma das mais espertas do mundo, porque entregou a pesquisa universitária à esquerda, para que esta estudasse os movimentos populares e assim ela ficaria bem informada - enquanto praticaticamente não há quem estude a própria direita e as elites em geral".


EM 1990 ESCREVI O SEGUINTE POEMA QUE FAZ PARTE DO LIVRO '
HECATOMBE,A DIMENSÃO ESPATIFADA!' (PAULO GOMES)


IDÉIAS SOBRE DIREITA E ESQUERDA

SE O COMUNISTA COME CRIANCINHAS,
O CAPITALISTA, CAPA
O CARA DE ESQUERDA, É PROCURADO
PELAS MULHERES E TRANSA
O CARA DE DIREITA, QUANDO QUER TRANSAR,
PODE ATÉ ESCOLHER, MAS TEM QUE PAGAR
O CARA DE ESQUERDA PODE SE TORNAR
ANARQUISTA
O CARA DE DIREITA, NAZISTA
O CARA DE ESQUERDA, PODE SER VEGETARIANO
O DE DIREITA, É CARNÍVORO INVETERADO

O CARA DE DIREITA É HEBE CAMARGO
O DE ESQUERDA TV PIRATA
O CARA DE ESQUERDA LÊ LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO
O CARA DE DIREITA, LAIR RIBEIRO
O CARA DE ESQUERDA ADORA “O PASQUIM”
O CARA DE DIREITA, “QUATRO RODAS”
O DE ESQUERDA É FÃ DE CHICO BUARQUE
O DE DIREITA DE AGNALDO TIMÓTEO
O DE ESQUERDA GOSTAVA DO CHACRINHA
O DE DIREITA DO FLÁVIO CAVALCANTI
O CARA DE ESQUERDA É CHEGADO A UM ROCK AND ROOL
O DE DIREITA A SERTENEJA MUSIC

O CARA DE DIREITA, ACHA O MÁXIMO
ALEXANDRE GARCIA
O DE ESQUERDA, FAUSTO WOLFF
O TIPO EXÓTICO DE ESQUERDA É DARCY RIBEIRO
O DE DIREITA PAULO FRANCIS

O QUE DÁ TESÃO NO CARA DE ESQUERDA,
É O ESTRABISMO DA LUCÉLIA SANTOS,
NO CARA DE DIREITA, A CELULITE DA CLAUDIA RAIA ...

10/12/90

Dica - Revista Caros Amigos 'A Direita no Brasil'


A revista Caros Amigos lançou em dezembro de 2005 a edição especial 'A DIREITA NO BRASIL'.
vejam abaixo o resumo do que encontram nesse trabalho espetacular que foi relançado recentemente e que pode ser comprado nas bancas ou no site da publicação:
http://carosamigos.terra.com.br/


A direita brasileira é uma das mais espertas do mundo, porque entregou a pesquisa universitária à esquerda, para que esta estudasse os movimentos populares e assim ela ficaria bem informada – enquanto praticamente não há quem estude a própria direita e as elites em geral”.

Partindo desta análise, feita pelo jornalista da equipe de Caros Amigos, Renato Pompeu, nasce esta edição especial, que busca identificar, definir e analisar a ideologia direitista em diversas áreas:

Na política: um artigo de Caio Navarro de Toledo, professor de Ciência Política da Unicamp, discute o porquê do pensamento político contemporâneo insistir na “negação da validade da distinção entre esquerda e direita”. Navarro provoca: “como sagazmente observou o paraibano Suassuna, aquele que, enfaticamente, proclama o anacronismo das noções de esquerda e de direita, ‘normalmente é de direita’”. E Marina Amaral investiga o papel da direita na política nacional, na reportagem As Faces do Neoliberalismo.

Na economia: Luiz Gonzaga Beluzzo analisa as medidas e conseqüências da política econômica de direita ao longo da história, e o repórter João de Barros apresenta a grande reserva moral do capitalismo – o mercado, ícone da direita.

Na educação: o artigo do professor João dos Reis, do Departamento de Educação da UFSCar resume como, historicamente, a lógica mercantil foi sendo inserida nas diretrizes educacionais do país, e Natalia Viana apresenta as maiores universidades privadas do país e seus donos: “o ensino superior no país acabou virando mercadoria da maior lucratividade”.

Na mídia: o jornalista José Arbex Jr. declara: “A imprensa é o mais sério e conseqüente partido da burguesia. Se a genial constatação feita por Antonio Gramsci tem validade universal, no Brasil ela assume contornos bem mais dramáticos”, e Marcelo Salles conta a história política das Organizações Globo.

Na justiça: o cientista político Andrei Koerner, professor da Unicamp, analisa o “direito da direita”, no qual “princípios e objetivos são omitidos ou manifestados de maneira seletiva”. O repórter Thiago Domenici analisa o judiciário brasileiro a partir de um relatório da ONU que o classificou como “lento, com tendência ao nepotismo, machista e pouco acessível à população carente”.

Nas Forças Armadas: Natalia Viana e Diogo Ruic apresentam o “conservadorismo das Forças Armadas”, e a professora e pesquisadora da Unesp Suzeley Kalil Mathias defende que “a mentalidade militar hoje é ‘de direita’ pois busca nas antigas práticas e vivências construir o caminho para o futuro”.


Na religião: Marcos Zibordi discute a “intensa e explícita aproximação entre política institucional e religião” e a pesquisadora da Universidade de Chicago Simone Bohn analisa a suposta relação entre religiões evangélicas e fortalecimento da direita na política.E ainda: - Entre o ódio e o orgulho: Andrea Dip fala sobre as organizações da extrema-direita;- Gilberto Felisberto Vasconcellos fala sobre nacionalismo;- Os psicanalistas Antonio Lancetti e Heid Tabacof colocam o conservadorismo no divã.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Revista Língua Portuguesa


Recomendo a todos a excelente Revista Língua Portuguesa. No número 36 Edição de Outubro a matéria de capa traz uma foto do Gênio Nelson Rodrigues e a manchete:
NELSON RASGA O VERBO.


A matéria que também está no site www.revistalingua.com.br transcevemos abaixo, mas o ideal é ter essa edição e guardá-la, pois o texto da antropóloga e professora Adriana Facina é impecável na análise do estilo de Nelson Rodrigues. Além das fotos maravilhosas que ilustram a matéria. Imperdível!



CONFIRAM TAMBÉM:


ADRIANA FACINA. Santos e canalhas: Uma análise Antroólógiica da Obra de Nelson Rodrigues. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2004

ANGEL RAMA. A Cidade das Letras, São Paulo, Brasiliense, 1985


JESÚS MARTÍN-BARBERO. Dos Meios às Meditações: Comunicação, Cultura e Hegemonia. Rio de Janeiro,UFRJ, 1997


RUY CASTRO. O Anjo Pornográfico, São Paulo, Cia.das letras, 1992




Revista Língua Portuguesa





A prosa teatral de Nelson Rodrigues


A frase nos ajuda a entender por que Nelson Rodrigues é até hoje, passados quase 30 anos de sua morte, um dos escritores mais populares do Brasil.
"Não reparem que eu misture os tratamentos de 'tu' e 'você'. Não acredito em brasileiro sem erro de concordância."
Herdeiro do projeto modernista de aproximar a literatura da língua falada, Nelson Rodrigues (1912-1980) levou aos palcos e aos jornais em que trabalhou um linguajar popular, bem carioca, incorporando à escrita gírias e outras características típicas da dinâmica da fala.
É preciso voltar no tempo para entendermos o significado dessa inovação. Em nosso processo de colonização, os portugueses conseguiram se impor à população não só política e economicamente, mas também ao idioma. Criou-se o que o crítico literário uruguaio Angel Rama denominou "diglosia", a existência de duas línguas separadas hierarquicamente: a pública (escrita, restrita à classe dirigente) e a popular e cotidiana (falada, usada na vida privada das elites e forma de expressão das classes populares).
O movimento modernista, nas suas diversas vertentes, procurou romper com essa tradição e aproximar não só essas duas línguas como também o próprio brasileiro, que os modernistas entendiam como povo separado por abismos de diversas naturezas. As distâncias físicas, a diversidade das culturas regionais, as desigualdades econômicas, entre outros fatores, deveriam ser superadas em nome da construção de uma cultura nacional comum. Imaginem esse desafio num país de proporções continentais e, naquela década de 1920, com dificuldades de transporte e comunicação que aprofundavam ainda mais essas barreiras.


Teatro da prosa


Para literatos como Mário de Andrade e Oswald de Andrade, se a literatura pretendesse contribuir nesses esforços teria de sair das oficialidades encasacadas e aproximar-se dos falares do povo. Só assim ela poderia ser compreensível e elevar-se esteticamente, deixando de macaquear, nos termos da época, as literaturas internacionais, especialmente a francesa, moda de então.
Se na literatura, na música e nas artes os modernistas conseguiram criar escola, especialmente desde os anos 30, nos palcos o Modernismo demorou mais a fazer-se presente.

O próprio Oswald havia escrito peças, mas elas não chegaram aos palcos. A mais famosa, O Rei da Vela, publicada em 1937, só foi encenada trinta anos depois, numa histórica montagem do grupo Oficina. O que passava pelos palcos então?

Basicamente, dois tipos de peças. As populares, ligadas às comédias e ao teatro de revista. E, para um público elitizado, um "teatro sério", quase sempre associado a encenações de autores estrangeiros clássicos. Se um diretor, ator ou uma atriz quisesse ser respeitado ou respeitada pela crítica, deveria dedicar-se a tais peças, como as de Shakespeare ou dos gregos. Os autores nacionais tinham dificuldades de verem seus textos representados, pois os estrangeiros mais consagrados eram garantia de retorno financeiro nas bilheterias. Quando o conseguiam, geralmente seguiam a linha desse "teatrão".
Quando a peça Vestido de Noiva estreou nos palcos cariocas, em 1943, boa parte da crítica especializada saudou-a como o evento que marcava a atualização de nossa cena teatral com o Modernismo. Exageros e imprecisões à parte, já que essas afirmações desconsideraram experimentos teatrais importantes e anteriores, o fato é que Vestido de Noiva traz elementos de linguagem que, mais tarde, Nelson desenvolveria nas tragédias cariocas.


Prosa teatral


Entre o sucesso de Vestido de Noiva e a estréia de sua primeira tragédia carioca, A Falecida (1953), Nelson amargou censuras, fracassos e decepções. Rotulado como escritor maldito a partir do escândalo da peça Álbum de Família, censurada em 1946, o autor parecia distante da popularidade. Era agora o "tarado", o "inimigo da Igreja e da família", logo ele tão conservador...
Isso começa a mudar quando Nelson é convidado por Samuel Weiner, dono do jornal Última Hora, a escrever uma coluna, que ganhou o nome A Vida como ela É... Era 1951.

O jornal havia sido fundado para apoiar o presidente Getúlio Vargas, eleito pelo povo, mas ignorado pela grande imprensa que se opunha ao seu perfil político nacionalista. Para cumprir o papel de levar o recado do presidente às massas e garantir sua sustentação política, o jornal precisava ser popular e distanciar-se do jornalismo mais elitista que predominava então.
Mesmo tendo trabalhado em jornal desde os 13 anos, e escrito folhetins com o pseudônimo Suzana Flag, a Última Hora foi uma escola para Nelson Rodrigues.

Seus contos da coluna A Vida como ela É... logo se tornaram sucesso de público. Um dos mais famosos é A Dama do Lotação, história da mulher casada que escolhia seus amantes entre os desconhecidos do transporte público, e que se tornou filme. Vamos ver um trecho em que Solange conta ao marido como iniciou as traições com desconhecidos com apenas um mês de casada:
"Mecânico e desconhecido: duas esquinas depois, já cutucara o rapaz: 'Eu desço contigo'. O pobre-diabo tivera medo dessa desconhecida linda e granfa. Saltaram juntos: e esta aventura inverossímil foi a primeira, o ponto de partida para muitas outras".
"Cutucar", "pobre-diabo", "granfa" (corruptela de grã-fina). Todas essas, expressões coloquiais comuns no linguajar carioca dos anos 1950. A ambientação do conto no Rio se dá mais pela linguagem do que por descrições de paisagens e locais.


Tragédia carioca


O que se deu nos contos também ocorreu no teatro. A partir de 1953, Nelson começa suas tragédias cariocas. No palco, histórias de traições, amores proibidos, dramas familiares. Mas agora com doses de humor e os falares cariocas. Ainda que mantivesse a pretensão do início da carreira, de fazer teatro sério (tanto que evitava classificar suas peças como comédias), o autor trazia tipos e situações do ambiente urbano do Rio, e os diálogos acompanhavam isso. Em A Falecida, o marido descobre que a mulher o traía depois que ela morre. Num dos diálogos iniciais, o tal marido, ainda sem saber de nada, conversa animadamente com os parceiros de sinuca:


"TUNINHO - Vou te dizer mais: estou desempregado e outros bichos. Quer dizer, na última lona. Mas estou tão certo, tão certo, que vai ser uma barbada daquelas, que te juro, sob minha palavra de honra, que se eu tivesse dinheiro, sabes o que eu fazia, no domingo, queres saber?

OROMAR - Você é bom de bico!
(Tuninho está numa verdadeira euforia)

TUNINHO - Espera, ouve o resto, seu zebu! Eu entrava no Maracanã. Muito bem. Vamos dar, de barato, que umas 100 mil pessoas assistam ao jogo.(...)

TUNINHO - Seja 150 ou 200 mil pessoas. Não importa. Até aí morreu o Neves. Pois eu, se tivesse o dinheiro meu, no bolso, eu, sozinho, apostava com 200 mil pessoas no Vasco. Havia de esfregar a gaita assim, na cara das 200 mil pessoas, desacatando: 'Seus cabeças-de-bagre! Dois de vantagem e sou Vasco!'

Te juro que ia fazer a minha independência, que ia lavar a égua!".
Para além da ambientação (sinuca, zona norte, referência ao Maracanã), o que confere verossimilhança ao personagem e à situação é seu jeito de falar. "Barbada" para referir-se a um jogo com um evidente favorito; "bom de bico" no lugar de indivíduo que sabe convencer (e até mesmo enganar) os outros com seus argumentos; "dar de barato" por "subestimar"; "até aí morreu o Neves", ou seja, "isso não faz diferença", "não significa nada"; "gaita" no lugar de "dinheiro". E ainda "cabeça-de-bagre" e "lavar a égua", de difícil tradução etimológica. Num pequeno trecho, quantos exemplos de um trabalho sofisticado com a linguagem, tudo para conferir teatralidade à palavra falada. As gírias são parte importante disso, pois são os elementos mais cambiantes da oralidade, marcando bem a expressão oral em determinados contextos e em determinadas épocas.


Combate cultural

E é esse trabalho com a linguagem a base do flerte da obra rodriguiana com a cultura de massas. Não só o cinema, mas a televisão buscou inspiração em seus escritos. Segundo Jesús Martín-Barbero, importante teórico da comunicação, a cultura de massas incorpora, ainda que de forma contraditória e distorcida, elementos da cultura popular que garantem sua aceitação entre amplos estratos da sociedade. As classes populares, tornadas consumidoras de bens culturais, podem reconhecer-se, mesmo parcialmente, naqueles produtos. Isso explica um dos motivos da aceitação popular da obra de Nelson.
Para além dos temas polêmicos, como família e sexualidade, o apelo junto ao público também se dá pelos diálogos plenos de cotidianidade, aproximando histórias e personagens de um público amplo que se reconhece nessas falas. O sucesso de Nelson na indústria cultural se deve em grande medida aos diálogos e à fraseologia popular, que tornam seus personagens tão humanos e reconhecíveis.


Linguagem popular



Mesmo quando, nos anos 1960 e 70, defendeu a ditadura e se assumiu como reacionário, Nelson manteve a busca por uma linguagem popular e utilizou-se disso para rotular a esquerda como formada de intelectuais de classe média que nada entendiam de povo. Com humor devastador, suas crônicas em O Globo fizeram mais pela propaganda do regime que muitos órgãos oficiais destinados a tal fim.
Nessas décadas, Nelson ampliou sua popularidade com as crônicas de futebol. De certo modo, o movimento aí era o inverso. Como cronista, Nelson fazia da narração de um jogo uma aventura literária cheia de referências a Dostoievski, Shakespeare, Proust e outros clássicos. Amarildo era "o possesso", numa clara referência ao livro Os Possessos, do autor russo que Nelson tanto adorava.
Nos dois casos, os contos que buscavam aproximar-se da oralidade e as crônicas que transformavam uma paixão popular em literatura, Nelson defendia a autonomia da criação jornalístico-literária, clamando contra o que ele chamava de "idiotas da objetividade". Estes eram personificados pelos copidesques, profissionais que, orientados pelos padrões do jornalismo estadunidense, cortavam e modificam os textos de jornais para conferir a eles objetividade e concisão. Parecia claro que, para o autor, se a realidade não coubesse na narrativa, pior para a realidade.
Por essas, Nelson Rodrigues acabou conhecido como grande frasista, com tiradas repetidas por gerações, como "O mineiro só é solidário no câncer"; "Toda coerência é, no mínimo, suspeita"; "Na vida, o importante é fracassar", fruto de uma filosofia de bar que é o núcleo de bom senso do senso comum, transmutada em linguagem literária.
E, se toda unanimidade é burra, é claro que essas escolhas estéticas e lingüísticas mereceram críticas dos que viam nelas um empobrecimento no uso da língua, em especial nas peças teatrais. A essas críticas, Nelson Rodrigues respondia:
"Os críticos achavam a minha linguagem pobre. O que eles queriam era a eloqüência, a subliteratura, enquanto eu partia para a palavra viva, ainda suada de vida, suada de rua, suada de cotidiano, suada de paixão. Se não tenho outras virtudes, tenho esta e a reivindico para mim: - a de ter um diálogo extremamente teatral".
Os diálogos que criava, Nelson os admitia "pobres". Mas, completava, só ele sabia o trabalho que dava "empobrecê-los".
Nelson com a palavra

A palavra - Não se adia um olhar, um sorriso, uma frase. Há sempre uma palavra que não devemos calar. Somos perecíveis, mas esquecemos que somos perecíveis.

De "Moacir Padilha" (O Globo, 17/2/1972), em O Reacionário: Memórias e Confissões (Agir, 2008)

A frase Ah, o brasileiro mata e morre por uma frase. Nunca me esqueço de uma crônica dominical do Carlinhos de Oliveira: Terminava assim: - "A solidão do homem é um problema político". Era a chave de ouro. (...) Há um velho e obtuso preconceito, segundo o qual todas as frases querem dizer alguma coisa. Nem sempre. No caso do Carlinhos, nem ele nem a frase querem dizer rigorosamente nada. E foi por isso que Carlinhos a fez, e foi por isso que Carlinhos a publicou. Mas certas frases vivem, precisamente, de mistério e de suspense. A nitidez seria fatal. "A solidão do homem é um problema político." Na pior das hipóteses, há uma melodia e o resultado auditivo basta.

De "A Frase" (O Globo, 5/7/1968), em A Cabra Vadia (Agir, 2007)

O jargão "A superioridade do economista sobre o resto dos mortais é que fala do que ninguém entende. Se uma girafa aparecesse, ali, de repente, não seria tão olhada, apalpada, farejada." De "A Influência das Minissaias nas Leis da Economia" (O Globo, 26/4/1969), em O Reacionário (Agir, 2008)
A metáfora Eis o que me pergunto: - Por que não insistir na imagem bem-sucedida?

Certa vez, vou passando pela porta do cinema Rex. Súbito, ouço o grito triunfal:
- "Óbvio ululante!" Viro-me e vejo, na outra calçada, um lavador de automóvel. Passando a estopa no pára-lama, berra, outra vez: - "Óbvio ululante!"

Faço-lhe um gesto amigo. E o outro pergunta: - "A pronúncia está certa?". De "Nada mais Antigo do que o Passado Recente" (O Globo, 16/5/1969), em O Reacionário

Fôlego renovado

Autor de 17 peças de teatro, nove romances e inúmeros contos e crônicas, Nelson Rodrigues está longe de ter esgotado o interesse por sua obra.
A editora Agir, que desde agosto de 2006 deu início a uma nova fase de relançamentos das obras do jornalista e dramaturgo, promete novos volumes do autor para os próximos meses.
Em novembro, será lançada uma seleção de textos sobre o Rio de Janeiro, seus personagens e situações típicos. Para o ano que vem, chega às livrarias Memórias, A Menina sem Estrelas (coletânea dos textos de Memórias publicadas no jornal Correio da Manhã), além de outros livros, ainda sem títulos, como uma coletânea de entrevistas que ele concedeu ao longo da carreira, uma seleção de frases sobre o amor e uma coletânea de textos esportivos publicados no jornal
Última Hora.
Volumes de peso, literalmente, já foram lançados na nova fase editorial da prosa de Nelson.

A Vida como ela É... traz uma antologia feita pelo próprio autor em 1961 com parte da série (1951-1961) editada no Última Hora, a mesma fonte de Elas Gostam de Apanhar, que traz 26 histórias originalmente reunidas em livro em 1974. Também vieram os livros de crônicas O Óbvio Ululante (1968), O Reacionário: Memórias e Confissões e O Berro Impresso das Manchetes (com textos esportivos produzidos de 1955 a 59 para Manchete Esportiva), o romance O Casamento (1966) e os folhetins O Homem Proibido (1951), Meu Destino é Pecar (1944) e Asfalto Selvagem - Engraçadinha, seus Pecados e seus Amores (1960).