segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Minha Crônicas


INFÂNCIA
por Paulo Gomes

“Existem energias que são vividas dentro de nós somente em determinadas fases da vida. Certamente a mais rica e que mais sensações gostosas e criativas nos dá é a que vivemos quando somos crianças. Os sonhos e brincadeiras viram verdadeiros filmes em terceira dimensão. Nossos amigos, irmãos e pais não são outros, senão parceiros, super-heróis, fadas madrinhas ... Tudo passa a ter um colorido, um tamanho, um sabor mais do que especial. um simples jogo de futebol no pátio da escola e improvisando uma tampinha de refrigerante como bola, se torna uma verdadeira final de copa do mundo para os guris, com direito a um estádio completamente lotado no imaginário. A emoção na hora do gol, com certeza é a mesma sentida por um “jogador de verdade” numa decisão na vida real. Bonecas, cachorros e gatos “falam” e brincam com os miúdos, alguém duvida ? É a magia ... a mesma magia que fez os garotos voarem janela à fora, ganhando o céu com Peter Pan até a Terra-do-nunca. Uma pequena goiabeira no fundo do quintal, vira a mais alta de todas as torres de onde se tem a impressão de se ver o mundo todo.O coração batendo forte ao entrar em quintal dos outros para roubar uma fruta, talvez seja a mais emocionante e gratificante sensação que temos na vida, pois ali estão: a ousadia do ato, o desejo da conquista, a sensação do pecado e do perigo, o esforço físico e o prazer final da vitória.A liberdade de soltar uma pipa na imensidão do céu, o banho de mar ou de rio, o buzinar na porta dos outros e correr, fazer o pai de cavalinho montando nas suas costas no dia em que ele está afim de brincar, achar uma moeda na rua e correr até um boteco e encher os bolsos de doces e balas, o orgulho de tirar a primeira nota dez na escola, o medo da surra e do carão dos pais quando se apronta uma travessura digna de castigo, espreitar mulher nua pela fechadura, o primeiro beijo de língua, o bater gostoso e diferente do coração na primeira vez em nos apaixonamos, a conquista da primeira namorada, a satisfação de ver o esperma pela primeira vez na batida de bronha, são sensações que por certo, torna completamente feliz uma criança e o esboço necessário para a formação de sua futura personalidade de adulto.É pena que só temos uma infância na vida. Como seria legal se depois da velhice, pudéssemos, geneticamente voltar a ser novos, invertendo todo o processo. De novo voltando à infância. Unindo assim, o final e o começo, e chegando no “ponto-final-inicial”, o útero da mãe. Acho que a vida seria mais gostosa ainda .


20/10/99

2 comentários:

Marcos Niemeyer disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcos Niemeyer disse...

A família e a infância são a base de tudo em nossa vida. O presente cotidiano é uma realidade. Mas não há futuro sem passado!!!