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terça-feira, 30 de junho de 2009

Do meu Báu de Lembranças...




AMOR AO FUTEBOL
ALÉM MAR

Paulo Gomes

Em dezembro de 1993 recebi uma proposta de trabalho para atuar em uma emissora de Portugal, a Rádio Miramar de Lisboa. Em dezembro daquele ano, no dia 29, embarquei para a terrinha dos nossos patrícios. Apesar da bela acolhida e receptividade e do excelente desafio, passei o reveillon mais triste da minha vida.

Rapidamente me adaptei ao país, aos costumes e fiz novos e grandes amigos. Não conseguindo ser indiferente ao esporte local, escolhi um time na nova cidade, que, diga-se de passagem, respira futebol. Incrível a paixão deles. Benfica, Sporting e Porto são verdadeiras religiões dos portugueses.

Escolhi o verde do Sporting por várias razões. Nunca torci pelos clubes de maiores torcidas. O Benfica lá corresponde ao Flamengo, ao Bahia. Apesar de ter tido há pouco tempo antes da minha chegada, o grande zagueiro Ricardo Gomes, uma das crias do meu Fluminense, e claro, um dos meus ídolos.

O Sporting tem como símbolo o Leão, o mesmo do Vitória. Uma
história dedicada aos esportes olímpicos - assim como o Flu - e tinha na época um belo time, onde despontava o jovem Luis Figo.

Mas apesar da nova paixão local - o Leão de Alvalade - eu não conseguia esquecer os verdadeiros amores. Dia de Ba-Vi ou Fla-Flu então, era sofrimento à distância. Não tínhamos ainda o luxo de hoje da Santa Internet e da fartura dos canais a cabo, que passam literalmente tudo 'de cabo a rabo'.

Os jornais O Globo, Folha de S.Paulo e Estadão só chegavam com dois dias de atraso. As revistas semanais, ISTOÉ e VEJA, com uma semana de defasagem.
Os gols do Brasil via TV - somente aos domingos na hora do almoço mas também com uma semana de defasagem. Eram exibidos na TVI, emissora da Igreja Católica e segundo canal de TV comercial surgido em Portugal. Quem apresentava os gols que eles chamavam de "Brasileirão", era o carioca e vascaíno
José Roberto Tedesco que trabalhou na TV Bandeirantes Rio nos anos 80 ao lado de Galvão Bueno, Paulo Stein e Márcio Guedes, época do programa "Bola na Mesa".

O Tedesco - gente finíssima inclusive - foi um dos nossos convidados a comer uma bela feijoada brasileira no apartamento pago pela emissora em que eu eu morava e dividia com outros colegas brazucas da rádio. Um almoço inesquecível de confraternização que só nós brasileiros sabemos fazer...


- A saga da saudade do país do futebol -
Em dias de Ba-Vi ou Fla-Flu, eu endoidava! Como um louco, esperava dar sete da noite (horário daqui), mais de meia noite (horário de lá), para enfrentar o frio que cortava lábios e tinha trilha sonora de filme de terror da noite lisboeta para ir a um orelhão ligar aqui para casa em Salvador para saber de meu irmão caçula Márcio, o resultados dos jogos...

- E aí, quanto foi o jogo?... - E ele:

- O Vitória arrebentou! 4x0! Vampêta fez três!
E eu: - Meu Deus, agora que eu vim embora, é que esses times resolvem arrebentar?!!! Eu tenho que voltar!!!
Outra cena que ficou para sempre na minha memória: Terça-feira sete da manhã, eu lendo as manchetes do programa que apresentava, o ALERTA GERAL:

- "E agora o Esporte"!!! "No futebooool brasileirooooooo"... (era a senha para que todos os brasileiros da rádio largassem o que estavam fazendo para invadir o estúdio esbaforidos para saber o resultado do clássico carioca da rodada, com dois dias de defasagem, mas notícia fresquinha pra nos lá,que chegava no Jornal O GLOBO que eu mesmo comprava) E eu :

-"O FLUMINENSE ARRASOU O FLAMENGO, 3X1!!! SHOW DO SUPER ÉZIO, O ARTILHEIRO TRICOLOR"!!!

E o operador Roger, o 'Gaúcho', rubro-negro roxo, me olhando com cara de choro. Ele que tinha uma "feição mix" de 'Pixote', o menino do famoso filme de Hector Babenco com um bicho preguiça e as olheiras de um guaxinim.
Desespero também dos meus chefes flamenguistas, o diretor Jorge Guimarães e o coordenador Airton Rebello ex-narrador da Globo, Nacional e Tupi do Rio.

Alegria do tricolor Manolo Martins, grande repórter também que foi da Tupi Rio. Lá também trabalhava o vascaíno Antonio Carlos Duarte, hoje integrando o time de esportes da Globo Rio, comandado pelo Garotinho José Carlos Araújo.
Como posso me esquecer das lágrimas que vieram a meus olhos quando recebi uma carta da família e dentro dela, um desenho de meu sobrinho Maurílio, então com quatro anos de idade.
A figura era a de um goleiro com braços imensos que mais parecia os do Homem Borracha do 'Quarteto Fantástico' e a frase escrita com letras tortas e invertidas de criança que soou como manchete para um leitor sedento de notícias: "PAULO, O GOLEIRO DIDA FOI PRO CRUZEIRO!"
Claro, que o choro foi pela saudade e pela atitude do meu sobrinho e não pela inevitável venda do jovem e talentoso goleiro rubro-negro.

Quantas vezes peguei o trem no finalzinho da tarde em Paço D'arcos com destino a Cascais para comprar os jornais brasileiros no Cascais Shopping, na busca louca e fanática pelos resultados dos campeonatos carioca e baiano...

Que exílio! Que dureza ficar longe dos nossos times e do nosso país... Se fosse hoje em dia com a magia da internet, essa macumba dos deuses cibernéticos, a coisa seria fácil demais... Mas será que seriam produzidas situações que resultam hoje nessas doces e gostosas recordações?...

Só mesmo a paixão pelo futebol para fazer coisas assim, que enriquecem o meu baú de lembranças...

sexta-feira, 27 de março de 2009

Tubo do Tempo

'BALANCÊ' & 'PERDIDOS NA NOITE'

Nos anos 80 existia nas noites de sábado um programa de TV divertido, inteligente e surpreendente. Era o "Perdidos na Noite". Nascido no rádio com o nome de "Balancê", o projeto foi levado e adaptado para a televisão numa sugestão do repórter Goulart de Andrade.

Na Rádio Excelsior de São Paulo era apresentado ao meio-dia sob o comando de Osmar Santos e Juarez Soares com a participação dos humoristas, craques da imitações Tatá e Escova (Nelson Tatá Alexandre e Carlos Roberto Isaías "Escova"). Nas viagens de Osmar e Juarez a apresentação ficava a cargo do repórter Fausto Silva.

Na TV, o titular da apresentação ficou sendo o Faustão. O clima era o mesmo: um auditório repleto de estudantes, donas-de-casa, office-boys, jovens em geral, muita bagunça, clima de descontração, atrações inusitadas e bizarras, artistas e personalidades bem à vontade e muita improvisação para encobrir a precariedade de estrutura. Pois era exatamente a deficiência, a força do programa. A geléia geral, a zona era formada a partir disso.

Foi um sucesso. Inicialmente era transmitido apenas para São Paulo por emissoras de menor audiência e alcance como as TV's Gazeta e Record (ainda na fase Pré-IURD), conquistou posteriormente todo o público do país quando passaou a ser transmitido em rede nacional pela Bandeirantes.
A época era de redemocratização do país, e o programa era uma das trincheiras dessa causa, usando bom humor, irreverência e inteligência nas entrevistas e críticas. Tudo gravado ao vivo sem cortes, com o clima quente e a energia positiva e jovial da platéia do Teatro Záccaro.
Que saudades ...

Aqui um pouco desses dois programões que deixaram muitas saudades e a prova de que é possível termos vida inteligente na TV aberta.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Meus ídolos do futebol - Castilho




O MAIOR GOLEIRO DO BRASIL
DE TODOS OS TEMPOS!


Há 22 anos, Castilho pulava do sétimo andar


Há exatos 22 anos, no dia 2 de fevereiro de 1987, o maior goleiro da história do futebol carioca e um dos maiores do Brasil se suicidou. Castilho, eterno camisa 1 do Fluminense, se jogou do sétimo andar do apartamento da ex-mulher, Vilma, em Bonsucesso.

Até hoje, a morte é cercada de muito mistério já que ninguém sabe ao certo o motivo que levou Castilho a tomar tal atitude. Na época, Castilho era técnico da seleção da Arábia Saudita e, em janeiro, sentiu fortes dores de cabeça, sendo submetido a alguns exames que nunca tiveram o resultado publicamente revelado. Para algumas pessoas próximas, Castilho teria na época o que hoje é chamado de transtorno bipolar, segundo a biografia do goleiro 'Castilho Eternizado', de Antônio Carlos Teixeira Rocha. A obra levanta duas suspeitas como causas da morte.

"O laudo (médico) poderia ter acusado alguma enfermidade grave, um tumor irremovível ou mesmo o desenvolvimento de um aneurisma pronto a explodir", diz um trecho do livro, que aborda outra possibilidade. "Outra hipótese seria o rompimento inesperado do relacionamento do casal (ele vivia com a segunda mulher, Evelyna, que se recusou dias antes a ir com Castilho para Riad, na Arábia Saudita).

A separação brusca poderia ser a causa do transtorno mental, levando o goleiro a distúrbios emocionais". Uma parte triste da vida do goleiro, que tem no currículo nada menos do que quatro Copas do Mundo (1950, 1954, 1958, 1962), sendo uma - 1954 - como titular. Pela seleção ganhou ainda a Taça Oswaldo Cruz (1950, 1962), o Pan-Americano (1952) e a Taça Bernardo O'Higgins (1955). Pelo Fluminense, foi tricampeão carioca, bicampeão do Torneio Rio-São Paulo e vencedor da Copa Rio - o Mundial de Clubes da época. É o atleta com mais jogos pelo clube: 699. Saudades...

OBS: Antes do Estadual, o site do GLOBO elegeu a seleção histórica do Campeonato Carioca ouvindo vários jornalistas de vários veículos e várias idades. Castilho foi o goleiro escolhido.
oglobo.globo.com - 2/2/2009

sábado, 17 de janeiro de 2009

Do meu Baú de Lembranças...




Quando a imagem chocante foi espalhada pelos quatro cantos do planeta pelas emissoras de TV, muitos não tiveram dúvidas: "Esse daí já era para o futebol!"
Refiro-me a terrível contusão no joelho do artilheiro Ronaldo quando ainda jogava na Inter de Milão no ano de 2000. Como que por encanto o milagre se deu. Dois anos depois era ele Ronaldo o maior responsável em campo pela conquista do pentacampeonato mundial pela seleção brasileira na Copa do Japão e da Coréia. O nosso camisa 9 foi o artilheiro da competição com 08 gols e autor dos dois gols da vitória por 2x0
na final contra a Alemanha.
Mas voltando ao dia da dor, do choro e do medo quando a rótula do joelho do craque saiu do lugar fazendo um pouco daquela dor ter sido sentida por cada um de nós, eu escrevi uma mensagem e imediatamente pelo site do jogador a enviei como forma de incentivo e força.

Para minha surpresa depois da conquista da Copa, uma campanha publicitária usava as imagens da dor, da superação e da glória de Ronaldo colocando como fundo musical a canção citada por mim na mensagem que mandei dois anos antes para o Fenômeno, a bela
"Tente Outra Vez" do meu ídolo Raul Seixas. Transcrevo aqui as palavras que na ocasião mandei para o craque e artilheiro.


RESISTA RONALDO...
... Porque você é jovem, talentoso, merece o sucesso, e o bom futebol o merece também ...
... porque os torcedores que adoram ver espetáculo, gostam de você ...
... porque nunca se vence uma guerra, se não houver luta ...
... porque você é um privilegiado por Deus que te deu o dom de nascer craque ...
... e também porque apesar de ter conseguido tanta coisa muito cedo, o sucesso “nunca lhe subiu à cabeça” e você permanece com a mesma humildade que Deus lhe deu ...
... porque seus dribles, arrancadas e gols, ainda estão vivos na nossa memória com gostinho de “queremos mais” ...

... porque precisamos de você conosco, para que a seleção continue lutando por mais títulos ...
... e porque também a história está repleta de exemplos de vencedores que caíram várias vezes antes da gloriosa vitória final ...
... porque do seu rosto se vê o semblante ainda de um menino, cheio de alegria e de vontades ...

... porque seu filhinho que chegou ao mundo agora, precisa ter orgulho de você e ver durante muito tempo ainda, como o seu pai é “uma fera” ...
... também porque é importante você mostrar para os seus patrocinadores e patrões, que você é um dos melhores do mundo e que por causa disso, eles precisam te respeitar, te dando o tempo certo, sem pressa nem cobranças, para que você se recupere totalmente e para que saibam que você não é um simples produto de propriedade deles...

... porque os invejosos e pessimistas precisam ver você de novo brilhando, para que calem suas bocas cheias de maldade e de previsões negativas ...
... porque você é bom filho, e os bons filhos merecem sempre o melhor...

... porque você não nasceu pra ser Pelé, nasceu pra ser Ronaldo e como tal, precisa escrever também seu nome no “livro dos melhores” ...
Resista Ronaldo ...
... principalmente porque como dizia Raul Seixas, “Basta ser sincero e desejar profundo você será capaz de sacudir o mundo / e se é de batalhas que se vive à vida, tente outra vez” !

Paulo Gomes, 14/abril/00




quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Blog Documento - Revista O CRUZEIRO




O Cruzeiro - 15 de setembro de 1970

O LADO HUMANO DE WILSON SIMONAL

As reportagens sôbre artistas quase sempre focalizam dois aspectos: a sua vida amorosa e privada, e a sua riqueza, real ou pressuposta.

No primeiro caso, as publicações escandalosas se fartam no devassar de intimidades, dando dimensões extraordinárias a fatos que seriam corriqueiros na vida do homem, comum, que dessas vicissitudes ninguém se livra.

As publicações regulares, em suas colunas especializadas, se fazem mensageiras da cegonha que vai chegar, cupidos de amôres nem sempre verdadeiros, arautos da elegância e do bem-vestir, e também profetas agourentos de desquites e separações.

No segundo caso, a prosperidade do artista, quando levada a público através de qualquer meio de comunicação, traz sempre objetivo oculto. Raramente essa prosperidade, muitas vêzes vista através de poderosas lupas, é exposta e alardeada com a alegria dos que se sentem bem sabendo alguém vitorioso. Pelo contrário, nas entrelinhas há um travo de despeito, de inveja, de amargor.

Partindo dêsse princípio, o artista que se tornou um vitorioso, se compra um automóvel ou um apartamento, se procura garantir o futuro, a velhice, e arruma o chamado pé-de-meia, ao público logo se informa a marca do automóvel, o preço, a área do apartamento em todos os seus detalhes e respectivo custo, o número de letras de câmbio que foram compradas.

Dir-se-á que o artista famoso pertence mais ao público que a si mesmo, e que, por isso, ao público devem ser dadas certas informações. Em têrmos. Porque a insistência em tôrno dos muitos milhares ganhos, dos cachês fabulosos, dos contratos astronômicos - na maioria irreais e fermentados, também, pela máquina publicitária - deixa a impressão de que os seus veiculadores são, na realidade, refinados dedos-duros da fiscalização tributária.

O OUTRO LADO

Se o açodamento publicitário em tôrno da vida privada do artista e de sua prosperidade não tem limites, em contraposição o silêncio sôbre os seus atos de bondade e de desprendimento, também é uma constante. Certo que determinados artistas seguem o preceito de fazer o bem sem saber a quem, escondem quanto podem as suas benemerências, não desejam sôbre elas qualquer tipo de publicidade. Mas, se êsses gestos magnânimos, se essas atitudes raramente encontradas até em indivíduos que já nasceram sob as bênçãos da fortuna, são conhecidas do público, lamentàvelmente ninguém bate palmas, ninguém abre a roda, ninguém grita ôba!

WILSON SIMONAL

Simonal foi um menino pobre. Deu duro, foi tudo na vida, até cobrador fantasiado de vermelho pelas ruas. Hoje, Wilson Simonal é artista famoso e o seu nome lota estádios. Simonal é um artista caro. Quem o contrata sabe que vai ganhar dinheiro, muito dinheiro. Êle paga o seu conjunto musical, os Simonautas, constituído de excelentes músicos. Mas, quando se publica que o cachê de Simonal é de 30.000 cruzeiros, há o espanto!

O que não se diz, o que não causa espanto, é que Simonal, sendo um artista caro, é também uma excelente figura humana, apresentando-se sem ganhar um centavo, quando se trata de cantar para os que precisam. E queremos aqui dar o nosso testemunho, de público.

Procuramos Simonal para fazer um número - um só número - no Programa Flávio Cavalcanti. Simonal impôs condições:
- Só se fôr um show de quarenta e cinco minutos, sem interrupção produzido pela minha própria agência, a Simonal Produções. Sairá um espetáculo da pesada...
- Tá bem, Simona, mas quanto vai custar isso tudo?
- Precinho camarada, de amigo: 30.000 cruzeiros...

A equipe de produção estremeceu. Não havia essa verba. Estava estourada. Mas aí entrou a Shell. Deu o dinheiro a Flávio Cavalcanti para pagar ao Simonal. Simonal recebeu o dinheiro e devolveu a Flávio Cavalcanti: para a Casa dos Meninos de Petrópolis.

Oitenta crianças desvalidas foram beneficiadas por Wilson Simonal. Os artistas que ganham muito, que ganham bem, que ganham o que realmente merecem, também têm dessas coisas. Mas o silêncio é profundo. Mas Deus acaba sabendo de tudo.



O Cruzeiro on line é um trabalho de preservação histórica do site Memória Viva - http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro/

PARA CONHECER MAIS SOBRE A REVISTA O CRUZEIRO CLIQUE NO LINK : http://pt.wikipedia.org/wiki/Revista_O_Cruzeiro

PARA CONHECER MAIS SOBRE WILSON SIMONAL:

sábado, 22 de novembro de 2008

A BUFFA! - O Jornal que bota pra feder!!


Em 1988 eu e meu amigo Léon Danon Neto -
criamos no colégio em que estudávamos em Salvador - o Raphael Serravalle - uma publicação de humor cáustico e anárquico:A Buffa, o que bota pra feder! (clique na foto ao lado para ver ampliada a capa do histórico nº 01).
De fato causou um impacto semelhante a um fedido pum - essa era exatamente a nossa intenção, daí a escolha desse nome e da logomarca que trazia sempre uma mulher com o buzanfã pra cima de onde saia a manchete principal em formato de nuvenzinha de bufa usada nas histórias em quadrinho (foto).
Os editores fictícios desse pasquim serravaliano eram Cacá Stallone e Víktor Vava-vum, evidentemente pseudônimos que escolhemos para 'não dar na pinta' que era a dupla Paulo Gomes e Lèon Danon, respetivamente presidente e diretor de imprensa do Grêmio os soltadores daquela fedida bufa. Claro que o recurso foi ridículo, pois ninguém mais na escola fazia aquele tipo de trabalho. O meu texto e os desenhos de Léon , vulgo Pato Manco, eram por demais manjados. Quase deu polícia, pois a diretora da escola que nos adorava, ficou revoltadíssima. Ela não entendeu a coisa, pensou que nosso objetivo fosse sórdido, coisa que não era mesmo!

Queríamos sim, era sacudir a escola em todos os sentidos, motivando a galera
-superalienada diga-se de passagem- a despertar e ter uma atitude. E também colocar pra fora a nossa - modéstia à parte-, latente criatividade.

As seções eram:

PELO AVESSO - Perfil especial dos personagens do colégio

BOLA MURCHA - Escrita por Raimundo Variola e Ivãn Pedra

CRUZ CREDO - Espaço religioso e ecumênico de responsabilidade de Pastor Alemão (evangélico), Maria Padilha (macumba), Divaldo Franco Favorito (kardecista)

DESCALABRO - Foto bizarra e ácida que ilustrava grandes fatos e sacanagens

IMPRESSA MARROM - Fofocas e maldades de Carlos Canalha Imperial

SEX'ÓRGIA -Nelsimar Putinho e Dra. Suzana Clitóris

UM CHUTE NO SACO - Coluna Punk escrita pelos Punks Pirrony e Mêyo

SURUBA DO SALOMÃO - Coluna cultural Wally 'Gaytor' Salomão


No primeiro capítulo dessa série review vamos publicar a coluna CRUZ CREDO. Que coloco na postagem logo abaixo.
CLIQUEM NA ILUSTRAÇÃO ACIMA PARA VEREM A CAPA DA HISTÓRICA EDIÇÃO DO NÚMERO 01 DA BUFFA.













PASTOR ALEMÃO, COLUNISTA EXCLUSIVO
DE
CRUZ
R
E
D
O
ESCREVE O ARTIGO:
A INDÚ$TRIA DA FÉ!

Cruz Credo - A BUFFA! - Agosto de 1988







A INDÚ$TRIA DA FÉ $$$

Por Pastor Alemão


Irmãos, muito tem se perguntado, por que existem hoje em dia tantas religiões. É fácil entender. A crise monstruosa que pas- samos, sem nenhuma dúvida, é o principal fator. Isto é: a falta de grana, o desemprego e a falta de perspectivas.
É sabido que um grande campo de trabalho nos dias atuais é ser pastor-exorcista. De ponta a ponta do país as chamadas religiões do “Sai Capeta!” estão presentes.
As emissoras de rádio e TV estão sendo invadidas por programas tipo: “Despertar da Fé”,”Minuto da Fé”, “Instante da Fé” e “Fé na hora do café”. E temos novas religiões desse mesmo ramo como “A Igreja de Zebu”, ”Vale quanto reza e (e pesa)”,”Faça sua oferta que nós fazemos o milagre”, ETC.
Não obstante,observamos o progresso econômico-financeiro das chamadas religiões convencionais ou velhas religiões. O Papa
desfila pelas ruas do Vaticano com o seu novo modelo conversível e envenenado do papamóvel. A Igreja Pentelhacostal já possui suas próprias emissoras de rádio onde transmitem o dia inteiro suas gritarias e histerismos.
A não menos famosa José Sarney, o Santo dos últimos dias, já mandou construir em São Luís, uma estátua do Presidente Ribamar do tamanho do Cristo Redentor. A obra será financiada pela EMBRATUR que visa com essa jogada, difundir os ensinamentos da nova seita, e de quebra, incrementar o turismo no Maranhão.
É de fato muito curioso... A proliferação das concorrentes da fé virou algo insuportável. Tem igrejas que aceitam qualquer tipo de oferta dos fiéis-contribuintes. A farra inclui: vale-transporte, Tíquete Restaurante, cofre formato porquinho, enfim, uma verdadeira orgia da fé.
Nós da Igreja Hitler estava certo, temos uma maneira diferente de encarar a problemática das massas. Se observamos que o indivíduo está numa situação negra - bem ruim mesmo-, jamais o exploramos, ou arrancamos dinheiro do infeliz. Lhes recomendamos a única saída confortável, rápida e barata: o suicídio!
Desta forma, se os espíritas estiverem certos, ele terá nova oportunidade depois, isto é, o seu espírito. Que virá assim numa nova encadernação com um corpinho novo, talvez em um país melhor e o que é alentador, sem os problemas que tanto o atormentava!
E tenho dito Au-Au!


PASTOR ALEMÃO.
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sábado, 15 de novembro de 2008

Meu Baú de Lembranças


FOTO DE 1990 - TRANSAMÉRICA FM DE SALVADOR
PAULO GOMES E FRANCIS DIAS
NO PROGRAMA 'FIM DE TARDE' ONDE FAZÍAMOS OS
PERSONAGENS "JOSÉ FERNANDO" E "ESTÁCIO ALVARENGA".

O PROGRAMA E A EMISSORA CHEGARAM AO 1º LUGAR EM
AUDIÊNCIA E DEPOIS FOI APRESENTADO EM PORTUGAL
NA RÁDIO MIRAMAR FM DE LISBOA, REBATIZADO DE
'ALERTA GERAL'
CLIQUE NA FOTO PARA VÊ-LA AMPLIADA





segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Baú de lembranças - Paulo Gomes


Há mais ou menos uns seis anos, depois de influenciar uma colega de trabalho que estava na dúvida em que rumo seguir a prestar vestibular para jornalismo, me senti na obrigação de também passar para ela (depois que foi aprovada) uma espécie de 'manual básico do jornalista'. Aquilo que considero fundamental para o exercício dessa bela profissão.

Grande ironia, pois isso posto por mim, que nunca cursei nenhuma Faculdade, poderia soar como intromissão gaiata e irresponsável. Mas o que me "credenciava" digamos assim a ter aquela atitude era a minha incursão na prática nesse mundo. Pois desde a época de ginásio e 2º grau nos anos 80, dava minhas cacetadas como 'embrião de jornalista' ao criar e editar dois informativos de excelente aceitação no meio estudantil: O sério FOLHA DO ESTUDANTE e o humorístico

A BUFFA, o jornal que bota pra feder! Ambos em parceria com meu colega de sala e de repetência e grande amigo Lèon Danon Neto extraordinário desenhista.


Vejam se passei mais ou menos certa a 'receita do bolo'...




OS DEZ MANDAMENTOS DO JORNALISTA
01 - TER UM COMPROMISSO ETERNO E FIEL COM A VERDADE , COM A JUSTIÇA E COM A SOLIDARIEDADE

02 - NUNCA COLOCAR SEU TALENTO E SUA PROFISSÃO (COM O PRETEXTO DE QUE PRECISA GANHAR DINHEIRO) A SERVIÇO DE CAUSAS E PESSOAS MÁS. TER A CONSCIÊNCIA LIMPA E TER INDEPENDÊNCIA, SÃO COISAS FUNDAMENTAIS

03 - LER, LER E LER... OS BONS AUTORES , OS BONS COLUNISTAS, OS BONS LIVROS, OS BONS JORNAIS

04 - "COMER GRAMÁTICA" COMO SE COME ARROZ E FEIJÃO, POIS

A PARTIR DE AGORA, A LÍNGUA, O IDIOMA SERÁ SUA FERRAMENTA DE TRABALHO;

05 - BEBER DE TODA FONTE DE CULTURA. O JORNALISTA É ANTES DE TUDO, OS OLHOS DO MUNDO. UM OBSERVADOR E RALATOR DAS COISAS. PORTANTO, QUANTO MAIS CULTURA E INFORMAÇÃO TIVER, MAIS COMPLETO E SEGURO SERÁ;

06 - SER OBSERVADOR, SEM SER BISBILHOTEIRO. SER ATENTO E DETERMINADO, SEM SE TORNAR UM ARAPONGA. SER UM BOM DIVULGADOR DOS FATOS, SEM SER FOFOQUEIRO;

07 - FAZER DA VERDADE O SEU ÚNICO RUMO E LEMA DA SUA PROFISSÃO;

08 - ESCREVER, CORRIGIR, REFAZER, TER SENSO CRÍTICO E ACHAR QUE SEMPRE PODE FAZER MELHOR , ALÉM DE NUNCA QUERER SE COLOCAR COMO "ESTRELA DA NOTÍCIA"... A "ESTRELA" SEMPRE SERÁ O FATO. SEJA HUMILDE E SAIBA DRIBLAR AS ARMADILHAS DA VAIDADE...

09 - BUSCAR A OBJETIVIDADE, A SIMPLICIDADE QUANDO FOR ESCREVER OU APRESENTAR QUALQUER MATÉRIA. O JORNALISMO É A ARTE DE FALAR PARA TODOS, INFORMAR Á TODOS. PORTANTO, QUANTO MAIS SIMPLES VOCÊ FOR, MELHOR COMPEREENDIDA SERÁ

10 - SEMPRE QUE TENHA ALGUMA DÚVIDA, PROCURAR A AJUDA DE QUEM "TENHA FARINHA NO SACO".... NESSE CASO, TEVES SORTE, POIS PODE TER SEMPRE ESSE "PROFESSOR" AQUI À SUA DISPOSIÇÃO...




Em tempo informo que esse 10º ítem não é uma prova de exacerbada vaidade da minha parte, pois não sou "professor" de coisa alguma. Foi mesmo uma isca para tentar fisgar a garota em estratégica arapuca...


Claro, como se diz aqui na Bahia: "ninguém é menino"....