domingo, 19 de outubro de 2008

InTeRnEt@nDo - Blogs


Com o estilo do Saldanha

Dando uma olhada lá na Comunidade do Orkut dedicada ao jornalista esportivo José Trajano de quem sou um grande admirador sobretudo pela sua autenticidade, independência e sensibilidade, encontrei um tópico colocado por André Faxas que convidava todos a lerem uma crônica que ele escreveu no seu Blog sobre o hoje mais famoso teorcedor do América F.C. do Rio de Janeiro, o simpatico ameriquinha.


Não só li e gostei como transcrevo aqui para vocês as palavras do André sobre o confrade Trajano que muito me faz lembrar o grande João Saldanha. Pelo estilo e pela personalidade. Ambos fortes, autênticos e carismáticos.
Parabéns André. Me junto a você nessa bela homenagem ao Zé.



Ah... o Blog do André que deve ser visitado por vocês fica no endereço:


http://blogdofaxas.blogspot.com/





Não sei bem o que está me levando a escrever este artigo. Provavelmente, a maioria que freqüenta esse blog não saiba quem é o sujeito do título acima. Alguns hão de recordar o nome, mas somente aqueles que são aficionados por futebol, como eu, vão identificar a personagem principal dessa crônica. Mas quem acha que vou escrever hoje sobre futebol, se engana redondamente. José Trajano é muito mais que isso.Descobri agora o porquê da crônica: nesse momento estou trabalhando na Tijuca, na Rua Campos Sales, próximo ao Clube Municipal. Ainda pouco caminhei até à Praça Afonso Pena, onde visualizei ao longe a sede social do América Futebol Clube, clube de coração do velho Trajano. Bons tempos, diria ele, em que todo tijucano era torcedor do América. Mas, apesar das tentações, o assunto do artigo não é o América, não é a Tijuca, não é o futebol. É o José Trajano.Passei a conhecê-lo no final da década de 90, quando as tvs por assinatura se popularizaram no Brasil. Sei que sua carreira vem de muito tempo, sendo figura notória do jornalismo esportivo brasileiro. Mas a primeira vez que ouvi seu nome, foi quando o Zagallo, indagado pela imprensa a respeito de sua famosa frase “vocês vão ter que me engolir !”, dita após a dramática vitória nos penaltis contra a Holanda, na semifinal da copa de 98, citou José Trajano entre os destinatários de seu desabafo. Indaguei-me: quem é José Trajano ? Hoje sei bem a resposta, tanto sobre quem é, quanto o porquê do velho lobo ter perdido as estribeiras. José Trajano às vezes me tira do sério.Minha mulher então, nem se fala: basta acordar e ver o Trajano falando na TV, que seu humor piora. – Esse Trajano é um velho arrogante, que se acha o dono da verdade ! – diz ela. Para piorar a situação, ela sempre me flagra ouvindo o Trajano opinar sobre tudo: futebol, música, política, culinária, cinema e literatura. E sobre qualquer assunto em que mete o pitaco, de fato, o sujeito é o dono da verdade: “fulano é bom, cicrano não é, beltrano é uma porcaria” e assim vai. E ela, estupefata e irada, começa a discutir com o homem, como se de fato ele estivesse provocando-a intencionalmente. Aliás, é isso: José Trajano provoca a gente intencionalmente.Toda vez em que não trabalho fora pela manhã, assisto ao Trajano, no programa “Pontapé Inicial” na ESPN Brasil. De fato, o homem é teimoso e ranzinza. Quase sempre está irritado, emburrado, seja com o América ou com seus funcionários da ESPN, quando não atendem suas determinações. Briga porque o som está baixo, ou porque está alto demais, ou porque não acharam a música que queria, ou porque está havendo buchicho no estúdio enquanto ele ouve seus discos de música instrumental. Aliás, José Trajano é o único profissional de televisão que tem um programa, em um canal de esportes, em que ouve, se deliciando, música instrumental brasileira ! Pelo menos nessa hora o homem se amansa, fecha os olhos e relaxa, para desespero de minha mulher, que acha isso o cúmulo: “Como, um sujeito pode interromper um programa popular, de futebol, para ouvir uma musiquinha que só ele gosta ?” O pior é que estou gostando dessa chatice de música instrumental brasileira. José Trajano vicia a gente. Aliás, ele é assim: nos faz amá-lo e odiá-lo na mesma medida. Odiá-lo e amá-lo por sua sinceridade farta, pelo rigor de suas convicções, por sua mania de perfeição e por sua obstinação em se expressar. Porque José Trajano é expressão pura, é comunicação na essência, exemplo vivo do jornalismo original, onde a opinião vale tanto quanto o fato. Onde, muitas vezes, da opinião se extrai o fato, não o contrário. Mesmo quando se erra, e José Trajano também erra muito, vale mais o erro do que a omissão, a covardia, do que o jornalismo borra-botas que impera nessa era medíocre em que vivemos. Essa era tecnicista, mecânica, dos acadêmicos engravatados que entendem mais de computadores do que de gente. José Trajano é mais que um jornalista, ele é gente na essência. Gente de verdade, de fibra, com sangue nas veias. Doa a quem doer. E sei que às vezes dói nele mesmo: o velho tijucano deve pagar um preço muito caro por ser assim.Pois é, velho Trajano, o tempo passa. A Tijuca já não é mais a mesma, o América também não e meu trabalho vai começar. Mas sei que você vai continuar a ser tijucano, americano e, desculpe a rima pobre, o José Trajano. Esse mesmo cara de quem vou discordar amanhã pela manhã.E, por favor, esculhambe menos o Botafogo.


ANDRÉ FAXAS

1 comentários:

manoel disse...

Esse cara é realmente muito cabeça, mas cá pra nós, acho ele um pé-no-saco.
Achoq ue ele adotou a receita da vovó ai de cima.
Parece sempre que a mulher dele dorme de calça jeans.