Mostrando postagens com marcador POESIA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador POESIA. Mostrar todas as postagens

domingo, 26 de junho de 2011

SALA DE ESPERA - POESIA FALADA




SALA DE ESPERA
De Raul Seixas
Interpretação e produção Ewerton Mattos
Colaboração Paulo Gomes

www.boaprosa.com.br - BOA PROSA na CBN SALVADOR 100,7 FM de segunda à sábado de 09 às 11:30 dentro do JORNAL CBN SALVADOR - pode ser ouvida na internet pelo Portal Ibahia.com - www.ibahia.com

sábado, 25 de junho de 2011

POESIA FALADA - TERRA RACHADA




TERRA RACHADA
De Paulo Gomes
Narração Ewerton Mattos


É Sertão
     sol vermelho, muita sede
     árida vegetação
     terra rachada ...

Céu azul, canaviais
     mandacaru
     meninos de barriga inchada
     terra rachada ...

Falta água, falta pão
     sobra fé no meu “Santo Antão”
     terra rachada ...
 
     Casebres de pau-a-pique
     pau-de-arara
     benzedeiras, reza, procissão
     missa enjoada,
     terra rachada
 
Macaxeira, gengibre
     coco, cabaça e melão
     jabá e milho verde,
     a feira é sortida,
     mas a mesa farta,
     é só sonho, ilusão
     terra rachada ...

     Asa Branca, Pintassilgo,
     papa-Capim e Rouxinol
     Coruja, Pombo do Mato,
     Urubu-Rei : carniça á vista !
     terra rachada

Sivuca de mil forrós
      Dominguinhos,
      Osvaldinho do acordeão,
      repentistas,
      Luiz Gonzaga, “Rei do Baião’
      terra rachada ... 
 
Muié-dama, rapariga
     “batê de coxa”,
      brega, briga !
      terra rachada ...
 
 Borborema, Caruaru
      Exu e Cariri
      Sergipano “cara larga”
      Lampião e Padim Ciço
      cearense “cabeça chata”
      terra rachada ... 

Nordestino, sofredor
     “paciência, meu sinhô” ...
     “é antes de tudo, um forte”...
      quando chove dá pinote,
      de alegria, de emoção
      terra rachada ...  

 8/7/87



OUÇA TAMBÉM OUTROS POEMAS E TEXTOS NARRADOS NA VOZ DE EWERTON MATTOS NO SITE  www.boaprosa.com.br

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O IMPACIENTE TERMINAL - POESIA FALADA


O IMPACIENTE TERMINAL
De: Chico Seixas
Narração: Ewerton Mattos


O IMPACIENTE TERMINAL
Minha mente inquieta,
me faz ás vezes brutamontes,
ás vezes poeta,
um impaciente terminal
vulnerável à aporrinhações
e sem blindagem no saco escrotal...

Pavio curto, tolerância zero
que decreta guerra aberta
com vigilância, atenta, esperta
distância de certas sacanagens é o que quero...

O impaciente terminal não tolera,
não compactua, não “joga pra galera”
não faz média na mídia, não finge, não falseia
não se torna agradável
para ser palatável ao deguste dos canalhas,
para depois envergonhado não ter que cinicamente dizer:
“perdoem à nossa falha”...

Vira o canal quando aparece na tela
os “detonas”, “os varíolas”, “os panelas”...
os que trazem fome e sangue nas bocas médias, pequenas e grandes
que adoram uma boquinha,,, Bocas de rinoceronte em gente de alma miúda -
Que causa asco na vestimenta moderna de carrasco
politiqueiros e engravatados de fome graúda
Insaciáveis, insensíveis, miseráveis

O impaciente terminal não é um homem-bomba
por ser radical,
usa o isolamento como vacina,
a distância que protege do convívio que contamina
No ar que não pode com eles ser compartilhado
por serem fontes que deixam o horizonte
infestado...

Ser impaciente terminal é lutar para ser coerente
é tentar trilhar decente
nos caminhos cada vez mais difíceis
dessa vida doente...


CONHEÇAM OUTRAS NARRAÇÕES DE EWERTON MATTOS NO EXCELENTE SITE: www.boaprosa.com.br

domingo, 23 de janeiro de 2011

Poesia














DESTRUIDOR DO MUNDO


O Homem:
destruidor do mundo,
não sabe nem por quê
mais não pode parar
o Homem :
capacidade pura,
inteligência rara,
mas não sabe usá-las
Impune,
ele vai destruindo
o que é de todos nós,
o nosso habitat
florestas, seres humanos,
animais e mares,
o que ele ver na frente
“a ordem é executar!”
não pensa em quem
não quer ter,
o fim que se desenha :
destruição total !
não sabe,
que o final dos tempos,
o dito apocalipse
é ele que faz
inconsciente,
vai semeando
a extinção da vida,
depois irá colher
não admite que é na Natureza,
que está a força viva
da vida dos humanos
não respeita a obra do Divino
tudo que ele nos deu ,
e vai destruindo ...
agonizado,
irá se arrepender
mas já será tarde
não haverá o que fazer ...

Paulo Gomes - 31/01/86

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Poetando








Acaciano




Sábio Aquele Que É Seu Lugar conhecê ;
Conhecê uma Esquerda e Direita um andar do Seu ;
O norte e o sul de SUA Própria sorte ;
Foge do CALOR mortal com uma picardia do condor ;
O Importante , porém,
Para a Sabedoria fundamental
é conhecer o Seu Lugar , SUA serventia .

Aquele Lugar Que Não Permite, de ida,
Volta, partida OU fuga .
Sábio É o Homem Que Caminha
Sair sem fazer Lugar.
Sábio o E Que Trata Homem
" Galáxia Distante " Seu bar Como.

Livro Gaiteiro Velho, Brasil Ed.Bertrand , 2003

domingo, 31 de maio de 2009

Poetando


Essa poesia faz parte do meu livro "Hecatombe, a dimensão espatifada!"


ALFABETO BRASILEIRO


Paulo Gomes


A ntes de qualquer coisa, o Brasil não é um país sério
B rinquedo nas mãos dos gringos
C ontinente no tamanho, “Nélson Ned” na vergonha
D eus com certeza, não é brasileiro
E pidemias e mosquitos ainda matam esse povo
F aminta pátria amada
G igante adormecido, será que acorda ?
H averemos de um dia chegar lá
I ntelectuais, artistas e poetas, “às pampas temos”
J ânio por favor NÃO !!!!!!
L argos sorrisos estampam nos rostos burgueses
M iséria e pobreza, nos rostos humildes
N inguém contesta que esse é o país do futuro
O utros invejosos, tentam destruí-lo
P atriciado, segundo Darcy
“Q ue país é esse ?” pergunta Russo, o candango Renato
R atos, tubarões e corvos, formam a fauna política tupiniquim
S audade temos de Getúlio, Jango, J.K. e Tancredo
T udo um dia será diferente
U rutus e fuzis sempre ameaçam
V eremos isso aqui ainda virar potência
“Xucarramães”, tupis, guaranis serão orgulho nacional
Z arpa esse povo para uma “virada histórica”, basta querer...

3/8/88

sexta-feira, 20 de março de 2009

Poetando



Contraponto

Impossível saber
o que há de melhor,
o que mais me encanta
numa mulher ...

Em umas certamente é o jeito sedutor
em outras a timidez,
em tantas, o poder felino conquistador
das caçadoras,
nas discretas e meigas,
o jeito de quem adora ser conquistada,
caçada...

em umas, a beleza dos pés,
o jeito sério...
em algumas outras, os ombros imponentes
a gostosa risada...

Numas, o cabelo louro,
noutras, o cabelo negro

Em muitas, o perfume afrodisíaco
em outras tantas, o aroma da água de cheiro

Em umas, o abraço-meio
em outras, o beijo-inteiro

é notável e eu gosto da inteligência de algumas
e da ingenuidade de muitas outras

Adoro a "loirice",,
a morenice,
a negritude ...

E quem foi que disse
que é defeito o jeito
de quem quase nunca se mete em nada ? ....
mas é também admirável
as mulheres de atitude, que enfrentam
com a gente qualquer parada...

de umas, a forte personalidade
de outras ,o dengo,
a entrega, a cumplicidade

de umas a mania de usar um batom
gostoso e fatal,
de outras o jeito de deixar
os lábios ao sabor natural

Os fartos peitos de umas
os deliciosos peitinhos de outras...

De algumas, o querer ser dona
de outras, o adorar ser propriedade

E até o jeito de mentir de algumas
e de outras tantas, a ferrenha sinceridade...

De umas , a quase santidade
de outras, a vocação de ser safada

o querer sufocar de tanto amar de uma
e da outra o simples gosto de ser amada

Adoro as que irritam por serem tão ciumentas
e não resisto as que adoram matar a gente de ciúme
as que tem o cheiro do suór natural
e as que adoram se banhar de caro e chique perfume

são irresistivéis as ninfêtas de 15
e deliciosas as balzacas de 33

maravilhosa, a sapeca estudante,
perfeita, a charmosa professora...

As que se contentam com um misto quente
e as que estouram o cartão de crédito da gente..

Ah como sou babaca...
em todas há beleza, encanto
tenho que destacar tudo
tenho que escolher todas:

as amigas, as esposas,
as amantes ...
as românticas que juram amor eterno
as objetivas e rapidas "ficantes"'

as que ligam apenas para dizer
"te amo"...

As que fazem a comida mais simples,
parecer um verdadeiro banquete...

as que nas madrugadas nos diz no ouvido
que serão nossas por todas as vidas
na atual e nas que virão

as que adoram nos esquentar no inverno
e passear de mãos dadas nos fins de tarde
de verão

eu vejo a mulher ideal em tantas coisas
na beleza interior,
no gostar de viver, no querer
no bonito visual
no corpo, na alma
no astral...

Paulo Gomes,
28/agosto/03

terça-feira, 17 de março de 2009

Cultura



Poema atribuído a Neruda
é da brasileira Martha Medeiros



O poema Muere Lentamente (Morre Lentamente), atribuído por engano a Pablo Neruda, circula há anos na Internet sem que nada nem ninguém seja capaz de deter a bola de neve, ao ponto de, na Espanha, muitas pessoas terem recebido esses versos como votos online de um feliz ano-novo.


"Morre lentamente quem não viaja,/ quem não lê,/ quem não ouve música,/ quem não encontra graça em si mesmo./ Morre lentamente/ quem destrói seu amor próprio,/ quem não se deixa ajudar..."


Assim começa o poema que não se chama Morre Lentamente, mas A Morte Devagar, que não é do poeta chileno como assegurou à EFE a Fundação Pablo Neruda, mas da escritora e poeta brasileira Martha Medeiros. O próprio jornal Estampa, de dezembro, do Sintrafesc, cometeu o mesmo equívoco e, por isso, pede desculpas aos leitores.


Este verso e outros mais circulam na internet há muito tempo e "não sabemos quem os atribuiu a Neruda, mas os nerudianos que temos consultado não os conhecem", afirma Adriana Valenzuela, bibliotecária da Fundação. Porque não é apenas Muere Lentamente o único "falso Neruda" que encontram os internautas. Também costumam atribuir ao autor do Canto Geral os poemas Queda Prohibido, que é de Alfredo Cuervo, escritor e jornalista espanhol, e Nunca Te Quejes, de autor ignorado pela Fundação.


O diretor executivo da Fundação, Fernando Sáez, diz que não é a primeira vez nem será a última, que as pessoas imputem a um poeta famoso textos que ele jamais escreveu e cuja autoria é desconhecida. Um dos enganos do gênero aconteceu com um famoso texto atribuído a Borges sobre as maravilhas da vida, que nem com sua maior ironia ele teria suportado e menos ainda escrito. O suposto poema de Borges, Instantes, segundo esclareceu a viúva do escritor, María Kodama, é de autoria da escritora norte-americana Nadine Stair.


Mais estrondoso ainda foi o falso apócrifo atribuído a Gabriel García Márquez, La Marioneta, com o qual o prêmio Nobel de Literatura colombiano se despedia de seus amigos, após saber que estava com um câncer. "Se por um instante Deus se esqueceu de que sou um marionete de pano e me presenteasse com um pouco mais de vida, aproveitaria esse tempo o mais que pudesse..." diz o texto cuja "autoria" quase matou de verdade García Márquez, como ele mesmo disse ao desmentir que o poema fosse criação sua. "O que pode me matar é a vergonha de que alguém acredite de verdade que fui eu que escrevi", disse Gabo.


Muere Lentamente é uma poesia da escritora brasileira Martha Medeiros, autora de numerosos livros e cronista do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, conforme informou à EFE a Fundação Neruda. Cansada de ver as pessoas dizendo que o poema é do poeta chileno, a própria escritora entrou em contato com a Fundação Neruda para esclarecer a autoria do texto, pois os versos coincidem em grande parte com seu texto A Morte Devagar, publicado em 2000, às vésperas do Dia dos Mortos. Em declarações à EFE, Martha reconhece que não sabe como o poema começou a circular na internet, já que há "muitos textos" seus que estão na rede "como se fossem de outros autores". "Infelizmente, não há nada a fazer", acrescenta.


A poeta e romancista brasileira de 47 anos admira profundamente o poeta chileno Pablo Neruda, de quem se declara uma fã, mas prefere que "cada um tenha seu trabalho reconhecido". No entanto, não perde o sono com essas coisas e assegura que tem "humor suficiente para rir de tudo isso". A Fundação concorda com Martha e afirma que pouco pode ser feito para deter esta bola de neve na rede, já que ao fazermos uma busca no Google sobre o poema Muere Lentamente associado ao nome do poeta Pablo Neruda, vão aparecer milhares de referências ao poema associado ao nome do poeta.


QUEM MORRE?


Morre lentamente Quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem não encontra graça em si mesmo
Morre lentamente
Quem destrói seu amor próprio,
Quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito
Repetindo todos os dias os mesmos trajeto,
Quem não muda de marca,
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem evita uma paixão e seu redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos e os corações aos tropeços.
Morre lentamente
Quem não vira a mesa quando está infeliz
Com o seu trabalho, ou amor,
Quem não arrisca o certo pelo incerto
Para ir atrás de um sonho,
Quem não se permite, pelo menos uma vez na vida,
Fugir dos conselhos sensatos...
Viva hoje! Arrisque hoje!
Faça hoje!
Não se deixe morrer lentamente!
NÃO SE ESQUEÇA DE SER FELIZ.
QUERO AQUI REPARAR O NOSSO ERRO. TAMBÉM EMBARCAMOS NA INFORMAÇÃO ERRÔNEA DE QUE O BONITO POETA ERA DO EXTRAORDIÁRIO PABLO NERUDA. GRAÇAS A UMA PROVIDENCIAL MENSAGEM DE MINHA AMIGA INTERNAUTA REGINA COELI - AMIGA ORKUTEIRA E TRICOLOR DIGA-SE DE PASSAGEM-, FAZEMOS AGORA O DEVIDO REPARO COM A ALEGRIA DE SABER QUE AS BELAS PALAVRAS DO POEMA SÃO DE UMA MULHER, BRASILEIRA, GAÚCHA MAIS PRECISAMENTE.
SAIBA UM POUCO MAIS SOBRE ELA :
Filha de José Bernardo Barreto de Medeiros e Isabel Matos de Medeiros, é colunista do jornal Zero Hora de Porto Alegre, e de O Globo, do Rio de Janeiro. Casou-se com o publicitário Luiz Telmo de Oliveira Ramos e tem duas filhas. Formou-se em 1982 na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre.
Trabalhou em propaganda e publicidade, mas logo se sentiu frustrada com a carreira. Quando seu marido recebeu uma proposta de trabalho no Chile, decidiu que uma mudança de país seria uma ótima oportunidade para dar um tempo na profissão. Esta estada de nove meses no Chile, na qual passou escrevendo poesia, acabou sendo um divisor de águas na sua vida. Quando voltou para Porto Alegre, começou a escrever crônicas para jornal e, a partir daí, sua carreira literária deslanchou.
Obras publicadas:

Strip-Tease (1985),
Meia noite e um quarto (1987)
Persona non grata (1991)
De Cara Lavada (1995)
Poesia Reunida (1998)
Geração Bivolt (1995)
Topless (1997)
Santiago do Chile (1996).
Trem-Bala (1999) - livro de crônicas já na nona edição, adaptado com sucesso para o teatro,
sob direção de Irene Brietzke.
Non Stop (2000)
Cartas Extraviadas e Outros Poemas (2000)
Divã (2002)
Montanha-Russa (2003)
Esquisita como Eu (2004)
Tudo que Eu Queria te Dizer (2007) - infantil
Doidas e Santas (2008) - livro de crônicas

terça-feira, 10 de março de 2009

Poesia


Morre lentamentePablo Neruda

Morre lentamente quem não viaja,quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo
Morre lentamente quem destrói seu amor próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma
em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos,
quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor ou
não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is"
em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando
está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir
atrás de um sonho, quem não se permite
pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos,
da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
Quem não pergunta sobre um assunto que desconhece ou
não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.

Pablo Neruda

PESQUISE SOBRE PABLO NERUDA - http://pt.wikipedia.org/wiki/Pablo_Neruda

sábado, 7 de março de 2009

Dia Internacional da Mulher - Homenagem




TODAS AS MULHERES DO MUNDO

Essa Rita,
essa Maria,
essa rotina,
essa romaria
em busca de paz...
Essa Ana,
essa Luíza,
essa fulana,
aquela juíza,
tão frágeis,
na mão de qualquer rapaz...

Essa Neuza,
essa Conceição,
essa formosa deusa
que apesar da diária decepção
não se rende a tristeza
e consegue ainda ser feliz
e lutar ...

Essa Joana,
essa Tereza,
essa Jonaide
com certeza,
mulheres de verdade

Mães até dos seus homens
operárias, heroínas anônimas
amantes, guerreiras diárias

Cora, Elke, Dercy, Zezé, Zizi
Christiane, Carmem, Joselita,
Albertina, Lucélia, Lígia,
Nívia, Baby, Bete,
Eugênia, Mônica, Eliane
Isabelina, Isabela, Coralina,
Marina, Helena,
Rosa, Heloísa,
Anézia, Anaide,
Amália, Adélia,
Todas “amélias” ...

Os filhos, os maridos
a própria vida, os sonhos
quase mortos
ou ainda sofridos,
a luta, o filho quase homem
a sede, a fome,
o futuro,
tudo, tudo
as preocupam...

O choro, a dor, a reza
a ausência, a traição,
a pátria, o pão
a família...
dela, a menopausa,
da filha a gravidez precoce,
a menstruação
e ainda quando sobra tempo,
os amores, o coração ....

Tudo compondo
a cabeça, a alma,
o sentimento dessas
frágeis-fortes damas
donas do mundo,
ainda que isso seja apenas
um desejo utópico e profundo
de um poeta ...

Paulo Gomes,
14/12/95

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Reflexões Momescas - Paulo Gomes


















CARNAVAL REAL
É tempo de festa, alegria,“é carnaval” ...
esqueçamos os problemas,
a ordem é se divertir“ô lê-lê” ...
as contas a pagar ...“ô lá-lá”...
as traições do sistema“ziriguidum”
o realinhamento (que é aumento)“ôba, ôba”...
as torturas aos honestos“Colombina eu te amei” ....
a repressão feroz “ti-ti-ti, deboche, frevo”...
a falta de trabalho e pão“atrás do trio elétrico”...
crianças morrem de fome“oh, quantos palhaços no salão” ...
a dívida que pagamos pelo que não gastamos
mas “é carnaval, que legal” ...
28/2/87


DAY AFTER

Tudo era festa na avenida
havia alegria e serpentina
todo mundo em loucas transações
mas nos negros gabinetes
haviam outras “armações”
o povo era louco e endiabrado
e “eles” eram mal intencionados
bolavam seus esquemas “pós e após”
depois liquidavam de netos a avós !
enquanto se dançava, se esquecia
a vida de miséria e de agonia mas
o pior estava por vir
dos céus do Planalto “pacotes” vão cair!
em cima da cabeça do povinho ...
tudo tava pronto e bem prontinho
agora é só jogar e tudo bem
a ressaca será uma forte aliada
o corpo tá dormente e dolorido
o “day after” do Momo deixa um rastro bem fedido...

1988

Poemas do Livro "Hecatombe, a dimensão espatifada!" de Paulo Gomes

domingo, 11 de janeiro de 2009

Poetando


"A loucura é a explosão do que está adormecido,

é a erupção do que está contido,

é a espontaneidade vindo à tona,
é o inesperado que detona

É a pura manifestação do Ser em ebulição
e na plenitude

É a rebelde e santa atitude
do transgredir e do transcender!

Viva a Loucura!

A loucura boa e sadia

que move, muda, dá colorido e vida a tudo!"


Paulo Gomes

11.01.2009

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Poesia - Homenagem à Bahia



DUALIDADES E
UNANIMIDADES
BAIANAS
Há quem se divida entre...
Bahia-Vitória,
Daniela-Ivete,
acarajé-abará,
Itapuã-Rio Vermelho,
Cira-Dinha,
Dodô e Osmar
Waldir-Malvadeza,
muqueca de camarão-bobó,
Caetano-Gil,
Pituba-Amaralina,
Douglas-Osni,
Aratu Canal 4-Itapoan Canal 5,
Itabuna-Ilhéus,
Divaldo-Medrado,
Armandinho-Pepeu,
Duda-Nizan
Mestres Pastinha e Bimba,
Beijoca-André Catimba,
Gantois-Bonfim,
Bahiano-Associação,
Circuitos Barra e Campo Grande,
Yemanjá-Conceição,
Bethânia-Gal,
02 de fevereiro-08 de dezembro,
São João-Carnaval ...
Mas algumas coisas são únicas e sagradas...
... o canto e o mar de Caymmi,
a poesia de Castro Alves,
uma água de coco,
Jorge Amado,
A magia de Mãe Menininha,
o som e o desenho do berimbau,
as dunas e Lagoa do Abaeté,
a sorveteria da Ribeira,
o trio elétrico,
as delícias de Dadá,
o violão de João Gilberto,
a inteligência de Armando Oliveira,
a beleza de Itaparica,
o pôr-do-sol da Ponta de Humaitá,
Raul Seixas,
o TCA
a sabedoria de Cid Teixeira,
o Elevador Lacerda,
Glauber,
A malandragem de Riachão,
a santidade de Irmã Dulce,
os Filhos de Gandhi,
o Ilê, Olodum
Ruy Barbosa,
a nossa gente,
Acelino Popó,

o “A Tarde”
e o “óxente”...

Paulo Gomes, 18.12.04

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Homenagem - Poesia - Chico e Raul




Tenho dois grandes ídolos na música: Chico Buarque e Raul Seixas. Chico desde a infância quando via meu pai ouvindo canções como A Banda, A Rita, Olê, Olá, Carolina, Roda-Viva e tantas outras e minha mãe a ouvir "Olhos nos olhos" principalmente no mesmo disco que tinha "O que será", Mulheres de Atenas", "Meu Caro Amigo" ETC...

Raulzito eu descobri já adolescente e aí foi para a vida toda. Com o peso de sua obra e de sua vida influenciando na minha em muita coisa. Mas sempre fiquei preocupado como os outros viam essa admiração dupla a dois artistas e personalidades de talentos bem distintos nos seus estilos e estéticas.
Resolvi então escrever sobre os dois e saiu isso:


Chico e Raul

Chico constrói coisas,
Raul desenha outras
a palavra que define Chico é coerência
a de Raul, irreverência
Chico fala sobretudo para as mulheres,
Raul para os jovens
Chico é organizador,
Raul,libertário
a obra de Chico se resumiria
na palavra “vida’,
a de Raul, na palavra “sonho”
Chico é imaginação,
Raul, revolução
Chico é Brasil
Raul é Universo
Chico é o poeta do povo
Raul é o poeta do todo
Chico é letra
Raul sentimento
Chico, socialista
Raul, anarquista
Chico, pensamento
Raul, atitude
Gênios em seqüência astral : gêmeos e câncer
Um é palanque, o outro pileque
Duas inteligências magníficas
Chico o maior criador da MPB
Raul da MPU – Musica Popular do Universo
Um convence, o outro transcende...
Meus dois grandes mestres!

Paulo Gomes,
12.12.2005

domingo, 28 de dezembro de 2008

Grandes Personagens - CARLOS MARIGHELLA




Belíssimo soneto feito pelo líder comunista e revolucionário Carlos Marighella, um baiano que foi um bravo defensor de sua ideologia e que trazia além da coragem outro grande dom, o da sensibilidade de fazer belos poemas. Como o magnífico soneto "Liberdade" que transcrevo aqui.

LIBERDADE

Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte.

Para que eu possa um dia contemplar-te
dominadora, em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por maior risco em que essa audácia importe.

Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome.

E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome.

Carlos Marighella, 1939



PESQUISE E SAIBA MAIS:
Carlos Marighella   -  http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Marighella


quinta-feira, 25 de dezembro de 2008



TRIÂNGULO
Paulo Gomes

E um homem vestido
de Cristo
disse que era
“o Homem”
simplesmente um homem

e o Cristo vestido de
homem,
disse que era o filho
simplesmente o filho
do Homem

e Deus vestido de homem
veio como Cristo ...

13/9/90

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Poetando






GINÁSTICA DA VIDA

Paulo Gomes

Voar bem acima
dos problemas
e ignorá-los

Saltar sob
o pessimismo
e vencê-lo

de novo voar
-agora bem distante –
dos fracassos
e derrotá-los

estar bem à frente
dos preconceitos
e nem sequer ouvi-los

Enfrentar e saber
driblar, as derrotas
e goleá-las

Saber “bater de frente”
e não temer,
os sacanas

Encontrar e saber
Desarmar os maldosos

Entender e perdoar
os dignos de pena...



08/01/03

domingo, 7 de dezembro de 2008

POETANDO - Gegório de Mattos


"Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,

Depois da Luz se segue a noite escura,

Em tristes sombras morre a formosura,

Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?

Se formosa a Luz é, por que não dura?

Como a beleza assim se transfigura?

Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,

Na formosura não se dê constância,

E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,

E tem qualquer dos bens por natureza

A firmeza somente na inconstância."


Gregório de Mattos

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Gol de Letra - O melhor da literatura esportiva


Pobre Mãezinha Querida


No final dos anos sessenta, o poeta Jorge Enrique Adoum voltou ao Equador, depois de longa ausência. Nem bem chegou, cumpriu o ritual obrigatório da cidade de Quito foi ao estádio, ver jogar o time do Aucas. Era uma partida importante, e o estádio estava repleto. Antes do Início, fez-se um minuto de silêncio pela mãe do juiz, morta na véspera. Todos levantaram, todos calaram. Em seguida, um dirigente pronunciou um discurso destacando a atitude do esportista exemplar que ia apitar a partida, cumprindo com seu dever nas mais tristes circunstâncias. No meio do campo,cabisbaixo, o homem de preto recebeu o denso apaluso do público. Adoum piscou, besliscou um braço: não podia acreditar. Em que país estava? As coisas tinham mudado muito. Antes, as pessoas só se ocupavam do árbitro para gritar filho da puta!

E começou a partida. Aos quinze minutos, explodiu o estádio: gol de Aucas. Mas o árbitro anulou o gol, por impedimento, e imediatamente a multidão recordou a finada autora dos seus dias:

- Órfão da puta! - rugiram as arquibancadas.


FUTEBOL AO SOL E À SOMBRA
EDUARDO GALEANO
1995 - SETEMBRO DE 2004
L&PM POCKET