quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Minhas Crônicas


MEUS ÍDOLOS
Por Paulo Gomes

Dizem os fanáticos religiosos, que a idolatria é algo que desagrada a Deus pois adoração devemos ter somente a ele. Eu duvido que seja isso mesmo um pecado, já que se fosse verdade, o Grande Criador não faria alguns de seus filhos tão brilhantes e talentosos em certas áreas, ao ponto de fazer despertar tanto a atenção e admiração dos outros. Pelo contrário, acho que ele fica até feliz quando vê o reconhecimento da capacidade extraordinária dessa gente genial, pois tem assim a certeza de que a sua fabricação teve total êxito e foi de fato de qualidade.
E Deus é tão grande e superior ao homem que não nutriria um defeito tão pequeno e humano como a inveja, e logo de quem ? de suas próprias criaturas-criações ?

Não faz mesmo sentido ...


Não falo de fanatismo, mas termos ídolos é fundamental.

Impossível não admirar, acompanhar e até seguir como referencial e exemplo, pessoas que são acima da média naquilo que fazem. Ainda mais em áreas onde o talento fica mais destacado como no esporte, na literatura, na música, na poesia, na dramaturgia e na política.

Quem não tem um ídolo? impossível você gostar de algum desses temas e não admirar numa dose mais forte algum “craque” .
Por falar nisso, são cinco, os meus ídolos no esporte .
No futebol, dois craques do meu time de coração, o
Fluminense. O raçudo Edinho e o cracaço Rivelino. Sobretudo pelo amor à camisa do primeiro e a pura arte do segundo. Bons tempos...

No basquete, Oscar o “Mão Santa” e a divina “Magic Paula”.
No automobilismo, o único que me fez acompanhar essa coisa chata chamada corridas de carro, Ayrton Senna do Brasil e do Mundo! Poderia citar Garrincha, mas esse era uma espécie de “entidade”, não era de carne e osso. Era fábula, virou linda poesia...

Na dramaturgia elejo Nelson Rodrigues como o grande criador. Sem falar no cronista esportivo há anos luz dos demais.
Como sabia mergulhar na psicologia humana para construir seus personagens!.. neuróticos, sensuais, cafajestes, carismáticos, mas sobretudo humanos!

Como atores, Paulo Autran e Marília Pêra estão no topo do meu “podium imaginário”. Ainda na dramaturgia televisiva,o pai de Odorico, Zé do Burro e Zeca Diabo, Dias Gomes.

Na literatura, um representante de além-mar, José Saramago.
E um genuíno mineiro e brasileiro: Guimarães Rosa.
No jornalismo o mais brilhante entre todos os pensadores e produtores de textos (também os de ficção) Fausto Wolff. Corajoso, humano, culto, inteligente, uma FERA!


Na música Chico Buarque é pra mim, o grande Papa.
Composições de uma criatividade extraterrestre, mediúnica,
recheada de poesia, sensibilidade e indignação social.
E como se não bastasse algumas características em comum com a desse admirador. A saber : geminiano, socialista e tricolor.

Ainda na praia musical, tem o Raulzito que é um capítulo especial que falarei adiante.
Na política, os mestres Darci e Waldir. O Ribeiro e o Pires. Que falam por mim tudo o que eu gostaria, defendem o que eu penso e transpiram sensibilidade, honestidade, patriotismo, inteligência, carisma e lucidez.
Beatifico a figura de Betinho, como o maior de todos os soldados da cidadania.

No jornalismo esportivo, Armando Nogueira pela poesia e
João Saldanha por tudo : corajoso, espirituoso, conhecedor profundo do planeta futebol.


No rádio (uma das minhas cachaças malditas), “ é ele, é ele, é ele! É, é, é , é".. é Fernando José o meu ídolo! profissional completo. Escrevendo, narrando futebol,
criando sacadas inteligentes com reflexos de gênio. Tão bom que sem querer, fez o povo acreditar que ele pudesse ser até prefeito . Grande Fernando... o meu “camisa 10”.
Aliás, foi imitando-o e satirizando-o em 1990 com o personagem “José Fernando” (um ex-prefeito que queria ser radialista estória inversa a dele) na FM Transamérica, que dei os meus primeiros passos no rádio. O “Galinho Cego” era de ouro ....

No humor completo, Chico Anysio. No humor de imitações, Carlos Roberto “Escova”.
Apresentador de TV, desde bebê que pra mim sempre foi o Chacrinha. Com direito a berreiro no colo do meu pai se mudassem o canal para colocar em outro programa. Fato puramente verídico.E depois com a palavra na ponta da língua (sabe-se lá por qual razão)quando era perguntado:
"E então Paulinho quem você escolheu para ser o seu Padrinho?"...
- Chaquinha!
Durma com um barulho desses!
Já maior, me encantei com o mundo do extraordinário
Walt Disney.

Não chegam a ser ídolos, mas não posso deixar de mencioná-los, pois têm um lugar reservado no meu coração três figuras distintas nos estilos, personalidades e áreas, mas igualmente brilhantes no talento e na alma : Dr. Evandro Lins e Silva, Dercy Gonçalves e D. Hélder Câmara .

Mas o maior de todos os meus ídolos, é um cara tido pela maioria (graças a Deus) como um tipo esquisito, irresponsável, inconseqüente, louco ...

Isso dentro da visão de quem só procura - e só sabe - enxergar com “olhos ignorantes”, para logo meter um carimbo de “reprovado!” , dentro desse cada vez maior conceito imbecil e diário da mania de julgar e condenar, sem sequer prestar atenção para entender...


O artista, o filósofo, o escritor, o sensível, o místico,
o poeta, o anarquista, o líder e ídolo natural de uma verdadeira legião de seguidores, chamado Raul Seixas,
não precisa responder nada aos tolos que com suas “cabeças animais de menos de dez por cento de capacidade”, insistem em achar isso, aquilo e o "enguiço” sobre ele.
Que bom Raulzito, que você é meu ídolo e não o desses “inocentes” que não te alcançam...
Nesse caso, a falta de unanimidade em torno do "Maluco Beleza" é burra, contrariando assim, a teoria do velho
Nelson Rodrigues” ...


12 de agosto de 1999.

1 comentários:

manoel disse...

Ídolos? ainda bem que não os tenho, afinal sigo à risca a idéia de que todos são iguais, sendo assim, admiro e aplaudo os atos destes seres, mas não os transformo acima do bem e domal, pois se da mesma forma que são brilhantes nos atos elogiáveis, são normais e toscos nos atos desagradáveis. Sendo assim, admiro a obra e não idolatro o autor da mesma.
Observo e concordo com quase todos os citados, com obras magnificas, exceto o senhor Chico, mas embora não sinta em sua obra um profundo sabor, respeito e aplaudo o respeito adquirido por ele.
Hum
Meu primeiro perrengue via net.
hehehehehehe